quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

SENSATA LUCIDEZ



Enquanto a dança desigual corrompe, fere... corre lá fora,
A verdadeira vida a ignora,
Fazendo-nos ser, aprendiz e professor,
Servos de nós... Não o Senhor...

Vida... Vida! Magia que fascina esconderijo das ilusões,
Vida é liberdade nos anseios das canções,
Seus detalhes, seus segredos, matam a sede da esperança,
Ser poeta, ser criança,
Ser feliz por simplesmente ser.

Se é serena e mansa a consciência,
Feliz do coração de quem alcança,
Pois se lança inconsciente por caminhos que sonhou.

É no sentimento sincero que a alma brilha e se aquece,
E se o pensamento é tão puro, tudo ainda mais se enobrece,
Verdadeiro tesouro que enriquece,
E a vida segue viva, plena, livre, cristalina,

A um destino digno, se faz abraçar...

Poesia e foto: Serjão Missiaggia

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

BELEZAS DA TERRINHA


LOCAIS INESQUECÍVEIS DE SÃO JOÃO.

Foto: Serjão Missiaggia.

CASOS CASA(RÕES) & detalhes misteriosos


QUEM CONHECE ALGUMA HISTÓRIA SOBRE ESSE CASARÃO ???

CASARÃO DA SEMANA PASSADA - Pela primeira vez no BLOG, ninguém reconheceu o casarão da Rua Dr. Gouvêa. Continuamos aguardando, pois, sabendo da localização, temos certeza de que alguém conhece alguma história do local.

Após o fechamento desta postagem, recebemos a seguinte mensagem, via Facebook da Minda (Arminda Ferraz): "Que emoção! Nesta casa, eu, Téia e Toinzé nascemos, crescemos e passamos nossa juventude na companhia adorável e carinhosa da Vó Clarice, na alegria contagiante do pai Expedito. Convivemos também com as tias Cirene, Tereza e primos. Quantas saudades, quantas saudades....  Nos dias atuais, temos a felicidade de conviver com a mãe Isabel (uma fortaleza) e com toda sua prole, netos e bisnetos."

Foto: Serjão Missiaggia.

CASOS CASAS & mistério ???


QUE LUGAR É ESSE EM SÃO JOÃO ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - o portão da Igreja Matriz foi reconhecido por muita gente: Maninho Sanábio, Juliana Lanini, Marcelo Oliveira, Maria Aparecida Alves, Graça Lima, Jacques Angelo Rigolon, Rita Gouvêa Knop, Alessandra Novaes Barbosa e Fernanda Macedo.

Foto: Serjão Missiaggia.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

FORMAS DE SER INFELIZ EM 2015


Cansado de passear pelas bancas e livrarias, principalmente de rodoviárias e aeroportos e, literalmente, tropeçar nos milhares de livros de autoajuda, resolvi lançar, aqui no BLOG, o primeiro Manual Brasileiro de Autossabotagem.

Todos sabemos que os manuais de autoajuda funcionam muito bem... para os seus autores, que ficam ricos e famosos. Como não tenho a pretensão de ficar rico (talvez só um pouquinho) nem famoso, vou investir nesse projeto. Pelo menos terei a certeza de que, se as pessoas seguirem o meu manual, e não tiverem sucesso, não ficarão mais infelizes, nem frustradas.

Regra número 1 para ser infeliz em 2015: ACREDITE QUE, NO ANO QUE VEM, TUDO VAI MUDAR PARA MELHOR! – Não vai. As coisas não mudam para melhor só porque você quer. A única coisa que, com certeza, vai mudar em 2015 é a sua idade: você estará um ano mais velho.

Número 2: RENOVE SUAS ESPERANÇAS! – A esperança, na verdade, é uma forma de se alegrar com uma coisa que ainda não aconteceu. Assim, se você vai com sua família para Cabo Frio, todos respiram aquele clima de esperança em altas diversões. No entanto, lá no fundo, viaja, junto com vocês, a outra face da esperança: o MEDO, que, por sua vez, é uma forma de se entristecer com uma coisa que ainda não aconteceu (Um acidente? Chuva? Tsunami?). Assim, renovar suas esperanças é também renovar seus temores.

Número 3: REINVENTE SUAS MOTIVAÇÕES! – Aqui temos uma forma de unir o impossível ao improvável. Primeiramente, é pouco provável que alguém consiga SE motivar. Ou seja: meu pai morreu, estou desempregado e minha mulher me deixou. No entanto, devo encontrar uma forma de ME motivar. Como? Não seria mais lógico viver o luto dessas perdas e, simplesmente, viver a vida sem ter que, em meio a dores terríveis, buscar bons motivos para vivê-la? Quanto à reinvenção, acho uma palavra infeliz no vocabulário, pois, ou você inventa (o que é dificílimo), ou você copia.

Número 4: ORE, POIS DEUS PROVERÁ! – Aqui temos um contrassenso, pois, ainda que sejamos religiosos e profundamente confiantes na Providência Divina, é lícito supor que possamos continuar vivendo da mesma forma como sempre vivemos e que, porque pedimos, Deus vá se converter num tipo de garçom universal e nos atender prontamente?

Número 5: PLANEJE CUIDADOSAMENTE OS OBJETIVOS DA SUA VIDA! – Essa é uma das regras mais imbecis para quem deseja, realmente, ser feliz, provavelmente escrita por uma pessoa que adora participar de reuniões e coordená-las. Planejamento de vida, além de ser uma tarefa que você executa enquanto os outros vivem a vida, leva, invariavelmente, à frustração: se você não atinge suas metas, fica frustrado; se atinge, fica entediado.

Dessa forma, o que desejo a todos vocês, em nome do BLOG, é: NÃO sigam essas regras! Aliás, não sigam nenhuma regra! Passagem de ano é momento de se desregrar, não loucamente (a não ser que você JÁ seja louco), mas de uma forma pessoal, calma e selvagemente humana!              FELIZ 2015!

Crônica: Jorge Marin
Foto      : Disgruntled Baker, disponível em https://www.flickr.com/photos/disgruntledbaker/with/10159705196/

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

UM PRESÉPIO INESQUECÍVEL


Ano passado, tive a felicidade de rever, depois de várias décadas, algo que muito marcou minha infância e com certeza a de muitos outros pequeninos.

Tudo começou dias após o Natal de 2013 ao encontrar-me na rua com o Sr. Tininho e ter-lhe perguntado por onde andaria aquele incrível e encantador presépio de Natal, presépio este que, com suas imensas imagens, era artisticamente e com muito carinho montado na varanda de sua casa. Algo que encantava e seduzia a imaginação de todos que por ali passavam, principalmente aqueles que se dirigiam à Igreja Matriz.

Foi quando ele me convidou para, horas depois, ir a sua casa, pois, juntamente com sua simpática irmã Demi e o referido PRESÉPIO (que acabara de ser montado), estariam à minha espera. E assim foi. Horas depois, já com minha superdigital em punho, lá fui eu, atônito e tomado pela ânsia,  reencontrar  aquele que teria sido, juntamente com um outro lindo e inesquecível presépio (que minha irmã Mika sempre montava em nossa casa), o meu PRESÉPIO de criança!

Ao chegar, procurando de imediato bater algumas fotos, percebi instantaneamente que aquela mesma magia ainda estava ali, e que a simplicidade das imagens do Menino Jesus na manjedoura, junto a Maria e José, continuava a nos fascinar e a transmitir os mais puros sentimentos de paz e amor.

Momentos de recordações... Emoções e alegria!
Das canções e poesias... Natal NASCEU JESUS!
E o tempo eternizou a mais linda sinfonia,
Infinita melodia, que ainda hoje, nos encanta, nos aquece e nos conduz.

Quem me dera ser menino,
Ao Natal poder voltar,
Adormecer... Assim sonhar!
Reencontrar a fantasia, desvendar a luz do dia,
Os presentes de meu PRESÉPIO de Natal.

Em nome do blog desejo um FELIZ NATAL a todos!!! Obrigado Sr. Tininho e dona Demi, por esse momento mágico que pude reviver.


Crônica e fotos: Serjão Missiaggia

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

BELEZAS DA TERRINHA


MARAVILHA DE CIDADE!!!

Foto: Serjão Missiaggia

CASOS CASA(RÕES) & detalhes misteriosos


QUEM CONHECE ALGUMA HISTÓRIA SOBRE ESSE CASARÃO ???

CASARÃO DA SEMANA PASSADA - A casa do Sr. Sylvio Rigolon, com sua marcenaria anexa, foi um "campeão de audiência": mais de 1.400 pessoas viram a postagem!

Disse o Hélio Rigolon: "Aí está o nosso palácio encantado! Saudades de uma vida feliz ao lado e fazendo parte da "potocada", sem esquecer, é claro, das "potoquinhas" lindas, vigiadas pela mansidão da mãe Hilda e a severidade do pai Sylvio. Éramos felizes! Unidos permanecemos, sob as bênçãos de Deus, cobertos pelo manto de Maria."

"Potoquinha" da segunda geração, Cláudia Maria Rigolon concorda: "Lindíssimo!!! Casa dos meus avós. Meu avô, um homem íntegro, trabalhador, católico praticante e muito severo. Mas com um único objetivo - educar seus filhos e netos dentro de seus princípios morais. Minha vó... meiga, doce e muito feliz. Oficina... Local abençoada, onde meu pai, lindo... de olhos azuis, se dedicou magnificamente à sua profissão. Amo vocês. Saudade."

"Ah! Quantas lembranças da nossa infância... Aquele bolo da vó Hilda... Aquele rapa do angu... que a gente comia na colher... E o pão com óleo? Os pastéis da tia Oneida... A sopa quentinha com queijo de Minas. Mt bom!!! Doces momentos..." - lembrou Isa Maria Zágari Rigolon.

Parentes, amigos e muitos leitores lembraram-se do palácio encantado dos Rigolons: Jacques Ângelo Rigolon, Lúcia Rigolon, Lourenço Rigolon Nerval, Luíza Reis Picorone, Celso Theodoro, Fernando Rigolon, Carolina Celma Soares Medina, Maria Elisa Rigolon Tozatto, Mariza Sant"Ana, Carla Rigolon, Cirleida Aparecida Vilela do Carmo, Luiz Carlos Moura, Sônia Maria Itaborahy, Marcelo Oliveira, Sônia Maria, Elza Rigolon, Rita Gouvêa Knop, Sílvio Heleno Picorone, Pedro Henrique Nascimento, Graça Lima, Denise Vargas, Alessandra Novaes Barbosa, Bete Knop, Wellington Itaborahy e Angélica Girardi.

No nosso tempo de menino, ser um "homem de ouro" tinha uma conotação pejorativa, mas hoje, passado o tempo das trevas, e dentro de um cenário tão carente de referências, posso afirmar que o sr. Sylvio Rigolon foi, verdadeiramente, um homem de ouro: íntegro, inabalável, manso na conversa e implacável nas convicções. Não por acaso, o construtor e rei do "palácio encantado". Um exemplo de vida cujos depoimentos de sua maravilhosa família não me deixam mentir.

Foto          : Serjão Missiaggia
Texto final: Jorge Marin


CASOS CASAS & mistério ???


QUE PAISAGEM É ESSA AÍ EM SÃO JOÃO NEPOMUCENO ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - A casa amarela da Rua do Descoberto foi reconhecida pelo no expert Maninho Sanábio e por duas Sônias, a Sônia Maria Barbosa Mendonça e a Sônia Maria que mora em Bicas.

Foto: Serjão Missiaggia.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O FIM DO FEMINISMO


Me lembro que, outro dia mesmo, vínhamos saindo do portão da Casa Leite, depois da escola, quando um coleguinha esbaforido veio trazer a novidade:
- Gente, gente! As mulheres agora não vão mais usar sutiã. Minha tia falou que elas estão queimando todos eles lá nos Estados Unidos.

Meninos entre dez e treze anos, cada um de nós teve uma reação. O primeiro perguntou:
- E daí? Eu não uso essa porcaria – enquanto o Zé Carlos, um repetente grandão que vivia aprendendo coisas com a gente, disse:
- O que que é sutiã?

Eu e o Afonso, que acabara de trazer a notícia, começamos a fazer nossas considerações sobre a novidade, quando o quinto participante do grupo, o Robertinho, que era tido como namorador, chegou à conclusão que todos queríamos:
- Puxa vida, no mês que vem, quando sairmos de férias, vou pedir ao meu pai pra levar a gente na praia! – todos aplaudimos e, a partir daquele dia, nosso assunto preferido passou a ser a praia. As meninas descobriram nossa questão social e, como sempre irritantes, disseram que éramos uns estúpidos e que aquele movimento era o FEMINISMO, feito, justamente, para elas não terem que aturar os ignorantes, ou seja, os meninos.

O fato é que, quase cinquenta anos depois, um passeio pelas ruas das cidades causaria arrepios, tanto nas inteligentes meninas quanto nos estúpidos e ignorantes nós. Idealizado como um movimento contra a dominação de um gênero sobre o outro (na época, costumávamos ter apenas dois), o feminismo foi confundido, ou mal interpretado, como uma guerra de poder, na qual o gênero vencedor passaria a dominar o outro.

É lógico que estou generalizando, mas o que percebo hoje é uma “machização” da sociedade: as mulheres não apenas ocuparam a maioria dos espaços antes dominados pelos homens, como passaram a adotar, infelizmente, os piores tipos de comportamento que os homens expressam: grosseiras, barulhentas, bêbadas, muitas se vangloriam no Facebook, entre palavrões, que cobriram a desafeta “de porrada”, enquanto, no trabalho, mandaram aquela chefa ridícula ir tomar...

A coisa assume um contorno tão concreto, que o que era para ser uma discussão justa transforma-se em atos no mínimo controversos: uma ex-atriz pornô, filha da cantora conhecida em nosso tempo como a Rainha do Bumbum, não satisfeita em assumir a sua homossexualidade (também justa e saudável), resolve remover cirurgicamente os seios para, segundo ela, correr livre e sem sutiã pela praia.

Ou seja, o tal do feminismo acabou se transformando num pesadelo machista para as mulheres, que agora têm de tirar, literalmente, os peitos fora. O pior foi para nós, meninos da década de 70, que continuamos trocando lâmpadas e abrindo vidros de palmito, e já estamos morrendo de medo de ir na tal praia!
  
Crônica: Jorge Marin
Foto     : disponível em http://archive.freep.com/article/20140501/NEWS05/305010090/Rosie-the-Riveter-s-Willow-Run-Bomber-Plant-saved-from-wrecking-ball

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

OS BONS FILHOS À CASA NÃO TORNAM


Ah... Ginásio do Sôbi! Como podes continuar a mexer com a emoção de todos que por você passaram?  

Que magia estranha é essa que aí permanece e que tanto nos maltrata, principalmente ao fitarmos sua fachada, felizmente ainda “intacta”, mas tão “ausente”.   

Donde vem essa energia misteriosa e imortal, que pulsa soberana no topo da colina e que ainda nos atrai e tanto nos fascina.   

Que “calmaria” estranha é essa de agora, que antes se curvava ao barulho das carteiras, aos ruídos dos tambores, ao apito da batuta ou o som das brincadeiras.      
                                                                                                                            
E esse mesmo silêncio, que tanto insiste em querer nos roubar o passado nesta hora, é o mesmo que faz gravar ainda mais na memória, os ensinamentos de nossos amados PROFESSORES, o convívio de cada AMIGO de jornada e os sábios conselhos do eterno e inesquecível MESTRE. 


Foto e texto: Serjão Missiaggia 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

BELEZAS DA TERRINHA


Iniciamos hoje uma nova seção no BLOG: Belezas da Terrinha, cujo objetivo é mostrar alguns olhares sobre São João, olhares que captam belezas muitas vezes despercebidas por quem passa ao lado todo dia, mas emocionantes para os sanjoanenses ausentes, e também para quem quiser olhar e ver.

Foto: Serjão Missiaggia.

CASOS CASARÕES & detalhes misteriosos


QUEM CONHECE ALGUMA HISTÓRIA SOBRE ESSE CASARÃO ???

CASARÃO DA SEMANA PASSADA - Angélica Girardi reconheceu a casa no Bairro São José que publicamos a pedido, na semana passada. E Alex Geraldi forneceu mais detalhes: o imóvel fica na rua Dr. João Sarmento, ainda conserva parte de uma mobília antiga, e pertenceu ao sr. José Schicariol.

A Catarina Oliveira, que pediu que publicássemos a foto da casa, pois, segundo  ela, trabalhou com o sr. Zé e dona Yolanda há 30 anos atrás, comentou: "achei a casa parecida, mas a cor era azul e branca naquela época, e tínhamos como vizinhos mais próximos o sr. Domingos e o sr. Gerson Moreira; que saudade!!!".

O Luiz Carlos Moura, um dos maiores conhecedores da nossa paisagem urbana, enviou uma cópia da postagem para a Ana Schincariol, que mora no Rio, e nos mandou uma mensagem emocionada: "obrigada pelo envio. Acessei o blog, fiz pelo menos 4 vezes os comentários, mas, na hora de escolher o perfil, não consegui avançar, perdi tudo que escrevi e desisti. Casa dos meus pais Zé Schin e Dona Yolanda Schincariol, onde nasci há 59 anos e onde vivemos até dezembro de 1971, quando toda a família mudou para o Rio de Janeiro, em busca de uma vida melhor e onde meu irmão mais velho José Yvan morava. Meus pais retornaram na década de 80. Muita emoção. A história familiar passou como um filme. Saudades da terra amada, dos meus pais, meus irmãos falecidos, meus familiares, de amigos e de tantos professores (preciso citar a Tá Son - Sônia Velasco, D. Anna Letícia, Dona Mariza Letícia Henriques e D. Rizza Lamah) que me ajudaram em minhas conquistas. Obrigada a todos. Orgulho de minha origem, de ser sanjoanense, sempre."

Foto: Serjão Missiaggia.

CASOS CASAS & mistério ???


ONDE FICA ESSA CASA ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Angélica Girardi, Silvana Mesquita Bertolini Penchel e Marcelo Oliveira, reconheceram o jardim da casa do Dezinho, no final da Rua Nazareth. A Alessandra Novaes Barbosa, que é prima do Valdézio, lembra-se também com saudades dos tios Tana e Waldomiro.

Foto: Serjão Missiaggia.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

SÃO JOÃO E A CURA DA ANGÚSTIA

























Mais de uma vez comentamos aqui no Blog sobre a dificuldade de viver longe de São João Nepomuceno, “nossa terrinha” conforme o Serjão. Tendo que sair para “fazer carreira” em outros locais, percebo, tanto em mim, quanto em muitos conterrâneos, essa sede de retornar, essa hesitação na hora de transferir o título de eleitor, essa presença constante nos feriados.

Às vezes prejudicado na tão decantada carreira profissional por esse sentimento, sempre me questionei, afinal de contas, do que se trata esse apego à terra natal. Hoje aposentado e vivendo a pouco mais de uma hora da terrinha, percebo que a coisa é muito mais profunda e até mesmo meio arquetípica.

Explico à maneira de Rousseau, filósofo que nos levava a baixar consideravelmente o nível do chope do antigo bar do Paulinho Cricri. O meu colega de debates era o Gilberto Bertolini, ele também exilado de São João por um certo tempo. O argumento era o seguinte: se eu fosse um gato, certamente poderia viver, sem problema algum no sul de Minas, no sudoeste de São Paulo ou nos confins do Amapá. Ou seja, se eu fosse um gato, possivelmente não teria essa necessidade de voltar.

Os animais em geral não têm problema na condução de suas vidas, pois, conforme explicava aquele filósofo suíço, já nascem perfeitos, com seu comportamento já previamente “programado” pela natureza. Isto é, um cachorro que, sabe-se hoje, possui uma grande carga afetiva, age da mesma forma que o cachorro de Abraão, da mesma forma que os cachorros do filósofo Heráclito (que, por ironia, causaram a sua morte).

Já com o homem a coisa é diferente, pois este, por possuir a capacidade de controlar os seus instintos, tem o atributo que Rousseau chamava de “perfectibilidade”, ou seja, organizar a sua vida de forma a vivê-la da melhor forma possível. Percebam que este é um conceito de ética.  

E é aí que eu quero chegar: saídos de nossa cidade, onde tínhamos todas as referências para guiar nossas vidas, seja através dos nossos pais, ou da religião, ou da proximidade dos vizinhos, vemo-nos, de repente, vivendo em um ambiente que nos é absolutamente alienígena. “Que bom”, alguns comentam, “agora ninguém vai dar conta da minha vida”. Ledo engano! As intromissões, as fofocas, as conversinhas fiadas existem em qualquer grupamento humano.

O que, no entanto, nos marca na completa liberdade rousseauniana é uma coisa terrível: a ANGÚSTIA, gerada justamente por não saber como agir para viver a vida como ela deve ser vivida. Este é, aliás, o afeto por excelência desde que nos tornamos existencialistas, ou seja, a partir do momento em que deixamos de ter referências, e passamos a viver a vida como uma pessoa única dentro de um mundo cada vez mais sem sentido e absurdo.

Assim, São João surge para nós como uma metáfora, como se aquela vida boa, inesquecível e agradável fosse o tal “estado de natureza” do qual, lentamente, nos afastamos. É lógico que os que ficaram em São João também sentem angústia, mas, vamos combinar, é bem melhor ficar angustiado num banco da Praça do Coronel do que na fila do ônibus de alguma metrópole barulhenta.

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Kev disponível em https://www.flickr.com/photos/kparnorthstonehouse/

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

FAZENDO ARTE&FATO - Explosão Municipal 2 e 3


Então, atendendo a algumas centenas de dois pedidos, tentarei em resumo narrar como ocorreram as outras duas detonações.
                                                                               
Na segunda versão, poucos fatos aconteceram, sendo que um deles foi quando, já bem tarde da noite e sob os focos das luzes numa mesa da oficina, finalizávamos a segunda bomba. Repentinamente, dois PMs apontaram o rosto na porta e perguntaram em tom de brincadeira:
- Professor Pardal! O que vocês estão inventando aí?!
- É uma bomba! – respondeu Silvio Heleno, com toda naturalidade.
Para nossa surpresa, disseram OK e foram embora. Saíram dando boas gargalhadas, pois jamais poderiam imaginar que a segunda bomba estava logo ali, debaixo de seus narizes.

Essa segunda versão teve a mesma potência que a primeira, sendo que apenas algumas modificações foram feitas para adaptar o artefato ao meio líquido. Fizemos uma embalagem especial que a tornaria protegida da água, e assim poderíamos colocá-la no fundo de um tanque qualquer, no caso o lavador do Sr. Anjinho... é claro! Esse teste foi um verdadeiro êxito, pois, além de provocar algumas rachaduras no tanque, elevou água a mais de 5 metros de altura.

Já na terceira versão, chamada de Efeito Quarteirão, empregamos toda tecnologia, experiência e conhecimentos adquiridos anteriormente. Numa potência de 36 melodias, enquanto íamos fazendo sua montagem, escolhíamos, criteriosamente, o lugar da detonação. Ficou decidido, mais uma vez, que o local seria nos fundos do terreiro da casa de Suveleno, pois sigilo e segurança, nessas horas, seriam fundamentais. Nosso convidado especial, como não poderia deixar de ser, foi nada mais nada menos que nosso saudoso amigo e guru, Moacir Ângelo Ferreira, mais conhecido como GODELO, que prontamente se fez presente para apadrinhar a XB3/4 versão 03 Mod. APF 220 (Ativação por filamentos 220 v).

Assim, após posicioná-la nos fundos do barracão, começamos então a tão esperada contagem regressiva. Esta contagem acabou interrompida quando ainda faltavam 08 segundos. O motivo que nos levou a abortá-la foi a perigosa distância que o Godelo insistia em manter-se da bomba. Queria porque queria ficar em pé a pouco mais de 10m do local da detonação. Depois de muito resistir, alegando sempre que a explosão não seria aquilo tudo que imaginávamos, resolveu enfim se esconder atrás de um velho tambor. Renatinho, não menos louco, foi depressa ficar em seu lugar.

Reiniciando então a contagem regressiva, conseguimos afinal fazer a tão esperada detonação. CRUIS CREDO!!! Nunca havia visto coisa igual na minha vida. Simplesmente subiu uma labareda de fogo quase na altura do barracão. Reza a lenda que a explosão foi tão grande, que o Sôbi, os alunos, professores e serventes conseguiram escutar lá do ginásio. Segundo o Betto Vampiro, alguém no colégio, naquele momento, chegou à janela e gritou:
- Só pode ser coisa do Silvio Heleno com o pessoal do Pitomba!!! (E num é que era!).

Naquele piso duro e compactado do terreiro, foi feito uma cratera de quase 20 cm. O mais interessante, e que muito chamou nossa atenção, foi quando, segundos após a explosão, ainda ficamos escutando os ruídos de fragmentos da XB3/4 VERSÃO 03 caindo no telhado. Naquele momento, quando havíamos até esquecido do Godelo, eis que, de repente, surge ele apavorado, de trás do tambor, dizendo:
- CRIATURA, SE EU SOUBESSE QUE ESSE TREM FOSSE ASSIM, EU NEM TERIA VINDO AQUI! E mais que depressa, foi saindo sorrateiramente do local.

Como se não bastasse, no meio do caminho, ainda foi interceptado por uma senhora que vinha descendo o morro. Extremamente assustada, perguntou-lhe se acaso não teria ficado sabendo de uma bomba que haviam detonado no posto de gasolina. Fazendo-se de desentendido, e sem responder uma única palavra, foi rapidinho entrando em casa.  

Segundo consta, moradores e até mesmo alguns funcionários do Banco do Brasil, que na época funcionava na Avenida Zeca Henriques, saíram assustados para a rua, pois achavam que poderia estar havendo um desabamento do prédio.

Enfim... Entre mortos e feridos todos se salvaram, enquanto que, por longos e longos meses, ainda se escutariam pelas esquinas da cidade, comentários de mais uma das conhecidas façanhas pitombenses. 

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : acervo do autor    

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

CASOS CASA(RÕES) & detalhes misteriosos


QUEM CONHECE ALGUMA HISTÓRIA SOBRE ESSA CASA AÍ ???

CASARÃO DA SEMANA PASSADA: A casa da Tia Vina, na Rua Nazareth, publicada a pedido do leitor Sebastião Cristino, causou alguns questionamentos.

Rosimeire Rocha perguntou: "caramba, como essa casa foi parar aí?". Fátima Furtado, Catarina Oliveira, Marcelo Oliveira e Lucilene A. C. Paulo também a reconheceram, e a Silvana Mesquita Bertolini Penchel, filha do saudoso Gilson Bertolini e vizinha, comentou:"era aí que eu sempre tomava café com rosca doce, comia canjiquinha com costela, tudo feito com muito carinho pela Tia Vina (Minervina Alves), agora é só saudade".

O "solicitante" da foto, Sebastião Cristino, lembrou: "o Francisco Cristino, meu tio, gostava de comprar coisas antigas, máquinas, saudades dele e da tia..."

Foto: Serjão Missiaggia.

CASOS CASAS & mistério ???


ATENÇÃO, GUITARRISTAS! ONDE FICA ESSE JARDIM ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA: Podemos afirmar que, na semana passada, defendemos um pênalty, isso porque o Maninho Sanábio, pela primeira vez, errou uma.  No entanto, para defender o time das leitoras, algumas reconheceram aquela rua do lado da Fábrica Santa Marta, na parte de cima do Center Modas: Rita Gouvêa Knop, Cristina Bedendo e Angélica Girardi.

Foto: Serjão Missiaggia.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

ESPERAR UM POUCO MENOS AMAR UM POUCO MAIS


Coloquei o aforismo acima, entreouvido numa aula de Filosofia, em minha linha do tempo do Facebook e, mais tarde, fiquei pensando exatamente o que será que o autor, o filósofo existencialista francês Comte-Sponville quis dizer.

Desde o grupo escolar, instituição hoje conhecida como ensino fundamental, somos ensinados, treinados e até mesmo coagidos a cultivar a esperança. As coisas não vão bem? (e já não iam naquele tempo). Então o negócio é ter esperança! Vocês são o futuro do Brasil!

E deu no que deu: fizemos essa lambança toda e ficamos o tempo inteiro falando que “no meu tempo é que era bom”. E novamente ligamos a seta verde da esperança e dizemos que os nossos filhos e netos são a nossa maior esperança.

E fica parecendo que a esperança vai acabar com o ódio, com a impunidade, com a corrupção, tirar o Botafogo da segunda divisão, e outras causas impossíveis. A verdade é que fomos educados para não mergulhar na felicidade quando ela aparece. Isso é coisa de meninos levados e meninas assanhadas, que só pensam em satisfazer os seus instintos, diziam.

Assim, se passava um prato de beijinho de coco, ou mais tarde, uma promessa de beijinho na boca, orgulhávamos em deixar aquilo passar para ser usufruído depois, depois dos dentes permanentes, da formatura, do vestibular, ou, possivelmente, após o Juízo Final, já que éramos tidos como “os sem juízo”.

Dessa forma, de bobeira em bobeira, de vacilo em vacilo, acostumamo-nos a ter esperança. Lá NO FUTURO, no qual a gente nunca chegava, poderíamos fazer tudo, se é que alguém pode algum dia fazer tudo.

Mas, o que NINGUÉM nos contou, e que a gente descobre depois que a esperança se transforma em arrependimento, é que a ESPERANÇA, essa coisa bonitinha que a TV Globo cola no peito das crianças anualmente, NÃO traz felicidade. O quê? Esperança não traz felicidade? Não. A esperança é uma coisa que pode ser que aconteça num possível futuro.

Então, na verdade, o que é que a esperança traz? E só agorinha mesmo descobri: ANGÚSTIA. E isso porque, como a esperança pode ou não acontecer, ela traz junto com a ela o MEDO de que aquilo com o que sonhamos não aconteça.

Portanto, minha gente, entre o beijo do anão Dunga, ali na beiradinha da cama, e o do Príncipe Encantado que pode ou não chegar, prefiram o beijo do anão (para aquelas pessoas que gostam de príncipes). Para os que gostam de princesas, saibam que, melhor do que esperar A bela adormecida, melhor ir praticando o beijo com as não tão belas acordadas.

Se a tristeza vier, chorem. Depois esqueçam, ou não. Mas, se vier a felicidade, então mergulhem. E, principalmente, fujam da tal Esperança, porque, se é verdade que ela é a última que morre, significa que vocês vão morrer primeiro.

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Belles Angel, disponível em http://bellesangel.deviantart.com/gallery/?catpath=%2F&q=snow+white+dopey  

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

FAZENDO ARTE&FATO


Ao deparar com essa preciosidade de foto no face de nosso querido amigo e irmão Pitombenses Suveleno, não tive como me conter e deixar de lembrar e narrar mais uma vez este fato histórico que aconteceu por volta de 1973. Foi exatamente esse lugar o escolhido para teste de nosso primeiro protótipo de uma inocente bombinha, ou seja, na antiga oficina Transtec que, na época, funcionava bem ao lado da entrada de sua casa, beirando o córrego.

Essa primeira versão foi projetada pra ser uma bomba de médio efeito caseiro, detonação partida elétrica 110volts, na característica solo. Sua potência seria de três MEGAMELODIAS, que na escala Pitombense, corresponderia a três MEGATONS.

Combinamos na ocasião que a detonação seria num domingo qualquer, precisamente às 18h03min. Pra variar, no dia do primeiro teste não houve quórum, sendo que quase todos sumiram naquele dia, sobrando a bananosa apenas para Silvio Heleno, Renatinho e eu, na missão científica de ver e sentir o que a danada da XB3/4 VERSÃO 01 SOLO seria capaz.

Um de meus irmãos, que vinha acompanhando indiscretamente essa nossa loucura, um tanto ressabiado e não acreditando muito em nossa capacidade, ficava a dizer que, de bombas ele entendia e que, juntamente com um de nossos primos, havia feito muitas na adolescência.

Naquele dia fatídico, enquanto terminávamos os últimos detalhes da construção e já nos preparávamos para a contagem regressiva, quase aconteceu uma tragédia. Suveleno, para meu espanto, após esticar o fio de detonação até a escada da oficina, colocou aquela bendita coisa bem na porta de entrada (vide foto).


 Nessa hora, tenso e assustado, perguntei:
- Suveleno! Eu num entendo muito bem de bombas, mas você não acha que esta coisa, posicionada aí, principalmente, de portas abertas, não dará retorno? Ou seja, não estará muito perto da gente?!
Suveleno, simplesmente responde:
- Tudo tranqüilo, Serjão!  É só fazer a contagem regressiva, tapar os ouvidos, apertar o botão e entregar para Deus!

Foi aí que, sentindo que ele, na empolgação, estava meio cego para perigo, procurei tomar frente à situação. Pedi que colocasse o ARTEFATO para o lado de fora, fechasse um pouco mais a porta, e deixasse pelo menos uma janela aberta. Seguro morreu de velho e para nossa sorte, assim foi feito.

Começamos então a escutar a contagem regressiva, que já previamente gravada, seguia sentido 20 para zero. Quando apertamos o botão, a única coisa de que me lembro, é de ter ficado completamente surdo, meio zonzo e cego. Envoltos numa fumaceira danada, só sentíamos que começava a chegar gente de tudo enquanto é lado. Alguém gritou lá fora: Tão pondo fogo casa do Anjinho!

Acredite quem quiser, mas a pressão do impacto foi tão grande, que a porta da oficina chegou a arriar pros lados após se partir em duas, ao passo que, no momento da explosão, surgia na parede uma rachadura de quase 2 metros de comprimento e pedaços do telhado subiam rumo ignorado, despencava alto-falante pra tudo enquanto é lado.  

Nesse momento, passageiros das 18h00, que estavam saindo da antiga rodoviária com destino a Juiz de Fora, segundo informações, saltaram do ônibus assustados e, enquanto alguns corriam desorientados sem saber o que estava acontecendo, outros ficavam a olhar abobados para o lado da oficina. Enquanto isso, em meio à confusão e envoltos naquela fumaceira, fomos saindo um a um lá de dentro, tossindo uma enormidade e como se nada tivesse acontecido.

Já do lado de fora, aquele meu irmão que dizia entender de bombas encontrava-se extremamente apavorado. Aguardava-nos ansiosamente, para batermos o quanto antes em retirada, pois havia comentários de que algumas pessoas já teriam dado queixa na delegacia.

E se eu disser que essa primeira versão, se comparado às outras duas, não teria passado de um inocente estalinho, acreditariam?

Enfim, por via das dúvidas “Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”. Palavra de Serjão, num tempo em que “ficar bombadão” era quase destruir a Praça Floriano Peixoto.

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : Facebook do Sílvio Heleno Picorone

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

CASOS CASA(RÕES) & seus detalhes misteriosos


QUEM CONHECE ALGUMA HISTÓRIA SOBRE ESSE CASARÃO AÍ ???

CASARÃO DA SEMANA PASSADA - A casa no morro do Hospital publicada na semana passada foi logo reconhecida por Marcelo Oliveira que disse que ela está localizada ao lado da casa do pastor Antônio José.

Segundo o Walter Badaró, é a casa da Dona Iolanda e do Sr. Rubens, que era taxista, e parava o seu veículo - um Fiat 147 - na sombra de uma árvore que ficava em frente. Era o bastante para que os meninos, ele inclusive, fossem apertar a buzina do carro que, na época e como todos os automóveis em São João, podia ficar aberto sem sofrer nenhuma ameaça (a não ser de alguns pestinhas).

Foto: Serjão Missiaggia. 


CASOS CASAS & mistério ???


ONDE FICA ESSA RUA EM SÃO JOÃO NEPOMUCENO ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Aline Costa, Maninho Sanábio, Marcelo Oliveira, Rita Gouvêa Knop e Nei Ângelo Furtado Moura reconheceram a foto tirada da entrada do Center Modas em direção à Praça Daniel Sarmento.

Foto: Serjão Missiaggia

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

FORMAS (INEVITÁVEIS) DE MUDAR O MUNDO


Às vezes, temos muito presente em nós essa sensação de que temos uma missão a cumprir, e, assim que o tempo vai passando, começamos a nos questionar se, afinal de contas, vamos passar nossa vida “em branco”.

O que não nos damos conta é que estamos, o tempo TODO, modificando o mundo ao nosso redor e, em contrapartida, o mundo também nos modifica o tempo todo.

Alguns dirão: Ah, mas eu pensei que somente as pessoas importantes modificavam o mundo, tipo o Luther King, o Gandhi ou a Madre Teresa de Calcutá. E, por conseguinte, também o Hitler, o Herodes e o Pinochet, por exemplo, no outro lado.

Então, é bom saber uma coisa: a pessoa mais importante do mundo é você mesmo! E isso não por orgulho ou egoísmo, mas sim pelo fato de que toda a valorização, para o lado positivo ou negativo, do mundo, se dá segundo a nossa percepção. Eu coloquei do “lado negro” ali em cima um general chileno, mas poderia ter colocado qualquer um dos nossos generais da época do golpe militar. No entanto, o que foi um mal, na MINHA percepção, ou seja, aquilo que gerou em MIM um afeto negativo, foi aplaudido, reverenciado e exortado numa manifestação popular em São Paulo há umas três semanas.

Política à parte, o que se percebe é que, queiramos ou não, estamos o tempo inteiro mudando e sendo mudados pelo mundo. Mesmo aquele que diz: vou para uma praia deserta, passarei a minha vida apenas admirando o mar, ainda assim irá, talvez, produzir atrás de si uma duna. Poderão, no futuro, organizar expedições turísticas à Duna do Alienado.

O fato é que a vida está aí e, enquanto estamos elucubrando a melhor forma de vivê-la (segundo não sei quê padrão de perfeição), ela (a vida) vai nos comendo pelas beiradinhas igual sopa, enquanto esfriamos. Alguém pergunta: então, não há esperança? Digo que não, porque viver a vida na esperança de dias melhores significa também viver a vida com temor de dias piores.

Assim, desesperados, porém aliviados da missão de ter que fazer algo, só vivemos. E, na leveza do vento que venta sempre da mesma forma, aprendemos a perceber o que nos desacostumamos de observar: árvores, pássaros, corpos atraentes, luz natural. E, mais do que modificar, acabamos por criar um mundo novo: o nosso mundo!

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Jan_Clickr, disponível em https://www.flickr.com/photos/studiojan/

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

PROPAGANDA ENGANOSA


Ainda antes de terminarmos com esta seção sobre “meninices”, não tive como deixar de lembrar outro fato interessante que aconteceu ali no inesquecível BECO (Rua Carlos Augusto da Veiga), conhecido ainda hoje como o Beco do amigo Arruda.

E foi justamente no terreiro de sua casa que um episódio, um tanto dantesco, veio acontecer.

Tudo começou logo após acabarmos de assistir àquele desenho animado do Popeye e irmos brincar no terreiro. Éramos três, e, como não poderia deixar de ser, incorporar o velho marinheiro Popeye e suas aventuras era o grande barato do momento.

Foi quando, de cima de uma goiabeira, pude perceber que um de meus coleguinhas, ao se aproximar do canteiro da dona Terezinha, começou a comer desvairadamente uma quantidade enorme de folhinhas de espinafre. Acredito que a intenção era ver “in loco” o efeito mágico daquela hortaliça.

Naquele momento, outro amiguinho, após atravessar a cerca de bambu que limitava com o terreiro de sua casa, apareceu carregando uma enorme e resistente corda bacalhau.  Em seguida, aquele que estava comendo o espinafre, abraçou-se ao tronco de um pé de manga e, com imponência e ares de super- herói, disse para aquele que chegou carregando a corda:
- Agora pode me amarrar!  

E foi o que aconteceu, ou seja, enquanto nosso projeto de Popeye ainda comia as últimas folhas que havia carregado no bolso, várias voltas com aquela resistente corda eram dadas em seu corpo. Como toque final, um baita nó cego.

Bem... as primeiras tentativas em vão de se escapulir dali já anunciavam que algo de muito errado deveria haver com o espinafre da dona Terezinha, ou, na pior das hipóteses, que a quantidade ingerida não teria sido suficiente. Arranques pra cá, solavancos pra lá, e vários vermelhidões pelo corpo já começavam a trazer certo desespero ao heróico prisioneiro.

O espinafre não fazia efeito e muito menos a corda se afrouxava. Arrebentar então, nem pensar!

Como a coisa não se manifestava, o nosso maldoso, porém bem intencionado Brutus, simplesmente atravessou a cerca e foi embora. Alguns tímidos pedidos de socorro já começavam a ecoar debaixo da velha mangueira naquela tarde noite de domingo. 

Como eu já imaginava que sair dali seria apenas uma questão de tempo, ou não, me despedi e cacei também o rumo de casa. Enganei-me redondamente, pois, somente no outro dia, é que ficaria sabendo que o nosso jovem Popeye teria sido encontrado quase duas horas depois.

Detalhe:  amarrado, apavorado e com um monte de folhas de espinafre ainda  no bolso.

Crônica e foto: Serjão Missiaggia.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

CASOS CASA(RÔES) & seus detalhes misteriosos


QUEM CONHECE ALGUMA HISTÓRIA SOBRE ESSE CASARÃO ???

CASARÃO DA SEMANA PASSADA - Dona Reneé Cruz, uma das "doutoras" em São João Nepomuceno, já resumiu o casarão da semana passada: "antigamente era a casa do sr. Gastão Ladeira, na esquina da subida do Largo indo pra Rua Nova".

O Luiz Carlos Moura (Bonzão) lembrou que o Elir, filho do sr. Gastão, ficava o dia inteiro na varanda ali naquela esquina das ruas Péricles de Mendonça e Joaquim Murtinho.

A Sônia Maria Barbosa Mendonça e o Marcelo Oliveira lembraram-se de outro detalhe: as flores de tecido que a Dona Menininha, esposa do sr. Gastão fazia divinamente. A Sônia também faz questão de lembrar do querido amigo Paulo Ladeira, o Bete que, por sua vez, é lembrado pelo Jorge Marin como seu "irmão de armas", o 31.

Foto: Serjão Missiaggia.

CASOS CASAS & mistério


QUE LUGAR MARAVILHOSO É ESSE EM SÃO JOÃO ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Maninho Sanábio e Marcelo Oliveira foram os únicos que conseguiram identificar aquela foto emblemática tirada na Praça Carlos Alves. O Maninho ainda deu a descrição que nem o fotógrafo se lembrava: "a foto foi tirada lá da ponta da praça, perto do antigo Hibisco". Segundo o Marcelo, aquela é a casa da Dona Verinha cabeleireira, ao lado da delegacia civil.

Foto: Serjão Missiaggia.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

QUANDO A VIDA NÃO ERA COMPLICADA


Costumo dizer que a “nossa” geração (referindo-me aqui aos nascidos entre 1955 e 1969 mais ou menos) tem passado muitos apertos. Antes disso, a vida era bem menos complicada, pois, a exemplo dos seres ditos naturais, as pessoas faziam exatamente aquilo que delas se esperava: assim a totalidade das respostas para os problemas da vida encontrava-se em algum manual de conduta, seja a Bíblia, ou a tradição familiar, chegando até os regulamentos escolares e, após 1964, aos preceitos da Educação Moral e Cívica.

Não digo que era melhor ou pior, mas, com certeza, era mais fácil. Entre as dúvidas cruéis que hoje assolam os nossos filhos, como, por exemplo, a escolha da profissão, “naquele” tempo era tranquilo: se a pessoa era muito rica ou muito pobre, certamente seguiria a profissão do pai. Explico: filho de médico, por exemplo, ainda hoje tida como uma profissão rentável, certamente iria seguir os passos do pai e se tornar médico. Por outro lado, um filho de pedreiro que, antigamente, era uma profissão humilde, dificilmente chegaria a completar o quarto ano de grupo e seguiria os passos do pai.

No campo amoroso, então, era tudo muito fácil: moças se casavam virgens (conceito pouco compreendido por pessoas nascidas depois de 1980 – vide Google) com rapazes bem intencionados que, jovens, queriam prosperar em seus empregos estáveis e, pasmem, constituir família!

De repente, fruto da “decadência dos costumes” como dizem uns, ou pela morte de Deus decretada por Nietzsche pouco antes de surtar de vez, o fato é que, de uma hora para outra, passamos a ter que “nos virar”. Havia um programa na TV Tupi que chamava Papai Sabe Tudo, mas a televisão parou de exibi-lo e, jovens, achávamos que os velhos não sabiam mesmo de nada.

O problema é que o tempo passou, nossos velhos se foram, tornamo-nos céticos demais para aceitar velhos manuais, ou orgulhosos demais para reconhecer certas sabedorias familiares. E o que nos restou? Angústia!

Adaptando um pouco o pensamento do filósofo Schopenhauer que era uma espécie de doutor em angústia, podemos afirmar que nossa vida é um filme de aventuras onde a gente morre no fim, ou um filme de comédia em que morremos no fim, ou um romance em que morremos no fim, ou mesmo um filme cerebral sueco em que também morremos no fim. A boa notícia é que, atualmente, podemos dirigir esse filme. A má notícia é que as cenas não podem ser refilmadas.

Assim, cadáveres adiados que procriam, como nos definia Fernando Pessoa, vamos seguindo em frente. Talvez a nossa grande descoberta hoje seja a de que podemos, sem manuais ou, pior, com milhões deles, cometer os mesmos erros que nossos pais cometeram, ou erros diferentes, e até mesmo alguns acertos.

Escrevendo esta crônica, recebo um e-mail do compadre Serjão dizendo que um sabiá laranjeira fez o ninho em seu pé de caqui. O sabiá não erra, pensei, e o caqui continua vermelho como sempre.

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Mah Nava, disponível em https://www.flickr.com/photos/14302299@N05/6918454908/

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

CASOS DE ASSOMBRAÇÃO


Ainda pegando uma carona nos causos de criança, numa dessas noites de setembro, enquanto da varanda de minha casa observava o bailar das folhas ao vento rolando pela rua, fiquei a lembrar de quando, reunidos com a turminha na calçada e sentados geralmente debaixo de um daqueles postes de ferro da antiga Companhia Força e Luz com suas lâmpadas incandescentes que nem tanto clareavam, ficávamos brincando de contar casos de assombração ali no Beco do Arruda. E isso, muitas vezes, esticava até um pouco mais tarde da noite, sendo que, naquela época, o horário de 22 horas era a nossa referência de tarde da noite.

Época da chegada das primeiras televisões em algumas casas da vizinhança, fazendo com que, geralmente no horário da novela, o local já se transformasse numa pequena cidade fantasma, onde pessoas desapareciam como passe de mágica e automóvel somente vez ou outra.

Pés descalços, quase sempre sem camisas e de olhos arregalados, ali ficávamos horas e horas escutando os mais variados e arrepiantes casos. Entre eles o do Lobisomem, Almas Penadas, Saci-Pererê, Caveiras do Cemitério e outros. Confesso que esta tal de MULA SEM CABEÇA é que me tirava do sério, principalmente quando cada qual tomava o rumo de casa, e eu teria que ir embora sozinho.  Nessa hora, simplesmente fechava os olhos e, saindo em disparada pelo centro da rua, iria abri-los somente quando entrasse em casa.                                                                             

Confesso que passar próximas àquelas sinistras bananeiras do terreiro do Nico Ferreira, com suas imensas e assustadoras folhas balançando sobre a cerca de bambu e caídas para lado do Beco, não era fácil não. Ainda pior eram minhas imaginárias alternativas de conseguir escapar de uma possível emboscada da tal mula ali na travessia da pequenina ponte que existia sobre o Stidum.

Enquanto isso, naquelas ruas ainda sem calçamento, os estranhos redemoinhos de poeiras ficavam a dançar ao vento, servindo de coadjuvantes, num pueril e imaginoso cenário de terror.

Um bom banho, e, após assistir o anuncio da TV alertando aos pais que o horário não era permitido para menores de 12 anos, ia dormir feliz da vida, pois, afinal de contas, tínhamos certeza de que no outro dia, é claro, depois da lição de casa, tudo novamente começaria.

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : Parlim, disponível em http://parlim.blogspot.com.br/2009_10_01_archive.html .

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CASOS CASA(RÕES) & seus detalhes misteriosos


QUEM SE LEMBRA DE ALGUM DETALHE DESSE CASARÃO ???

CASARÃO DA SEMANA PASSADA - A casa da Pracinha do Coronel publicada na semana passada foi logo reconhecida pelo Marcelo Oliveira que afirmou ser a casa do Dr. Moysés. O Luiz Carlos Moura disse que, antigamente, essa casa pertenceu ao Dr. Brás e depois ao Adil. A Paulette Marie Strogoff Barroso disse, que, só de ver o portão e o jardim, matou a charada de que a casa é a da Marlene.

Mas foi o Finéias Rodrigues quem fez uma proposta digna de registro. Segundo ele, "a praça do Coronel, com seu conjunto arquitetônico, Trombeteiros, Força e Luz, Democráticos, casas adjacentes ainda restantes, e seu calçamento, é digna de ser preservada como um patrimônio para as futuras gerações".

Foto: Serjão Missiaggia

CASOS CASAS & mistério


QUE LUGAR É ESSE EM SÃO JOÃO ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Juliana Lanini, Marcelo Oliveira, Paulette Marie Strogoff Barroso e o Maninho Sanábio reconheceram a casa do saudoso Dr. Írio Vieira Lima.

Foto: Serjão Missiaggia

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

JÁ NÃO SE FAZEM MAIS HISTÓRIAS DO BRASIL COMO ANTIGAMENTE


Estava tomando o ponto do meu filho hoje de manhã. Aliás, “tomar o ponto” já dá bem a dimensão da idade do tomador de ponto. O assunto, fascinante (eca!), era o papel dos escravos nas lavouras de café no Brasil do século XVIII. Como era matéria de uma prova do quarto ano primário (hoje ensino fundamental), pensei: ah, é moleza, e comecei a questionar o moleque.

Começamos pela Lei Eusébio de Queirós e eu pedi para explicar a importância da lei (que proibiu o tráfico de escravos no Brasil). Meu filho foi taxativo: a lei foi só pra inglês ver. Como assim, questionei: a lei proibiu o tráfico de escravos no Brasil. E ele, da imponência dos seus nove anos, confirmou: foi pra inglês ver mesmo, pois na época das leis a Marinha Inglesa estava atacando todos os navios negreiros que passassem pela frente. Então, pai, não foi esse Eusébio aí que proibiu, foi a Inglaterra.

Conferindo no livro que ele estava certo, pigarreei e passei para a Lei do Ventre Livre. Que maravilha, falei, essa foi boa, pois libertou todos os filhos de escravos. Meu filho corrigiu: é, mas só depois dos 21 anos, o que quer dizer que os caras teriam que trabalhar até 1892. Isso me causou uma profunda tristeza pois me lembro que, no primeiro ano do ginásio, fiz uma redação rasgando elogios ao Visconde do Rio Branco.

Caçando nos cantinhos da memória alguma outra lei, me lembrei daquela dos Sexagenários e pedi que ele falasse dessa lei. Foi uma lei que também não serviu pra nada, pai. Você imagina que, depois de trabalhar igual animal a vida inteira, poderia existir algum escravo vivo com mais de 65 anos?

Não sei o que me causou mais revolta: eu ter acreditado que todas essas leis eram bacanas, ou o fato do meu filho, no quarto ano, ser mais esperto do que eu. Ferido em meu orgulho de sabichão, perguntei: já que você sabe tudo, por que é que a Inglaterra resolveu detonar todos os navios negreiros? Ele olhou pra mim e falou: discuti isso com os meus colegas (foi um trabalho de equipe que a professora deu) e a conclusão que chegamos foi que não foi por pena dos africanos porque os ingleses não tinham pena de ninguém. E você, pai, sabe por quê?

Engraçado que eu também não sabia. Olhamos juntos no Google e descobrimos que o real motivo foi a concorrência no preço do açúcar, que os britânicos também exportavam. Não falei? – disse ele.

Meu Deus, criei um monstro, pensei. Ou pior, um sociólogo.

Texto: Jorge Marin

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL