segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

CASOS CASAS & detalhes





VERMELHO E VERDE É A NOSSA BANDEIRA...  Qual sanjoanense não conhece, ou não cantou esse hino?  Sinônimo de Carnaval, o Trombeteiros é mais do que um clube: é uma emoção.  Sabe quando alguém fala "alegria" e você, mesmo sem ver, já sabe o que é?  Pois falar TROMBETEIROS é a mesma coisa: é um sentimento de alegria, euforia, saudade e paz.  Chamado de "Novo" pois sucedeu, em 1923, o extinto Clube Carnavalesco Trombeteiros de Momo, o atual excelso, gigante e altaneiro completará, no próximo dia 21 de janeiro, NOVENTA ANOS de existência.  Sem esquecer que o Ninho da Águia, na subidinha para o Hospital, é um dos cartões postais da cidade, e um dos maiores exemplos de conjugação de casa, casos & detalhes.  Glórias e aplausos! 
E UM FELIZ 2013 A TODOS!!!

Fotos: Serjão Missiaggia
Texto: Jorge Marin

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

NOSSA ARCA DE NOÉ 3


ANTERIORMENTE, em Nossa Arca de Noé: estávamos na intimidade do nosso sacrossanto leito nupcial, quando, do nada, isto é, do nada não, especificamente de debaixo da cama, pulou uma criatura enlouquecida: aparentemente um gato com claustrofobia.  Para salvar a integridade de minha família, tive a brilhante ideia de erguer um lençol branco que me colocasse bem acima da estatura do indigitado felino.  Deduzi que, se não o espantasse, pelo menos, ao impor respeito, ele não me arranharia.
Só não imaginava, jamais, que aquele lençol branco, tipo fantasma, iria assustá-lo tanto.  E O BICHO VEIO, DIRETO, PRA CIMA DE MIM!
Só deu prá sentir a ventania quando, bem debaixo de minhas pernas, ele passou como relâmpago!
Enquanto o bichano descarregou toda sua energia de propulsão em direção ao meu quarto, instintivamente, num ato de puro reflexo, fui com tudo tentando pular pra dentro do banheiro. Minha querida esposa, com muita sensibilidade e iniciativa, já antecipando a manobra do adversário, e a minha também, procurou entrar bem antes do que eu. PORÉM, sem prévio aviso, ainda trancou a fechadura por dentro.  Aí eu não tive outro jeito a não ser “sentar” a testa na porta. E com lençol e tudo! Uma imperdoável falha de comunicação que, no clímax da batalha, quase que acabou com a porta. E com minha cabeça também!  O casamento, no entanto, permaneceu e permanece intacto, graças a Deus.
Enquanto isso, o coitado, sentindo a pressão psicológica de minha fantasmagórica perseguição, pulou mais que depressa pra cima do meu guarda-roupa.
Enrolado em uma toalha, que acabara de levar consigo ao saltar próximo ao cabide, não parava de arranhar tudo que via em sua frente. Imaginem um ET depois de tomar uma caixa de fluoxetina com cachaça... é por aí.
Aí, após respirar profundamente e analisar estrategicamente o posicionamento tático deste pequeno parente da onça, não tive alternativa e, mesmo contra vontade, tive que fazer uso de meu famoso PLANO B: minha mais poderosa e infalível arma secreta. Ou seja: ACIONAR DONA ANASTÁCIA! Aquela que todos já conhecem: Nossa guardiã das causas peçonhentas e afanosas.
Aí meu amigo, tivemos que mostrar com altivez, quem manda mesmo no pedaço. Mais importante do que saber se você é um homem ou um rato, é ter certeza de que você É O DONO DA GATA. Por isso, tive o cuidado de trancá-la dentro do quarto com a fera e tudo. Segurança nessas horas seria fundamental!
Mas, verdade seja dita: mesmo em momentos tão anômalos como este, jamais abandonaria minha consciência ecológica e meu amor pelos animais, mesmo ao fazer uso de minha tão temível arma. Na realidade, tinha plena convicção de que o nosso intruso é que iria dar de goleada.  E foi o que aconteceu, ou seja, de tanta confusão, pulou a janela e se mandou.
E não é que, mesmo após vê-lo escapar ainda ficaríamos escutando o barulho dentro do quarto? Minha arma secreta estava tão empolgada que nem havia percebido que ele já havia fugido há tempos. Custei ainda um bom tempo para DESARMAR minha arma ecológica.
SEMANA QUE VEM tem O Camalligator e as Lepdópteras Bundudas. AGUARDEM.

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto: Zoran Milutinovic, disponível em http://www.deviantart.com/#/d5poix1 .

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O PAPAI NOEL DA TIPOGRAFIA


Passeando com a patroa (lembram do termo?) no dia 23 pelas ruas de Juiz de Fora só para curtir...  Presentes já comprados, filho na casa da madrinha, vamos nos conceder o direito de sentar na praça, comer um cachorro-quente, conversar com os vizinhos e poder criticar a decoração das lojas.
Ledo engano.  (Aqui, vamos abrir um parêntese: esta palavra “ledo”, embora denunciadora de idade, também é bem legal!).  Como dizia, ledo engano, pois, na praça, nas lojas, em frente às casas e no bairro todo, reina o caos: carros de som executando o último funk.  Não é que eu não goste de funk; na verdade, eu odeio funk! Além da “música” alta, motoristas e motoqueiros discutem e chamam para a briga: “desce aqui, se você for mulher!”.  Sim, amigos, na verdade são duas moças ameaçando fazer aquilo que, antigamente, nós, moços, chamávamos de “cair na porrada”.  Nas lojas, filas e reclamações, assim como nos restaurantes e nas lanchonetes.  Pedimos ao Tio para embalar nossos hot-dogs e vamos pra casa.  Lá, pelo menos, podemos lanchar ao som do Credence...
Fico pensando: faço “de um tudo”, como diziam nossos pais, para não ser saudosista.  Acho que a memória é uma das piores fontes de infelicidade.  E explico: ou nos lembramos de coisas muito boas que já acabaram, ou nos lembramos de coisas que deixamos de fazer, e que, às vezes, ainda pensamos que são boas, mas não há como fazê-las porque não somos mais quem éramos, e nem as coisas são como eram.
Mas, nestes dias de Natal, uma daquelas coisas não me sai da cabeça: o PAPAI NOEL DA TIPOGRAFIA!  Minha primeira vez com o Papai Noel foi na Tipografia e acho que, admirando aquela figura meio mágica meio santa, atrás do vidro e sempre se movimentando em algum brinquedo, foi que aprendi a ARTE DE FANTASIAR.  Coincidentemente, minha mulher vem correndo me mostrar uma frase do Niemeyer: “a gente precisa sentir que a vida é importante, que é preciso haver fantasia para poder viver um pouco melhor”.
Será que minha vida tem sido  melhor por causa do Papai Noel da Tipografia? – penso.  Sem cair no sofisma saudosista, o que posso afirmar, com certeza, é que tínhamos uns natais fantásticos: simples, até pobres.  Mas o nível de fantasia era imenso! Descíamos e subíamos a Rua do Sarmento, dávamos uma olhada naquele forte apache exposto na Casa Leite, víamos as pessoas passarem tranquilas, meninos vendiam picolé Sibéria, mas o melhor estava por vir: como estaria o Papai Noel da Tipografia?  Às vezes, pedalando uma bicicleta, outras balançando numa cadeira, com um olhar distante...
Será que ele leu minha carta? – perguntávamos.  E, na manhã do dia 25 de dezembro, procurávamos, entre os presentes, que não eram muitos, um vestígio daquela figura que só conhecíamos de nome, e da vitrine da Tipografia.  E, naquela paz, éramos felizes, muito felizes...

Crônica: Jorge Marin
Foto: Facebook do amigo Everson Rezende

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

CASOS CASAS & detalhes

























Dias atrás fui perguntado pelo parceiro Jorge Marin se havia preparado algo pro Natal. Respondi que não, e que ficasse a vontade pra escrever alguma coisa em nome do BLOG.   Coincidentemente, logo após este contato, fui surpreendido, quando um amigo vizinho, pessoa esta que exerce sua profissão próxima a minha casa, me chamou pra fazer um pedido. Um tanto apreensivo, respondi que se fosse algo que estivesse ao meu alcance o faria com prazer. Então, o negocio é o seguinte! Assim começou ele:
- Darei de presente, neste Natal, uma cesta básica a um gari que, apesar de toda dificuldade de sua profissão, vem diariamente aqui em meu estabelecimento e, de maneira bastante alegre e solícita, recolhe minha cestinha de lixo. Continuando, pediu-me pra escrever um pequeno texto. Alegou que não teria muito jeito pra essas coisas e que depois transcreveria para um cartão. O que mais chamou minha atenção foi sua preocupação para que eu pudesse achar algumas palavras ou frases que exaltassem tão nobre e digno trabalho. Deixou claro, que se tratava de uma pessoa muito humilde, dedicada e feliz.
Assim, de maneira muito simples e dentro de minhas possibilidades, atendi seu desejo.
Agora, diante deste fato, gostaria de me dirigir a essa pessoa que me fez tal pedido. Dizer a ela que este é o VERDADEIRO ESPÍRITO DE NATAL e que é na simplicidade e na nobreza desse seu gesto, tão carregado de sentimentos e totalmente desprovido de interesses, que se encontra a presença viva e verdadeira de JESUS, MARIA e JOSÉ.  
Que a MAGIA DO NATAL seja eterna!

Fotos e texto: Serjão Missiaggia

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

NOSSA ARCA DE NOÉ 2


E NÃO É QUE O MUNDO ACABOU NÃO ACABANDO?... Toda essa conversa em torno da NOSSA ARCA e o mundo... nada!  Não se fazem mais apocalipses como antigamente.  De qualquer maneira, vamos continuar falando sobre os nossos colegas de arca, os bichos.
O que vocês acham de uma perereca (não é aquela de Pequerí!) que cismou em ficar abraçada na cúpula do abajur do nosso quarto?
Foi um Deus nos acuda mas, graças à minha saudosa mãe, tive meu galho quebrado, ou seja, após capturá-la com o auxilio de uma toalha, jogou-a na rua. Pobrezinha! Da perereca, claro!

Uma vez prendi Dona Anastácia, nossa gata irritada (será que gata tem TPM?) num dos quartos da casa, na companhia de um simpático camundongo.
Foi cacetada pra todo lado. Dava pena vê-lo encurralado à mercê da Anastácia.  Seria melhor, tê-lo deixado ir embora ou mesmo ter passado despercebido. Mas o que fazer?... Certamente, Deus lhe deu um bom lugar!

O pior mesmo foi a história do GATO GATUNO, um felino que, misteriosamente, apareceu de madrugada dentro de casa. Até hoje não sei por onde entrou, mas, que estava bastante agressivo e assustado, isso estava!  
Minha filha entrou em pânico e, aos gritos, ficava a nos chamar.
Meu filho, vendo toda aquela confusão, trancou-se dentro do quarto e não queria nem saber o acontecia do lado de fora.
Minha esposa, não menos apavorada, na tentativa de poder abrir a porta, pulou para o terreiro e, passando pela janela, sem mesmo saltar, foi tentando abrir a porta pelo lado de fora. O negócio era facilitar e achar de qualquer jeito um lugar de escape para o bichano se mandar.
Eu, de imediato, não tendo o que fazer, me agarrei a um lençol branco e, após colocá-lo sobre a cabeça, comecei a caminhar lentamente para o lado do bichano. Acreditava, sinceramente, que minha ideia “genial” poderia dar certo. Puro engano, pois este pequeno erro de estratégia quase veio colocar em risco toda a família. Vejam o que ocorreu:
Enquanto a adrenalina corria nas veias, ou melhor, debaixo do lençol, tive a infeliz ideia de levantar e abrir os braços em direção à “fera”.  Ouvira falar certa vez, que, no reino animal, o tamanho do adversário intimida o oponente. Confesso que, naquela altura do campeonato, nem havia percebido que ele JÁ era bem menor do que eu. 
Deduzi que: se não o espantasse, pelo menos, ao impor respeito, ele não me arranharia.
Só não imaginava, JAMAIS, que aquele lençol branco, tipo fantasma, iria assustá-lo tanto. Parti pra cima do gato, mas o gato-to-to, além de não morrer, PARTIU PRA CIMA DE MIM...
Leiam, na próxima semana, a TERRÍVEL batalha entre Serjão Assombração contra o Gato Gatuno Branco (de medo).

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto: disponível em http://mulheresindependentesecia.blogspot.com.br/2010_05_01_archive.html

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

DO MAL ATENDIMENTO E DO MAU ATENDENTE - 4


NA SEMANA PASSADA, deixei uma pergunta no ar: meu Deus, o que leva uma pessoa a sair de casa, ir trabalhar num lugar que não gosta, atender pessoas que odeia e, o pior de tudo, ainda achar que está certa?
O curioso disso tudo é que, ao que me parece, esse tipo de atendente já representa a maioria, desde as irritantes telefonistas de telemarketing, passando por médicos, aos quais dedicarei um capítulo especial e até mesmo prestadores de serviço autônomos como pedreiros e bombeiros.
Parece uma epidemia: as pessoas se comportam como robôs, programados unicamente para irritar os clientes.
Será que a idade que está me deixando ranzinza demais?
Só para vocês terem uma ideia: lembram daquela geladeira da qual falei no segundo post desta série?  Pois é: no décimo dia útil, liguei para a assistência técnica e me informaram que o gabinete novo chegou.  OBA OBA OBA OBA!!! – quase chorei no telefone.  Mas... – disse o atendente, com a voz meio embargada.
- Mas o quê? – perguntei, com o coração acelerado.
- Mas o gabinete que chegou está...
- ...
E a pessoa não falava:
- Pode falar – consolei o atendente – em termos de atendimento, acho que posso suportar tudo que vier.
Aí, ele falou bem baixinho:
- Desculpe, “seu” Jorge, mas o seu gabinete veio amassado e vamos ter que devolvê-lo para Curitiba e esperar um novo!
A partir daí, já iniciei uma “guerra” contra o fabricante: publiquei na Internet, no site Reclame Aqui, no Facebook e até para o padre eu fui reclamar.
E aí aconteceu uma coisa muito engraçada: A VINGANÇA.  Entrando numa loja de departamentos aqui perto de casa, com meu filho, percebemos que havia uma oferta de um kit com DVD e Blue-ray do filme “Os Vingadores” no valor de R$59,99, mas, entre todos, um com uma etiqueta vermelha informando: “oferta especial – R$14,99”. Consegui achar uma atendente e perguntei: poderia me informar o preço deste filme? A resposta não poderia ser mais clássica, “É O QUE ESTÁ ESCRITO AÍ, SENHOR!”
Corri ao caixa, onde uma moça me questionou:
- Senhor, logicamente um erro aconteceu aqui, pois um DVD mais um Blue-Ray JAMAIS poderiam custar, juntos, R$14,99.
E foi aí que me aconteceu uma coisa maravilhosa.  Assim como um dedicado discípulo consegue a iluminação, eu, de repente, INCORPOREI o discurso e a postura dos NOVOS ATENDENTES.  E respondi para a Caixa:
- Desculpe, senhora, mas o preço é o que está registrado aí na etiqueta.  Favor convocar a sua gerente para passar o cartão e liberar a compra, pois a fila está aumentando, senhora.
A gerente veio e perguntou, meio irritada: “o que está acontecendo?”.  E eu, no meu melhor sotaque de atendente:
- Libere por favor a venda, senhora, pois estou com pressa.
Vendo a minha postura robótica, a ansiosa senhora gerente passou o cartão, e eu LEVEI PRA CASA O KIT com um belo desconto!
Semana que vem, se consegui marcar consulta, vou falar dos médicos. Agora, vou esperar minha geladeira...

Crônica: Jorge Marin
Foto: disponível em http://aureliojornalismo.blogspot.com.br/2011/10/atendentes-de-telemarketing-relatam.html

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

CASOS CASAS & detalhes




















É a nossa Igreja Matriz!  Temos falado da beleza da paisagem, tecido comentários sobre a história, sobre os pais do município e sobre as famílias vizinhas.  No entanto, independente de crença ou qualquer tipo de convicção, olhar esse templo, imponente e, ao mesmo tempo, simples em sua arquitetura tradicional, ultrapassa os limites puramente religiosos e nos conduz a reflexões mais profundas e mais enigmáticas: será que essa igreja é um pouco do que fomos na infância e, de alguma forma, ficou esquecido em algum lugar onde tivemos que parecer insensíveis?  Será que se trata de um monumento inspirado por divindade a nos lembrar das instâncias superiores das quais andamos esquecidos?  Ou será que é só o que realmente é: uma construção maravilhosa entre nosso olho e o céu?

Fotos: Serjão Missiaggia
Texto: Jorge Marin

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

NOSSA ARCA DE NOÉ


Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração.
E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.
Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR. 

Alguns milhões de anos depois, dois beija-flores nos visitaram na hora do lanche.
Perdidos e assustados, passaram em voos rasantes enquanto tomávamos café.
De um lado ao outro, querendo achar a todo custo o caminho que os levariam de volta ao ninho, passavam sobre nossas cabeças, já quase chegando ao limite da exaustão. Mas enfim, com nossa ajuda, conseguiram sair pela janela em liberdade.

É interessante lembrar, mas tempos atrás, nessa mesma hora, éramos sempre surpreendidos pela chegada inesperada de um jovem pardal.
Apelidado carinhosamente de Pula-Pula, sempre surgia contrariando as normas que, a nosso ver, regeriam o mundo dessa espécie. Sempre saltitante, entrava mansamente pela porta da cozinha e chegava até nós parecendo um minúsculo canguru. Voar mesmo que era bom... Parecia que não era muito dessas coisas!
Como se não bastasse, ainda vinha até nossas mãos, para beliscar algumas migalhas. Por sinal, alguém já viu um PARDAL, arisco como é, fazer este tipo de coisa? Pula-Pula fazia!
Um belo dia, enquanto mais uma vez tomávamos café, com alguns pedaços de migalhas em nossas mãos, percebemos, infelizmente, que não mais viria.

Pelo menos, fizemos a nossa parte.  Afinal, como dizia Giovanni di Pietro di Bernardone: "todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem... Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida."
Interagir com os animais não parece mais ser a praia da maioria das pessoas.  Quando éramos crianças, era raro existir uma casa na rua sem, pelo menos, um cachorro, um gato e umas galinhas no quintal, às vezes até mesmo uns leitões.  Falei isso em casa e meu filho perguntou:
- Pai, o que que é quintal?
O pior é que foi difícil explicar.  Na semana que vem, continuo falando de bichos, uns bem estranhos como o gato gatuno.
Ah, o tal Giovanni é o São Francisco de Assis.  Gente boa.

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto: Robert Mynard, disponível em http://www.flickr.com/photos/34769370@N00/favorites/page4/?view=lg

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

DO MAL ATENDIMENTO E DO MAU ATENDENTE - 3



NA SEMANA PASSADA, às voltas com o mal atendimento da fabricante de minha frost free queimada, fiquei com um dilema: o que fazer com os alimentos que estavam no freezer, já que a peça faltante levaria dez dias (ÚTEIS, me explicaram esta semana na assistência técnica)?
Felizmente, nesses momentos de aperto, podemos contar sempre com a família.  Bastaram uns três telefonemas que, de repente, um grupo de parentes solícitos estavam batendo à minha porta, abnegados e dispostos a consumir toda aquela comida perecível.  E o fizeram com todo o entusiasmo e extrema rapidez...
Tentei retornar para concluir a postagem, mas os meus filhos me “convocam” para almoçar numa conhecida loja de fast food.  O menor quer os bonecos de um filme que vêm como brinde de um dos combos.  Para ajudá-lo, resolvo, eu também, comer um daqueles kits.  Pago normalmente no caixa e, ao solicitar os bonecos, a atendente, sonolenta, esclarece:
- Senhor, não tem mais o boneco do Jack, peça ao seu filho para escolher outro.
Tento argumentar que o tal Jack é o personagem principal do filme, mas ela reafirma que “não tem”.  Aí, resolvo me colocar na posição de consumidor (pois sou o consumidor!):
- Bom, se não tem o Jack (embora esteja anunciado na sua vitrine), quero que você cancele o meu lanche!
Naturalmente ela recusa, alegando que já registrou.  E é lógico que, com uma atendente ruim, tenho que ser mais incisivo:
- O motivo pelo qual eu resolvi comer essa porcaria é, unicamente, o tal boneco.  Se não tem, e já que uma coisa é vinculada à outra, também não quero mais o lanche!
A coisa esquenta e o gerente intervém.  Quando a atendente explica, ele faz uma afirmação fantástica:
- Mas está cheio de jacks lá no estoque.  E a atendente replica:
- É, mas aqui no balcão não tem nenhum.  Eu pergunto (imaginando que o tal estoque fica a uns dez quilômetros pelo menos):
- E onde é o estoque?
- É ali atrás. 
É logo atrás da divisória que separa a cozinha do balcão, cerca de TRÊS OU QUATRO METROS!!!
Aí, enquanto comia aquela gororoba, já que apareceram uns trocentos jacks, fiquei me perguntando: meu Deus, o que leva uma pessoa a sair de casa, ir trabalhar num lugar que não gosta, atender pessoas que odeia e, o pior de tudo, ainda achar que está certa?
(continua)

Crônica: Jorge Marin

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

CASOS CASAS & detalhes





 Temos falado muito aqui no Blog da Igreja Matriz e é inegável a sua importância como marco inicial de nossa cidade.  Mas hoje resolvemos ir na missa da outra igreja, a IGREJA DO ROSÁRIO.  Guardada pelo Cristo de braços abertos, ao lado do Hospital, a Igreja do Rosário, quem tem mais de 50 deve se lembrar, era a igreja do Padre Jacy, já que a Matriz era reservada para o Cônego Trajano Leal do Bonfim.  Ali eram rezadas as Missas das Crianças e realizadas as Primeiras Comunhões.  Para quem se mudou ou está ausente de São João há muito tempo, rever esse cenário é motivo de saudade, enlevo e paz.

Fotos: Serjão Missiaggia
Texto: Jorge Marin

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O PIJAMA DO TIZECA - FINAL



Uma das poucas coisas que faziam o Tizeca se levantar da varanda era quando a Tia Maria o requisitava para jogar uma partidinha de escopa.
Esse era outro momento superinteressante no qual também eu ficava a esperar.
Pra começo de conversa, tia Maria não ligava nem um pouco pra baralho. Enquanto ela jogava, queria mesmo é ficar de olho na novela. O jogo, para ela, seria um mero detalhe.
Ao contrário, para o Tizeca, o jogo era questão de vida ou morte!
Dessa forma, ele até que gostava que a tia Maria fosse assim, pois, estando ela distraída, o ajudava, e muito, a fazer uma escopa atrás da outra.
- E as cartas que apareciam debaixo de sua calça de pijama, quando se levantava pra ir ao banheiro? Se era proposital... não sei!!! Apenas me lembro de serem as mesmas e por sinal, as mais importantes (quatro de paus, sete de copas, ases de ouro) e eu ficava bem caladinho!!!
Pausa no jogo e... Tia Maria, de olho grudado na novela, nem percebia que o Tizeca, mais uma vez, dava uma fugidinha para ir ao banheiro.
Coincidência ou não, isto sempre acontecia quando o jogo começava a ficar esquisito para o seu lado.
Assim, arrastando aquele velho chinelo, saía em passos curtos, levando sempre alguma carta sinistra agarrada no pijama.
Ao voltar para a mesa, como se não bastasse, ao passar por detrás da Tia, ainda ficava a dar, discretamente, uma breve olhadinha no jogo dela. Só depois se sentava novamente pra prosseguir a roubalheira.
Cartas se misturavam sobre a mesa, juntamente com: fumo de rolo, papelotes de papel, xícaras de café, lenço, isqueiros e outras coisas mais. Era uma bagunça geral e que em nada atrapalhava. O negócio era fazer uma escopa atrás da outra e nisso o Tizeca era sem igual.
Às vezes, o jogo terminava e a tia Maria nem atinava. Quando olhava para a mesa é que percebia que, do lado do tio Zeca, brotava um monte imenso de escopas.
E a quantidade de cinzas que ficavam a se juntar em cima da mesa e de seu pijama?
Ele sempre teve a mania de jogar baralho, sem tirar, por um só minuto, o cigarrinho da boca. Depois, como se nada tivesse acontecido, simplesmente, dava uma discreta sopradinha, jogando aquele monte de cinzas no chão.
As cartas do baralho ficavam todas engomadas, devido às inúmeras lambidas que o Tizeca dava no dedo ao separá-las.  Isto acontecia sempre nos momentos de recontagem dos pontos ou na hora de novamente dar as cartas.
Época de muito frio, a casa toda fechada nos envolvia no aconchego e na fumaça do cigarrinho de palha.
Dona Filomena, de olhos fixos na novela e fazendo seu interminável crochê, procurava se alienar de tudo e de todos, sempre embevecida numa eterna concentração.
Tudo era muito divertido, até que, infelizmente, o sono começava a bater mais forte.
Enquanto o relógio CUCO ficava a nos mostrar que já eram quase onze da noite, lá fora, dona Venina começava fazer as primeiras chamadas.
É hora de ir pra casa, pois amanhã cedinho haverá escola e logo logo estarei de volta...
- À benção TIzeca... À benção tia Maria...  Até amanhã Dona Filomena!

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto: Igorka7, disponível em http://browse.deviantart.com/photography/?q=old+man#/dq3y0c

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

DO MAL ATENDIMENTO E DO MAU ATENDENTE - 2



NA SEMANA PASSADA, eu perguntei se poderia existir uma fórmula pela qual a pessoa que te ATENDE sinta algum tipo de proximidade com você.
Ao preparar esta segunda postagem, minha esposa me diz que a geladeira (uma frost free adquirida há cinco meses) queimou.  Felizmente, há uma assistência técnica autorizada na cidade a qual acionamos em ritmo de urgência: eles marcam para o dia seguinte de manhã.
No dia seguinte, ao meio-dia, nada do técnico.  Reclamamos na assistência, a atendente diz que “vai estar acionando” eles, seja lá o que for esse tempo verbal.
Lá pelas duas da tarde chegam os dois técnicos.  O atendimento é decepcionante.  Ao invés de procurar o defeito, iniciam um questionário tentando buscar um possível erro na operação da geladeira.  Por fim, explico, meio em tom de brincadeira (mas já meio revoltado) que, se eu soubesse do que se tratava, nem teria incomodado os dois naquele dia tão quente.  A essa altura, vocês já imaginam o que aconteceu com tudo o que estava no freezer!
Resolvem, finalmente, procurar os defeitos, tiram as prateleiras e começam a desparafusar quando, de repente, param assustados, e um diz:
- Infelizmente, senhor, tenho uma má notícia: o gabinete de sua geladeira está vazando!  Isso é muito grave.
Respondo que o gabinete da Dilma também está vazando, e nem por isso o país parou.  Ele pergunta: de quem?  E eu resumo: em quanto tempo vocês arrumam isso?  Ele prossegue:
- O senhor não está entendendo (lógico que não estou entendendo, penso, pois não ensinaram sobre refrigeradores na faculdade), mas o gabinete vazar é o mesmo que rodar com um carro com o chassi quebrado.
Repito a pergunta: em quanto tempo vocês arrumam?
E o outro técnico quase me chama a atenção:
- Estou vendo que o senhor não entendeu mesmo: primeiro, precisamos pedir à fábrica da geladeira, que fica lá em Curitiba (repete: lá em Curitiba), para mandar um novo gabinete, pois, desta aqui só vamos aproveitar o motor e as portas.  SE tiver (confesso que esse SE me preocupou), vai levar uns DEZ DIAS só para o gabinete chegar aqui.
Fico pensando: será que o gabinete vem de carona?  Quando o primeiro técnico acrescenta:
- Uns dez dias MAIS OU MENOS, porque, por causa do Natal, pode demorar bem mais!  E tem mais: quando chegar, vamos mandar um técnico trazer aqui e deve levar, só para montar tudo de novo, umas quatro horas.  O senhor providencie uma pessoa para ficar à nossa disposição.
- Bom, mas isso SE vier, não é? – pergunto.
E eles me tranquilizam:
- Ah, mas fique calmo, senhor, porque DEVE vir sim.
Fiquei pensando ainda uma coisa que não perguntei com medo de (mais) uma má resposta: e onde coloco todas aquelas coisas que estavam no freezer?
Mas confesso que, face ao nível de atendimento prestado, fiquei constrangido, e temeroso, em perguntar.
Na próxima semana, DEVO continuar o assunto, MAIS OU MENOS por volta de quarta-feira...

Crônica: Jorge Marin
Foto: Kyle O Street, disponível em http://browse.deviantart.com/photography/?q=missing+refrigerator#/d2f097j

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

CASOS CASAS & detalhes



Hoje não temos pretensões históricas... apenas um passeio pelas imediações da antiga sede do Operário Futebol Clube.  Aqui nesses salões teve início, MESMO, o Grupo Pitomba.  Antes, só se realizavam ensaios e preparativos na Oficina do Sílvio Heleno.  Mas, no Operário, a coisa acontecia, rolava a "baruiada" e as pessoas na rua até se assustavam.  Foi uma época em que estávamos em total pé de igualdade com os Beatles: enquanto eles não tinham nada exceto o Cavern Club, nós também nada tínhamos exceto o querido Operário.
Não podemos esquecer também do Cine Rádio.  Os primeiros filmes que assisti na minha vida foram nesse cinema: Ben Hur, com Charlton Heston, e La Violetera, com Sarita Montiel.  No domingo, depois da missa, vínhamos passeando para ver o que ia passar na matinê: era um filme do Mazzaropi no Cine Brasil, e Spartacus aqui no Cine Rádio.
Os imponentes casarões vizinhos também são do tempo em que, na construção dos telhados, havia a beira e também a eira, origem da expressão "sem eira nem beira" usada para descrever pessoas sem posses.
Ver essas construções é viajar no tempo sem pagar passagem: é pegar carona na memória...

Fotos: Serjão Missiaggia
Texto: Jorge Marin  


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O PIJAMA DO TIZECA - III



NA SEMANA PASSADA, não sei se vocês se lembram, o Tizeca se preparava para fazer um ritual dos mais inesquecíveis: O SEU CIGARRIN DE PAIA!
Esse era um momento mágico. Uma autêntica obra-prima que sempre aguardávamos. Somente o Tizeca sabia fazê-lo e era sem igual.
Assim, toda vez que levava a mão, vagarosamente, ao bolso esquerdo, eu já sabia que era chegada a hora que tanto esperava.
Dele, retirava, primeiramente, o rolo ou o saquinho de fumo já preparado. 
A seguir, após pegar os papelotes, começava então, carinhosamente, a fazer a montagem.
Com um canivete mais cego que tudo, num balançar incansável e hipnótico de pernas, levava, no mínimo, meia hora, até que raspasse o suficiente de que precisava.
Como sempre, uma metade do fumo se espalhava pelo chão, outra metade caía no seu colo e somente o que sobrava realmente iria para o papel.
E para separar um papelote do outro? Não havia saliva que bastasse!!!
Ficava a molhar o dedo na boca, pelo menos umas vinte vezes, até que, por fim, um deles se soltava.
E que tamanha calma para enrolar o cigarrinho!  Esse era um momento quase litúrgico, durante o qual dava tempo até pra se contar alguns CAUSOS. Mas... Tempo, isso é o que não faltava ao Tizeca!!!
No acabamento, uma sutil lambida fazia unir as partes para, assim, prenunciar o tão esperado e perigoso momento.
Levando a mão, vagarosamente, do bolso direito puxava um pequeno isqueiro, que mais parecia um lampião.
E prá fazer aquele artefato do século dezenove funcionar? Só com muita coragem e paciência!!!
Mas, enfim, com os devidos cuidados, após tombar a cabeça de lado, atiçava aquele labaredão de fogo no papel.
O cigarro, mais parecendo um jornal em chamas, começava a se incendiar, deixando a varanda toda enfumaçada.
Enquanto isto: conversa ia... conversa voltava e... o cigarro na boca, já todo molhado, logo se apagaria e era esquecido.
NA PRÓXIMA SEMANA, no último capítulo, preparem-se para o JOGO DE ESCOPA!  Eu já estou com o Sete Belo na mão.  Aguardem...

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto: Razvan & Alexandra, disponível em http://browse.deviantart.com/photography/?q=old+man+cigarette&offset=168#/d2jt6j6

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

BLACK FRIDAY: DO MAL ATENDIMENTO E DO MAU ATENDENTE



A Black Friday chegou para mim ontem: eu não tinha entendido bem o que era mas, de uma hora pra outra, minha TV queimou, fui até a cozinha e descobri que a geladeira e o freezer não estavam gelando.  Subi para postar no blog e... as lâmpadas da minha estação de trabalho estavam queimadas, as duas!  Tocou o interfone e uma vizinha, irada, me disse que a fechadura do portão não estava abrindo.
Pensamentos se sucedem: então foi por isso que venderam tantos eletrodomésticos? Será que tem que ser assim?  Será que só acontece comigo?  Enquanto questiono, a vizinha toca, de novo, o interfone.  Mas, e o medo de cair da escada?  Para honrar aquele polpudo salário de síndico de quase cento e cinquenta reais, resolvo me arriscar.  Encosto na parede e, dez minutos depois, desço os três andares.
Não me assusta o fato de ter que comprar coisas novas, nem de ficar sem geladeira e freezer na véspera do Natal.  O QUE ME ASSUSTA DE VERDADE é só uma coisa: TER DE SER ATENDIDO PELO ATENDIMENTO AO CONSUMIDOR!  Meu Deus, melhor seria ter nascido na Idade Média, acho que suportaria o tal do Torquemada, mas aquela história de “disque 1 para isso, disque 2 para aquilo outro”, ou “um momento, senhor; obrigado por aguardar, senhor”, isso me mata.
Quem lê o Blog, sabe que não sou saudosista, mas, sou obrigado a dizer, antigamente havia uma coisa que, para mim, é o bem mais PRECIOSO que um consumidor, ou usuário do serviço pode ter, que é a PROXIMIDADE.  Hoje, para contestar um débito da minha operadora de telefone que, espertamente, permitiu que o meu smartphone se conectasse à vontade só para me cobrar uma tarifa maior, sou obrigado a ligar para algum lugar da Bahia, onde uma atendente sonolenta repete um script que beira à psicose.
Há não muito tempo, quando eu era menino em São João Nepomuceno, quem queria prestar algum serviço ou vender produtos, desde médicos até mercados, primeiramente, compravam um imóvel PRÓPRIO.  Por exemplo, todo mundo sabe onde ficava o consultório do Dr. Írio, do Dr. Veroaldo, do Dr. Nagib e por aí vai.  Alguém tinha dúvidas de onde era A Brasileira, a Tipografia, ou a Casa Leite?
Hoje, o empresário, ou o prestador de serviço, aluga um imóvel, monta a loja, ou consultório, através de arrendamento mercantil e terceiriza tudo, desde a moça que serve o cafezinho até o vigilante e ascensorista.  Então, quando você chega, a loja não pertence ao dono, o dono raramente vai à loja, a pessoa que abre a porta para você não é empregado da loja e você paga com um cartão e faz um crediário que também não tem nada a ver com a loja.
Sei que, face á modernidade, não há como ser diferente.  Mas o que eu questiono é: como fazer para que a pessoa que EFETIVAMENTE te atende, sinta alguma proximidade com você, já que tudo ali é estrangeiro?
(continua)

Crônica: Jorge Marin
Foto: disponível em: http://www.saiadolugar.com.br/marketing/balao-da-informatica-um-exemplo-de-falta-de-bom-atendimento/

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

CASOS CASAS & detalhes


















Todos nós que tivemos a alegria de estudar no Instituto Barroso talvez nunca tenhamos parado para pensar que todas as nossas vitórias e todos os nossos voos profissionais tenham se originado de um caminho tão curto.
O senhor Ubi, nosso mestre, saía de sua casa, na Rua Getúlio Vargas e virava ali na esquina da Prefeitura.  Quando chegava em frente à Padaria do Popó, ia devagarinho, com seu terno branco, pois sabia que logo em frente, na subidinha, certamente iria surpreender casais de namorados, fumantes ninjas, e outros matadores de aulas.  Depois daquele "puxão de orelhas" que, tanto podia ser bem humorado, como bem esquentado, a turma subia correndo e ia direto para a aula.
Talvez quem more em São João, de tão acostumado com esses locais, não dê muita importância.  Mas para nós, que tivemos que ir para outras cidades, esse simples trajeto, que o nosso mestre fazia, representa nossos primeiros passos como cidadãos.  Foi uma honra e uma alegria seguir esse caminho que o Sôbi nos ensinou!

Fotos: Serjão Missiaggia
Texto: Jorge Marin

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O PIJAMA DO TIZECA - II



Vocês não imaginam a alegria de poder falar do meu Tizeca!  Aquela emoção da qual falei na semana passada, quando dormia ansioso porque sabia que ele chegaria no trem noturno, eu a sinto hoje tão vívida e real, que chego a escutar aquele apito da máquina. 

E eu estava, justamente, falando dessa peça de roupa fantástica, que dá título à crônica, que é o enigmático PIJAMA DO TIZECA.  Além da peculiaridade de ser usado dia e noite, outro detalhe chamava a atenção: era a quantidade de parafernália que nele se ocultava.  Que eu me lembre, brotavam do seu bolso, como num passe de mágica, pacotes e mais pacotes de fumo de rolo, papelote para cigarro, isqueiro, mais fumo de rolo, canivete, pente, lenço, dois ou mais baralhos etc.etc.etc.
Fazia daquele pijama a sua veste inseparável, e até mesmo para ir passear na esquina não o tirava jamais!
Adorava contar causos, e não era muito raro quando, ao repeti-los, nos contava em versões totalmente diferentes.  Este detalhe era muito engraçado, pois nos levava quase sempre a finais nada parecidos.
E assim, entre uma mentirinha e outra, enquanto eu ia me fazendo de bobo, os causos iam rolando soltos até o entardecer.  

Também muito me fascinava aquele radinho de pilhas, que nunca saía de seu colo. Juntamente comigo, era talvez o seu amigo inseparável, no qual ficava sempre a buscar noticias do Botafogo (E como era apaixonado pela Estrela Solitária!).
Rastreava cada locução ou comentário. Buscava noticias, desde a concentração, chegada e saída do time no hotel, estádio e vestiário, até as resenhas noturnas, que terminariam lá pelas tantas da noite.
De olhar fixo, sereno e disperso ao horizonte, parecia estar sempre meio alienado do mundo. Acho mesmo, que aquela enorme catarata que o acometia, contribuía muito pra isto.
Somente me reconhecia, quando, já bem perto, escutava minha voz.
- À benção Tizeca!!!  - dizia, após beijar suas mãos.
-        Até que enfim, Baiano, já havia perguntado por você!!!  Era assim que, carinhosamente, se dirigia a mim, após um forte abraço.
Eu, de imediato, sem perder um mínimo de tempo, procurava subir e sentar no murinho da varanda para assim começar a escutar os inúmeros CAUSOS. Alguns falsos, outros nem tanto verdadeiros, mas, com certeza, eram muitos e todos ótimos de se ouvir. Hoje, quase quarenta e cinco anos depois, é que fui começar a entender donde teria vindo esta minha fascinação por causos.
Mas, antes, um outro ritual: o pito, a preparação do cigarrin de paia.
(CONTINUA)

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto: Cody Lash-Upon-Lash, disponível em http://browse.deviantart.com/?q=old+man&offset=24#/d5j71hq .

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O VALOR DO SILÊNCIO 3 (FINAL)



NA SEMANA PASSADA, estávamos refletindo sobre o silêncio e, quando falei que o silêncio é a música, muita gente quebrou o silêncio para argumentar que o silêncio não é a música, mas só uma pausa entre os sons.
No entanto, se fui muito abrangente, é preciso reconhecer que o silêncio é um elemento orgânico, real, na música.  E isso é fácil de ser entendido porque, em primeiro lugar, só há som se existe alguém para ouvi-lo.  E, se existe alguém, uma plateia, é IMPOSSÍVEL que não haja algum tipo de ruído, nem que seja a soma das respirações e de corações batendo.
Em segundo lugar, é preciso ficar claro que, na música, o silêncio NÃO interrompe a música, mas cria possibilidades: se, no Barroco, evocava tensão, na música romântica contemporânea pode ser enlevo.  Imaginem quando o compositor John Cage, um estudioso do silêncio no som, apresentou sua peça “4 minutos e 33 segundos”, na qual ele permanece esse tempo em frente a uma partitura em branco e, naturalmente, não produz NENHUM som ao piano?  A plateia mergulhou numa confusão de emoções e angústias que beirava o pânico.
Se na música já causa desconforto, na fala o silêncio é fundamental.  Pois aí, segundo o psicanalista Jacques Lacan, “o silêncio toma todo o seu valor de silêncio, não é simplesmente negativo, mas vale como além da palavra”.
O grande achado de Freud, na Psicanálise, foi justamente o não dito, o interdito, que ele chamou de Inconsciente.  O curioso é que este grande pensador e teórico NÃO fundou a Psicanálise a partir do silêncio de um paciente, mas sim através do SEU PRÓPRIO SILÊNCIO!  Ao tratar de uma manifestação histérica, a paciente Elisabeth Von R. virou-se para o famoso neurologista e disparou:
- Cala a boca, Dr. Freud, que eu quero falar!
De uma forma ou de outra, o silêncio vem sendo representado como sinônimo de sabedoria e até mesmo proximidade com Deus.  Não por acaso, grandes avatares das religiões permaneceram por longos períodos em silêncio absoluto, após o qual geralmente eram agraciados com algum tipo de recompensa pelos anjos em pessoa: assim foi com Moisés, Oseias, Elias, o profeta Muhammad, Buda e Jesus Cristo.
Assim, se na psicanálise o silêncio provoca a escuta analítica e pode revelar aquilo que se esconde por trás da falácia do ego, na religião pode também representar a fusão com a divindade, ou como diz a monja Maria-Amada de Jesus: “eu sou semelhante a um pequeno grão de área, que espera na praia a onda que o fará mergulhar no oceano.”
De minha parte, não tenho a pretensão de grandes voos transcendentes nem de abissais mergulhos psicanalíticos.  O que eu quero é propor um pacto, com todos que não têm nenhum tipo de laço ou gozo com a doença humana: vamos, PELO MENOS, parar de falar besteira e, principalmente, interromper qualquer tipo de ruído desnecessário!
(...) um parágrafo de silêncio

Crônica: Jorge Marin
Foto: Tunc Suerdas, disponível em http://browse.deviantart.com/photography/?q=silence+god#/drqw1h

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

CASOS CASAS & detalhes



Na pracinha do Botafogo
Serjão olha o passado
O Dr. Glória olha a estação
Passa um trem (fantasma?)
E uma algazarra de vozes
Jovens, se ouve.

Será o tempo um trem
Danado de complicado
Ou é o desejo de voltar
Numa locomotiva que não há
Que complica as coisas?

São três da tarde
Mas, por trás das pálpebras,
Serjão vê um Botachopp iluminado
Sabe que os ecos da felicidade
Não se apagam
Nem se extinguem.

No escuro do pensamento
Adivinha sussurros entres os vagões
Escuta risos percebe pessoas correndo
De repente, um barulho chama sua atenção:
É só um toque de celular!
Pensei que era o Dalminho
Com seu violão,

Mas foi só saudade...

Fotos: Serjão Missiaggia
Poesia: Jorge Marin

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL