sexta-feira, 29 de março de 2013

O ÚLTIMO DOS MÓI & CANO: 2- C.S.I. (Casa do Serjão Invadida)



Tá legal, tenho que admitir: quando a gente recebe visitas, principalmente aquelas indesejadas e invasivas, ficamos sempre um pouco paranoicos quanto à repetição do fato.  Depois que tudo passa, a gente percebe que alguns sinais, aparentemente imperceptíveis, podem servir de sinal, ou pistas, ou indícios.

Por isso, após acurado exame naqueles pequenos objetos que descrevemos aqui na semana passada, montamos toda uma estratégia preventiva.  Como primeira medida, esvaziamos o armário inteiro e, mesmo examinando cada centímetro do lugar, nada de relevante foi encontrado. O mistério continuava e nossa paciência ia aos poucos sendo minada. Após ficarmos uma manhã somente por conta disso, resolvemos descansar, deixando pro outro dia o recomeço da busca.

Já na manhã seguinte, continuamos nossa caçada e, sem nada encontrar, começamos a chegar à feliz conclusão de que tudo aquilo poderia ser fruto de nossa imaginação.  Mas, ainda antes de resolvermos dar por encerrada aquela missão, alguém teve a “infeliz” ideia de retirar todas as gavetas do referido armário para que um exame mais minucioso ainda pudesse ser feito. E assim, uma a uma, cuidadosamente foram sendo por mim retiradas. Eram quatro no total e até a terceira nada de novo. Até que, de repente, após retirar a última delas... MENINOS, EU VI! MENINOS, EU VI!

Muitíssima calma nesta hora seria necessária, mas só sei que cada um correu para um lado.  De minha parte, além de subir na janela, nenhuma outra reação digna de comentário veio a acontecer.  A esposa subiu no primeiro banco que encontrou, enquanto o filhão nessa hora ainda dormia.  Nosso amigo invasor deve ter se assustado tanto conosco, que desapareceu e sumiu de vez. Chegamos até a pensar novamente que poderia ter sido um terrível engano e que estaríamos vendo coisas.  Porém, o futuro ainda nos reservaria algumas terríveis surpresas. (continua)

Crônica: Serjão Missiaggia

quarta-feira, 27 de março de 2013

PARECE QUE FOI ONTEM...



Outro dia mesmo, estávamos indo para o Democráticos ensaiar: a peça teatral (A Bruxinha que era Boa de Maria Clara Machado) iria estrear e o nosso diretor – Fernando Leiva – estava ansioso. 

Era costume, na época, fazermos comentários sobre a política e cumpríamos aquele ritual: o que será que o Presidente Médici iria falar à nação no próximo dia 31?  Será que o Delfim Neto (Ministro da Fazenda) vai se dar bem em Washington?  E o Allende, vai divulgar o seu gabinete no Chile?  E o Perón?  Apesar de tudo, a grande notícia, divulgada com estardalhaço pelo Jornal Nacional, tinha sido o nascimento do segundo filho do jogador Rivelino.

Bellini, nosso sonoplasta (êta palavra bonita), rodava umas fitas cassete do Focus e do Quinteto Violado, separando faixas que seriam usadas na peça.  Recusava-se a entrar no assunto, segundo ele muito chato.  O que eu queria mesmo é poder ir no show do James Brown em São Paulo! – dizia.

Será que éramos ingênuos?  Ou aqueles tempos é que eram ingênuos?  Vendo tudo aquilo, de hoje, é como se vivêssemos uma vida em preto e branco, silenciosa, romântica e estranhamente ordeira.

As meninas chegaram (as bruxas), ensaiamos, rimos muito e corremos pra casa: era dia da entrega do Oscar e não queríamos perder nenhum detalhe.  Na entrega do prêmio de melhor ator, duas surpresas: primeira, o prêmio foi para Marlon Brando pela atuação no Poderoso Chefão.  Bom, isso não foi exatamente uma surpresa, pois Marlon Brando sempre foi magnífico.  A surpresa mesmo foi quando, ao invés do ator, entrou no palco uma índia chamada Pena Pequena e... recusou o Oscar em nome do premiado.

Intelectuais e revolucionários, ainda vibraríamos pela entrega de melhor filme estrangeiro a Luis Buñuel por O Discreto Charme da Burguesia.

Depois dormimos em paz.  O ar era limpo, o céu estava próximo.  Dali a alguns minutos, o calendário iria mudar para 28 de março de 1973, uma quarta-feira...

Crônica: Jorge Marin
Foto: Cartaz da peça 

segunda-feira, 25 de março de 2013

CASOS CASAS & detalhes




Recebi este e-mail de uma leitora e não tive como deixar de atendê-la:

Jorge,

Eu gostaria imensamente de receber umas fotos de São João só para eu curtir, sem discursos, nem histórias, nem recomendações.  Queria poder contemplar as igrejas e poder fechar os olhos e ouvir os sinos tocando,  Queria sentir a chuvinha fina caindo e refrescando aquele calorão que há muito tempo não sinto mais.  Eu queria tanto ouvir aqueles violões na praça, aquela algazarra na descida do Ginásio, o burburinho da Rua do Sarmento.
Posta pra mim... em silêncio... que eu quero não raciocinar... só sentir uma saudade mais colorida.
Abração!

Fotos: Serjão Missiaggia
Silêncio: Jorge Marin

sexta-feira, 22 de março de 2013

O ÚLTIMO DOS MÓI & CANO: 1 - Evidências



Num desses dias chuvosos, uma constatação sombria nos atingiu como um RAIO!

Objetos minúsculos e semi-ovalados em cima do fogão prenunciavam que tínhamos uma VISITA inesperada.  E era só o que nos faltava!  Mas, será mesmo? Como? Afinal de contas, a última vez em que vimos algo parecido já faz mais ou menos uns vinte anos.

-Pega a lupa na oficina e vamos examinar isso aí com mais clareza!  Dessa forma me dirigi ao filhão que rapidamente, e devido à gravidade da suspeita, obedeceu prontamente. Minha esposa, inconformada, e já um tanto assustada, somente dizia que nem queria pensar naquela possibilidade e, talvez em circunstância de traumas passados, foi de imediato batendo em retirada. Para a segurança de todos, preferiu não dizer para onde estava indo.

E assim, com o auxílio de uma lanterna e de lupa em punho, começamos a fazer uma análise minuciosa daqueles estranhos objetos. Mexe daqui, cheira dali, aperta com pedaço de fósforo e nada!  Não sei se por medo do óbvio ou mesmo por falta de provas contundentes, após meia hora de exaustivo debate e considerações, sem chegar a nenhuma conclusão, demos o caso por encerrado.

Não mais nos lembrávamos do episodio até que... Dois dias depois, minha esposa, ainda sob efeito de calmantes, ao abrir o armário que fica debaixo da pia, reparou que o rótulo da lata de óleo estava totalmente DESCOLADO da embalagem e estranhamente manuseado. E ali estava: aquela que seria a segunda e talvez a mais conclusiva das pistas!

Desta vez, sem o auxílio da lanterna e da lupa, recolhemos o que havia sobrado do rótulo e começamos de imediato a chegar a algumas conclusões. A primeira delas e, por sinal, MAIS IMPORTANTE, seria a de que teríamos mesmo que começar a perder o medo do óbvio e a encarar a situação com frieza e realismo.  O fato de estar havendo uma construção ao lado veio a fechar, de vez, o nosso diagnóstico e colocar a peça que faltava no nosso literal e exaustivo quebra-cabeça.

Porém, ainda precisávamos de provas reais e ainda mais convincentes, ou seja, a certeza visual do CRIME e, principalmente, daquele que seria o CRIMINOSO.  Motivos estes mais do que suficientes para que um novo mutirão em família fosse novamente articulado.

Tudo em nome da preservação e proteção deste lugar tão importante e inviolável chamado LAR. Muita calma nessa hora seria fundamental, e assim, após as tarefas serem divididas e compromissos assumidos, fomos à luta. 
(continua)

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto:  Oniromancien, disponível em: http://browse.deviantart.com/art/Noir-212717310 .

quarta-feira, 20 de março de 2013

O SEGREDO DA FELICIDADE



“Todos os seres desejam ser felizes e evitar os sofrimentos”, diz o Dalai Lama.

Indo, de manhã cedo, para a padaria, encontro um conhecido executivo: em trajes de jogging, vem caminhando, de forma saudável, pela manhã de um aparente outono.  De repente, toca um celular, e o atleta tira do short o inseparável aparelho e começa um ruidoso bate-papo.  Como estamos indo em direções contrárias, a última coisa que escuto é uma frase assim: “olha, se ele não mandar a TED, eu não vou poder encaminhar o pedido”...

Logo em frente, no passeio ao lado de uma loja de vestidos de noiva, dois homens dormem tranquilamente em caixas de papelão.  Um deles levanta a cabeça: “quantas horas, chefe?”.  Respondo que são oito horas e ele diz para o outro: “ainda é muito cedo”, e vira para o canto para continuar seu sono.

É compreensível que qualquer pessoa, a essa altura da postagem, iria imaginar que eu direi que aqueles dois mendigos sem-teto são felizes e que o executivo que atendeu o celular, não.

ERRADO!  Eu jamais faria apologia da miséria, ou da riqueza, como sinônimos de felicidade.  Entendo que a felicidade vem de dentro pra fora, enquanto essas materialidades que, faço questão de dizer, são ÓTIMAS, fazem o caminho inverso.

Mas, afinal de contas, o que é essa tal FELICIDADE?  Se eu casasse com a filha da minha lavadeira, diz Fernando Pessoa, talvez fosse feliz.  Se não casasse, talvez também fosse.  O fato é que ESTABELECER CONDIÇÕES para ser feliz, do tipo, quando eu ganhar na mega-sena, ou quando eu for nomeado diretor, ou quando eu casar com a Gisele, são, certamente, uma GARANTIA segura de infelicidade.

E por quê?  Primeiramente, para pegar o exemplo da Gisele, duas coisas vão acontecer: ou eu não vou casar NUNCA com a Gisele; e aí vou ser INFELIZ.  Ou eu vou casar com a Gisele mas, com menos de uma semana, vou descobrir que a Gisele não é NADA daquilo que eu imaginava; e aí vou ser INFELIZ.

Então, amigos, vamos recapitular que o Dalai Lama afirma que TODOS os seres desejam ser felizes.  No entanto, DESEJO em si não garante NADA!  O desejo de felicidade é uma referência, uma motivação para viver a vida, um convite à sabedoria.  Uma certeza de que multiplicar a felicidade, esta sim, pode ser uma meta de vida.

Por outro lado, sonhar com coisas que não desejamos ou, pior, obter coisas que desejamos baseados em estímulos externos, é transformar a felicidade em hipocrisia.  É falhar como pessoa e mentir para o espelho.

Crônica: Jorge Marin
Foto: Rebecca A. Jones, disponível em http://browse.deviantart.com/art/happy-55911204 .

segunda-feira, 18 de março de 2013

CASOS CASAS & detalhes




Quando tinha 32 anos, o pintor Claude Monet revolucionou a arte, pintando um quadro que se tornaria o ponto de partida do Movimento Impressionista: "Impressão - Nascer do Sol".

Isso significa que, há 140 anos atrás, uma pessoa (genial) percebeu que o realismo nada significa em face das IMPRESSÕES que as paisagens causavam nas pessoas: a luz, as cores e até mesmo o clima.  Não é preciso nem dizer que os jovens da época seguiram o pintor parisiense pelos arredores da cidade com um único objetivo: tentar reproduzir na tela as emoções suscitadas pelas impressões causadas pela paisagem.

Nos dias atuais, parece que o realismo existe apenas nas telas dos computadores e, como não se "usa" mais fazer isso, ou por pura preguiça, perdemos a chance de nos IMPRESSIONARMOS com a beleza da própria cidade onde moramos.

As fotos de São João acima foram tiradas do São José retratando a Montanha da Torre, da Igreja do Rosário retratando o Largo da Matriz e uma panorâmica da cidade fotografada do Santo Antônio.

Fotos: Serjão Missiaggia
Texto: Jorge Marin

sexta-feira, 15 de março de 2013

O SALTO DO OZIRES - V - FINAL



É... foi muito triste aquele momento.  Tinha absoluta certeza de que o reinado do Ozires nas piscinas sanjoanenses havia chegado ao fim.

Fim? Que fim que nada!

Quando menos esperávamos, eis que de repente, ELE reaparece e, surgindo do nada e passando pela nossa mesa igual a um RELÂMPAGO, foi em direção à piscina como um verdadeiro kamicase.

Numa incrível velocidade, esgueirando-se por entre pessoas e mesas até, triunfalmente, subir numa das bases de mergulho, e arremessar-se a uma altura de dar inveja a muito super- herói.  Um verdadeiro quebra pescoço, tal o grau de dificuldade!

Seu corpo quase pairando no ar, incrivelmente esguio à frente, num estilo todo inovador, parecia depositar num simples salto, toda reputação de NÚMERO UM do pedaço.

Acredito que esse mergulho estaria sendo guardado sob sete chaves, esperando somente o melhor momento para ser colocado em prática.

Na verdade, poucas pessoas presenciaram seu belo salto, mas o estrondo de sua queda na água foi tão grande, que assustou a todos que lá estavam.

Após reemergir das profundezas, ficou andando pela piscina e olhando a todos  em sua volta. E, desta forma, permaneceu por longo tempo, ou seja, com aquele ar de VITÓRIA e dever cumprido.

Imagino que poderia estar vivendo naquele momento a ilusão de estar ganhando nota máxima ou, simplesmente, uma calorosa salva de palmas, em reverência ao melhor de todos.

Mas... Que o salto foi bonito, isso foi!
        
Enfim, lá se vai, mais um dia de clube.

Como se não bastasse, no momento em que estávamos indo embora, ao olharmos para trás, lá estava ele sozinho dentro d’água, boiando no meio exato da piscina. Na verdade parecia estar querendo dizer a todos AQUI O REI SOU EU!  Pior que ainda ficava com as mãos na nuca como a que a descansar numa bela e aconchegante cama com seu travesseiro!
               
Na realidade, fico de certa forma a admirá-lo, pois, justamente por ignorar o que os outros irão pensar de si, o nosso eterno campeão vive a vida de forma plena, natural e egoísta, como um garotinho... birrento!

Bem ou mal, verdade seja dita: A PISCINA SEM O OZIRES NÃO SERIA A MESMA!

Crônica: Serjão Missiaggia

quarta-feira, 13 de março de 2013

O HOMEM QUE DESface-SE NO AR



Falava da conversa fiada.  E em como, de repente, um assunto idiota, sem brilho, sem lastro e sem beira nenhuma, encorpava-se e facebookava-se como facebookam-se os cães, as orações e os torsos nus dos adolescentes.

Naquela confusão de fotos e memes, parecia que havia conteúdo, mas eram apenas películas, calígulas e gárgulas com finalidade específica de vender algum tipo de prazer massificado.

O homem ficou em frente ao monitor, parado, envelhecido.  Assim, do nada, a trepadeira de um vaso próximo teimou (atraveu-se?) a ir subindo pelo corpo já alienado pelos byte-mes frenéticos.  Tentava mover a ponta do dedo em direção a um antigo mouse analógico, mas tudo que conseguia era um suspiro.

Aquilo que fora outrora uma pessoa já não ousava pensar.  Alienara-se no conforto fraterno das correntes utilitárias, mergulhara sem “esc” em scripts previsíveis.  Autodeletara-se de uma realidade incompreensível em off.

Tinha pensamentos coloridos de uma banda de rock, de uma mulher de véu e de um natal feliz, mas já não conseguia distinguir se eram memórias randômicas ou pop-ups recorrentes.  Na tela azulada, nada era diferente: a sucessão de formas obedecia a padrões intencionais de simulacros de beleza.

De pronto, um relâmpago deve ter acontecido lá fora: a luz apagou, o mouse caiu e partiu-se ao meio.  Num último esforço, o homem ergueu-se com dificuldade, saiu arrastando os vegetais, chegou à janela, abriu-a depois de anos de reclusão e, sem pensar, pulou...

Ventava muito.  Era o décimo andar e ainda chovia bastante.

Conto curto: Jorge Marin

segunda-feira, 11 de março de 2013

CASOS CASAS & detalhes (NOVOS OLHARES)



Continuando nosso passeio pelas montanhas e pelos morros da cidade, paisagem que está ali mesmo, todo dia, mas que pouca gente para pra olhar: hoje mais uma foto das montanhas dos Núcleos, fotografadas de frente da Igreja Matriz.
A segunda foto, tirada de um prédio do centro da cidade, mostra um casarão da subida do Largo da Matriz, tendo ao fundo a montanha que fica atrás do Parque de Exposições.  Há uns quarenta anos, mais ou menos, subimos, eu e o Serjão, aquela elevação e, na época, escrevi:
eu me ocultei da chuva
que há pouco caía
mas acabei ficando
para contemplar o arco-íris
                         que apagou
ouço os barulhos da cidade
limpo os óculos
com meu lenço amarelo
e os sinos soam com força:
aí a fossa...

Fotos: Serjão Missiaggia
Texto e poesia: Jorge Marin

sexta-feira, 8 de março de 2013

O SALTO DO OZIRES - IV



Vira e mexe, alguém me para na rua e pergunta: “e o Ozires?”.  Dou um sorriso e continuo caminhando, mas confesso não entender o que é que esse cara, a princípio detestável, causa na gente, que faz eu escrever sobre ele e vocês lerem...
Na semana passada, um moço novo apareceu lá... na piscina.   Após vários e belos mergulhos, o referido nadador começou a despertar a atenção de todos que lá estavam.  Com Ozires não seria diferente, ainda mais que vários fatores agravantes se acumulavam: era um domingo, verão, férias e casa lotada.
Eu nesse momento, conversando numa mesa com alguns colegas, comecei a monitorar e a observar a impaciência que irradiava o semblante do Ozires.  Parecia uma Maria Fumaça: andando de um lado ao outro, fumando sem parar, talvez pressentisse que o seu reinado estaria indo embora, ou seja, indo literalmente, “por água abaixo”.
Caminhando para o nosso lado e passando pensativo pela nossa mesa, foi em direção ao portão de saída.
Nesse momento, juros que tive a (falsa) impressão de que ele havia mesmo jogado a toalha e que estaria, indo embora... 
Mas... Ainda não seria daquela vez que o Ozires entregaria o bastão.
Assim, antes que passasse pela portaria, deu uma RÁPIDA MEIA-VOLTA e ficou à distância observando tudo. De braços cruzados, encostado em uma pilastra, encarava e analisava nos seus mínimos detalhes tudo que estava acontecendo na piscina.  Foi aí que senti que alguma coisa estranha estaria para acontecer ao Ozires. 
Lembram-se do João do Pulo, quando se concentrava, naquele vai e vem de corpo, para dar o salto triplo?  Pois bem, era assim que ele permaneceu por vários minutos!  O que virá a seguir, meu Deus?
Aí aconteceu uma coisa esquisita comigo: bateu, de repente, uma tristeza e, então, comecei a sentir PENA do Ozires, pois parecia que estava realmente se conformando e compreendendo, que poderia estar no fim seu reinado.
Foi quando aconteceu o impensável...  Leiam na próxima semana o final (profundo) desta história.
Crônica: Serjão “Phelps” Missiaggia

quarta-feira, 6 de março de 2013

PROCURA-SE HOMEM



Nos tempos do Ginásio do Sôbi, havia um texto que líamos no primeiro ano, com a Dona Glorinha Torres e que nos fazia rir muito.  Ela, toda enérgica e enfática, lia, nos ensinando a entonação e as pausas: “Apaguem a lanterna de Diógenes, achei um homem!”
Imaginem essa frase numa sala com um bando de marmanjos repetentes e buscando qualquer motivo para rir.  Cessadas as risadas, ela nos olhava com a cara mais séria do mundo e dizia: “gente, isso é uma coisa muito séria”.

Quarenta e cinco anos depois, consigo ter a real dimensão do que queria dizer a nossa pequena-grande mestra.  O mundo se tornou um emaranhado de nações, tribos, coligações e multifamílias, mas aquela ideia do filósofo grego de sair, ao sol do meio-dia, procurando um HOMEM com uma lanterna me parece atualíssima e, para falar a verdade, impossível.

Uai, pergunta o leitor, então você próprio não se considera um homem de bem como buscava o tal filósofo cínico?  Pois é, por mais que eu tente, não consigo (por uma questão de sobrevivência?), ter uma estatura ética igual, por exemplo, à do “seu” Irênio.  Lembro-me das reuniões dos vicentinos: ali, com suas roupas simples, posturas humildes, sentavam-se alguns dos homens cuja conduta pessoal, seriedade e espiritualidade, eu JAMAIS veria em nenhum local que eu frequentei no futuro.

Além do meu pai, havia outros que caberiam nos critérios de Diógenes dos quais outros dois eu faço questão de citar: o meu padrinho Manoel Florindo, escudeiro do Padre Trajano, e o sr. João Mariano de Lucas.  Esses homens habitam o meu imaginário com a certeza de que é possível ser humilde como no evangelho de Mateus, sem ser o inocente útil da cartilha marxista.

De volta ao século XXI, deparo-me com o conclave que deverá escolher o futuro papa, ou o “vigário de Cristo” como dizia o Papa João XXIII.  Os cardeais não estão nem conseguindo marcar a data do início da tal reunião, face às profundas divergências entre as diversas correntes ideológicas ou, como afirma Carlos Heitor Cony, na Folha de São Paulo, face à “perda de fiéis, escândalos sexuais e financeiros”?

De uma forma ou de outra, naquela tarde de 1968, após a aula, descemos em algazarra e, em frente ao Trombeteiros, onde nos dispersávamos, rolou uma briga.  No meio do bate-boca, o Luiz Carlos Bertolini, o saudoso Mosquinha, perguntou para um de nossos colegas:
- “Você não é homem não, rapaz?”
A resposta ecoa até hoje nos meus ouvidos, e acho que vai até Roma:
- “Igual ao que a Dona Glorinha e aquele amigo dela queriam, vai ser muito difícil!”

Crônica: Jorge Marin
Foto: disponível em http://4.bp.blogspot.com/_WSUPOijGr6g/TTcALFtSKnI/AAAAAAAACdA/RgftC1iko3g/s1600/Diogenes_looking_for_a_man_-_attributed_to_JHW_Tischbein.jpg 

segunda-feira, 4 de março de 2013

CASOS CASAS & detalhes




Quando publicamos, na semana passada, algumas paisagens de São João, através de uma visão do Santo Antônio, não pensávamos que esses passeios mexeriam tanto com o imaginário das pessoas: recebemos depoimentos, causos e histórias engraçadas de passeios pelos morros, inclusive de outras cidades.  Ao contrário do que imaginávamos, o olhar mineiro continua bem vivo, e bem atento às paisagens, ao mesmo tempo exuberantes e singelas, que só nós temos.
A primeira das fotos é um foto-espelho, ou reversa: focalizamos tanto nossa Igreja Matriz, mas aqui, estamos mostrando, A PARTIR da igreja, a visão da Montanha dos Núcleos.
Na segunda foto, a mesma montanha é focalizada, porém a partir de um local muito conhecido de todos nós: a escada do Ginásio do Sôbi.
Finalmente, a última foto mostra uma paisagem do Largo da Matriz, tendo a Montanha da Torre ao fundo, vista a partir da Santa Rita (lembram-se quando íamos rezar da Igrejinha de Santa Rita às quintas-feiras?).

Fotos: Serjão Missiaggia
Texto: Jorge Marin

sexta-feira, 1 de março de 2013

O SALTO DO OZIRES - III



E o Ozires em?   Quem diria, caiu nas graças dos leitores.  Na semana passada, após publicarmos o psicodiagnóstico da figura e, ao mesmo tempo, concluir que se tratava de um caso CLÁSSICO de babaquice, recebemos alguns e-mails de pessoas solidárias ao Ozires, uns afirmando que aquela era a sua característica, outros pedindo o nome completo dele para patrocinar uma ação contra o Blog e até uma senhora que perguntou se tínhamos o celular da “fera”.
O fato é que não vamos divulgar os dados completos do Ozires.  Já pensaram se, além de REI DA PISCINA, ele se tornar REI DA INTERNET?  REI DO FACE?  De cara, teríamos que mudar o nome do blog para OZIRES.
Definitivamente, não!  Mas, vamos voltar aos fatos.
Como não tinha visto que eu nadava com a prancha, o Príncipe Submarino da Rua do Sarmento voou como um raio e, apagando o inseparável cigarro, mergulhou feito louco na piscina tentando atravessá-la debaixo d’água.  Como aquela cabecinha chata não reaparecia, fiquei tomado de pavor.  Teria ele afogado ao tentar repetir o meu feito?
Comecei a suar frio, sentir palpitações até que... lá no finalzinho da piscina, uma mão trêmula surgiu... 
E não é que o danado havia conseguido!
Mas... verdade seja dita, se a piscina tivesse mais dez centímetros, ele morreria afogado.
Dava pena, vê-lo. E como buscava ar! Ao colocar a cabeça fora d’água, se agarrou a borda da piscina e ficava bufando atrás de mim como quem, de uma hora para outra, pedira socorro.
Enquanto isso, fingindo nada perceber, fui falar com ele e, um tanto preocupado, perguntei:
- E aí Ozires! Ta tudo bem? 
- Agente faz o que pode... Né? - respondeu ele, quase me abraçando de tão cansado.
Comecei, nesse exato momento, literalmente, a me afogar numa vaga sensação de sentimentos.  Teria sido eu, o culpado de tanto e inútil sacrifício?
E se o homem desse um troço?! Afinal de contas, Ozires também envelhece e, já beirando 60 anos, não poderia ser mais o mesmo.
Dias depois, um rapaz jovem e forte chegou na piscina.  Mas essa já é outra história.  Aguardem... (senão o Ozires acaba afogando!)
Crônica: Serjão (“Cielo”) Missiaggia
Foto: Olly Clapp, disponível em http://browse.deviantart.com/art/Learning-To-Dive-93925457 .         

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL