quarta-feira, 31 de maio de 2017

OS BONS FILHOS À CASA (NÃO) TORNAM


Após a emocionante postagem de uma imagem do pátio interno do Ginásio do Sôbi de 1972, e da divertida crônica do parceiro Jorge Marin, encerramos hoje esta série de postagens sobre este tema que nos é tão afetuoso. Acreditamos que o pequeno texto a seguir irá retratar o verdadeiro sentimento de todos os seus ex-alunos.
                    
                    OS BONS FILHOS À CASA NÃO TORNAM

Ah... Ginásio do Sôbi! Como podes continuar a mexer com a emoção de todos que por você passaram?  

Que magia estranha é essa que aí permanece e que tanto nos maltrata, principalmente ao fitarmos sua fachada, felizmente ainda INTACTA, mas tão AUSENTE?   

Donde vem essa energia misteriosa e imortal, que pulsa soberana no topo da colina e que ainda nos atrai e tanto nos fascina? 

Que CALMARIA estranha é essa de agora, que antes se curvava ao barulho das carteiras, aos ruídos dos tambores, ao apito da batuta ou ao som das brincadeiras?      
                                                                                                                            
E esse mesmo silêncio, que tanto insiste em querer nos roubar o passado nesta hora, é o mesmo que faz gravar ainda mais na memória, os ensinamentos de nossos amados PROFESSORES, o convívio de cada AMIGO de jornada e os sábios conselhos do eterno e inesquecível MESTRE.

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : Facebook 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

SE ESSA RUA FOSSE A MINHA


QUEM VIVEU FORTES EMOÇÕES NESSA RUA???

Foto de hoje: Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

TODA CASA TEM UM CASO


QUEM VAI CONTAR O CASO DESSA CASA???

CASA DA SEMANA PASSADA - A casa da dona Maria Augusta Menezes foi primeiramente reconhecida pela Renée Cruz, em seguida pelo Cleidyson Cúrcio, e, finalmente, a Graça Lima.

Mas, o caso mais interessante quem contou foi o Tony Navarro, que publicou diretamente no Blog: "Esta casa é da minha querida Tia Maria Augusta, casada com o saudoso Tio Elmo... Tem várias lembranças boas: lá no quintal tinha um pé de eugênia enorme onde brincávamos, o terreiro estendia-se até a Oficina do meu tio que terminava do outro lado, ou seja, na rua onde hoje tem a loja da Xereta. Eu morava na rua do São Vicente e usava a passagem "secreta" pra chegar na casa pelos fundos... meu tio ficava nervoso, pois subíamos e descíamos por sua oficina... kkkkk... Tempo bom!!!".

Foto de hoje: Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

CASOS CASAS & mistério???


QUE LUGAR É ESSE??? QUEM SABE???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - A briga na semana passada foi boa. Maninho Sanábio foi o primeiro a postar (diretamente no Blog) dizendo que a rua era no São José. Um minuto depois, no Face, Evanise Rezende, deu o nome da rua: Brasília. Ambos disseram que a rua dava pro escadão do Beco das Flores (na verdade a rua Brasília sai na Rua São José e esta sim dá pro escadão). Finalmente, o Augusto Côrtes, lá de Niterói, também acertou.

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

sexta-feira, 26 de maio de 2017

OS SUBTERRÂNEOS DO GINÁSIO


Rolava o glorioso ano de 1968. Aliás, vamos combinar, glorioso apenas para Botafogo que foi bicampeão carioca, porque, para o resto da população aquele ano ficou conhecido como O ANO QUE NÃO ACABOU.

Pra quem não se lembra, ou não havia nascido, o danado do ano foi HORROROSO. Mataram o Luther King, mataram o Robert Kennedy, começou a Guerra do Vietnã.

Aqui no Brasil, para aqueles que defendem intervenção militar hoje, estava um paraíso: o General Costa e Silva, que escapou de um atentado terrorista, cassava direitos políticos, demitia supostos comunistas, fechava sindicatos, diretórios estudantis, detonava o Congresso e julgava civis na Justiça Militar.

Sem saber de nada disso, porque nem a televisão nem os jornais mostravam, estávamos felizes naquele bambuzal do Ginásio do Sôbi. O Sargento Matildes havia dado a aula de Educação Física e, enquanto alguns disputavam quem fazia mais barras, outros zoavam os mais nerds e nanicos, no caso... eu.

Éramos o Primeiro Ano Masculino, uma turma do Ginásio que estudava à tarde, era composta só de meninos e, pra completar, ainda usávamos uma espécie de farda cáqui. Na sala, a zoeira era total, principalmente porque o nosso querido Sôbi raramente aparecia no Ginásio à tarde (porque trabalhava também de Escrivão na Delegacia).

Numa dessas tardes “animadas”, aproveitamos a ausência de uma professora para explorar um estranho alçapão no assoalho da sala de aula. Retiramos a tábua, um quadrado que devia ter um metro de lado, e, com uma caixa de fósforos, baixamos naquele buraco nosso enviado especial: o Tadeu.

Acendendo os fósforos, nosso corajoso amigo ia descrevendo o que ele via naquele subterrâneo até que... De repente, a professora chegou! Ela havia apenas se atrasado. Com medo de que a professora caísse naquele buracão, o que fizemos? Recolocamos a tábua no lugar, mas, infelizmente, não houve tempo hábil para resgatar o Tadeu, que ficou lá embaixo, explorando aquele misterioso subsolo.

A aula já ia animada, quando, não suportando o calor, Tadeu começou a gritar “socorro”, “socorro”. A professora, assustada, não entendeu nada. Quando explicamos, pediu que resgatássemos o colega. Este saiu ofegante, sem camisa e cheio de picumã no cabelo.

E não tínhamos nem um Whatsapp. Ô dó!

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Still do filme Harry Potter e a Câmara Secreta

MÚSICAS QUE O PITOMBA ESCUTAVA


SUGESTÃO DO SÍLVIO HELENO PICORONE: REFLECTIONS OF MY LIFE.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

BARULHO NA VARANDA


Dia desses, ao entrar nos correios, me lembrei de uma coisa que marcou pra caramba minha infância. Acredito até que não somente a minha, mas de um monte de outras pessoas.

Eram as famosas correspondências que enviávamos aos diversos CONSULADOS E EMBAIXADAS em busca de informações e imagens de seus respectivos países. Por sinal, todas as cartas eram idênticas e, quase sempre, escritas de próprio punho, onde trocávamos apenas o nome do país no envelope. Quase sempre chegávamos aos correios carregando uma centena delas, e por lá permanecíamos pacientemente, por um bom tempo, até que acabássemos de selar uma a uma.

Interessante o prazer e a ansiedade que sentíamos em ficar aguardando por uma resposta, que, geralmente, aconteceria no prazo de duas ou três semanas. Mas valia a pena, pois sempre vinham acompanhados de lindas fotografias, selos, revistas etc. Era muito raro uma embaixada não responder, mas acontecia.

Como esquecer o barulho daqueles imensos envelopes que eram jogados pelos carteiros em nossa casa? Às vezes acontecia de chegar material de dois ou três países ao mesmo tempo, e isso era facilmente percebido devido àquele  barulhão ao caírem na varanda. Uma MAGIA que, infelizmente, se perdeu no tempo, principalmente em circunstância de uma evolução tecnológica sem precedentes.

Semana passada, sentado confortavelmente frente ao meu computador, pude com apenas alguns toques no teclado, caminhar tranquilamente, através do Google Maps, pelas ruas de Pozzoleone, cidade natal de meus avós na Itália. Quanta facilidade e emoção, mas confesso ainda sentir saudade daquela ESPERA e do barulho dos ENVELOPES na varanda.

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : Disponível em https://br.pinterest.com/pin/417638565422914398/

segunda-feira, 22 de maio de 2017

BELEZAS DA TERRINHA


CÉUS DE SÃO JOÃO NEPOMUCENO...

Foto de hoje: Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

TODA CASA TEM UM CASO


QUEM SABE ALGUM CASO DESSA CASA???

CASA DA SEMANA PASSADA - Os primeiros a reconhecer a antiga casa da família do Cleuto e atual residência da família do sr. Celinho Girardi foram: Flávio Vitoi, Rita de Cássia Campos e Graça Lima. Infelizmente, embora muitos tenham contado vários casos da Rua Nazareth, ninguém contou casos da casa.

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

CASOS CASAS & mistério???


QUEM É CAPAZ DE EXPLICAR ESSA PAISAGEM???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Maninho Sanábio, Ana Emília Silva Vilela e Graça Lima foram os primeiros a reconhecer a foto da lua tirada na Pracinha do Chafariz.

Foto de hoje: Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

sexta-feira, 19 de maio de 2017

VALE A PENA PARTICIPAR DA VIDA POLÍTICA NO BRASIL???


Vendo todas estas nuvens negras sobre os céus do Brasil, e sentindo o cheiro podre da lama política mais suja que mil sanmarcos, ficamos nos perguntando: vale a pena participar da vida política em nosso país?

É lógico que sim, dirão alguns amigos. Afinal de contas, quem não participa da vida política, aquele que vota em branco, pra quem tanto faz, essa pessoa que diz que todos são ruins e ninguém presta, este ser APOLÍTICO está condenado a não ter o direito de reclamar de nada. De fato, se você não escolhe ninguém para te representar, você fica sem voz.

Por outro lado, há um grande número de pessoas que acha que NÃO vale a pena participar do debate político, pois os políticos, dizem, são TODOS corruptos. Para essas pessoas, melhor seria um presidente linha dura, que não ligasse para essa “baboseira” de direitos civis, cortasse esse monte de direitos civis e deixasse tudo por conta da lei do mercado e da meritocracia. Tipo: estudou? Sobe na vida. Não? Então dane-se! Fez filho? Então cria!

Fazendo a leitura dessas duas posições antagônicas, chego à conclusão que as pessoas andam tão decepcionadas com os políticos em geral que muitos têm assumido claramente a posição de apolíticos. E, o que é pior, acham que democracia é uma coisa muito chata, que dá muito trabalho, gera muita corrupção e é sempre imperfeita.

E querem saber a verdade? Eles têm razão. A democracia é sempre imperfeita. E é imperfeita justamente porque busca respeitar os interesses de todos. E dá trabalho pelo mesmo motivo. E é mesmo chata, muito chata, porque implica em que TEMOS que ouvir a opinião do outro, que nem sempre é igual à nossa.

Sistemas perfeitos, bonitos, ideais JAMAIS são democráticos. O próprio Céu, aquele céu da Bíblia, se pensarmos bem, não é democrático, pois, vejam só, Deus não é democrático. Pois, sendo perfeito, onipresente, e onipotente, o nosso Pai Celeste, embora nos conceda livre arbítrio, nunca irá admitir que questionemos as suas ordens. Os últimos que fizeram isso foram expulsos do Paraíso. E justamente por desejar mais Conhecimento.

Então, voltando à vaca fria, ou ao voto frio, é preciso compreender que, sem conflitos, não há política. Sem caos, não há ordem. E, principalmente, sem erros, não há acertos. Vocês já se deram conta que, se pensarmos bem, TODOS erramos feio nas últimas eleições, mesmo sendo traídos?

Portanto, vamos esquecer essa ideia de perfeição e fazer o melhor possível para melhorar nossas escolhas. Afinal, se aqui não é o Céu, não precisa, necessariamente, ser o Inferno, né?

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Facebook Clodovil Realista

MÚSICAS QUE O PITOMBA ESCUTAVA


OUÇAM SÓ ESSE COVER DO PINK FLOYD!!! (BOBAFLEX)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O CINE BRASIL


Subindo a Rua Getúlio Vargas, mais conhecida pelos cinquentões de plantão como a Rua do Grupo Velho, nos deparamos sempre com o antigo prédio do Cine Brasil. Lugar que veio, por décadas, marcar gerações.

Diferentemente da Sinuca do Cida, esse local era frequentado por pessoas de oito a oitenta anos. Já na infância, éramos quase sempre conduzidos pelos nossos pais, principalmente num período em que existam poucas televisões na cidade, e pra lá nos dirigíamos em busca de magia que, facilmente, era encontrada nos famosos filmes de bang bang, terror , comédia, bíblicos, além é claro, de algum romance básico.  Épocas de Ben-Hur, Os Dez Mandamentos, Quo Vadis, Marcelino Pão e Vinho e outros tantos clássicos que ficariam eternizados em nossa memória.

Do lado de fora, um inesquecível cheirinho de pipoca e amendoim torrado já estaria a nossa espera, enquanto pacientemente, muitas vezes ficávamos por um bom tempo nos arrastando naquelas imensas filas. Por sinal, havia naquele período, dois cinemas na cidade e, não muito raro, víamos as filas se encontrarem numa esquina qualquer do quarteirão. 

Uma musiquinha básica ficava tocando dentro do cinema, enquanto, ainda de luzes acessas, íamos comprando balas, pirulitos e outros. Confesso que ficava superapreensivo enquanto esperava por aquele sinal sonoro que anunciava que o filme iria começar. Um som poderosíssimo e grave que dava medo e assustava muito.

Já na adolescência, muitos fatos inusitados e até engraçados chegaram acontecer, sendo que, se estivesse em cartaz um filmezinho mais apimentado, aí que a galera ficava bastante assanhada. Confesso que tentar engabelar nossas queridas e saudosas dona Zeny e a senhora Bovoy, era bem complicado.

Certa vez, fiquei, juntamente com alguns amigos, quase quarenta minutos na fila debaixo de chuva fina, pra assistir VANESSA A INSSACIAVEL. Ao chegar à portaria, fomos recebidos amistosamente por dois policiais, que, exigindo identidade, e desconfiados de nossas caras, queriam saber nossa idade. Não tivemos alternativa e, após sair de mansinho, correremos mais que depressa para as portas laterais pra ficar nos atropelando e assistindo o filme pelas gretas.

Também muitos encontros e namoros aconteciam, principalmente no andar superior. Pior é que os mais exaltados eram sempre pegos de surpresa quando, em função da fita que arrebentava, as luzes eram acendidas de repente.  Nessa hora, enquanto alguns despistavam, outros ficavam assoviando, pedindo o dinheiro de volta.

Também não menos incomôdo naquela hora de romance, era o barulho do chinelinho do saudoso Sr. Geraldo subindo e descendo aquelas escadarias. Literalmente, tínhamos que ficar de olho e de orelha em pé.

Dependendo do filme, bons cochilos aconteciam e, que eram somente interrompidos quando as luzes se acendiam e o barulho daquela cortina da portaria era aberto repentinamente ao final do filme. Mas o grande despertador mesmo eram as imensas portas laterais sendo empurradas ao término das sessões. Não sei se por sacanagem, mas esse fato sempre ocorria antes mesmo do filme terminar. Aí era aquele susto, não somente para os dorminhocos, como também para os mais distraídos.
No final, e já do lado de fora, gostávamos muito de comprar os famosos amendoins do Bié, além é claro, de brincarmos com ele.  Ainda antes de seguirmos para casa, era quase obrigatória uma paradinha no “murim” do Adil ou na Sinuca do Cida para jogar um pouco mais de conversa fora e fazermos as considerações finais.

Crônica e foto: Serjão Missiaggia

segunda-feira, 15 de maio de 2017

SE ESSA RUA FOSSE A MINHA


QUEM VIVEU GRANDES EMOÇÕES NESSA RUA???

Foto de hoje: Jorge Marin

TODA CASA TEM UM CASO


QUEM SABE ALGUM CASO DESSA CASA???

CASA DA SEMANA PASSADA - Os primeiros a reconhecer a casa da família Izidoro na Rua do Descoberto foram: Carlos Antônio Zampa, Cassiano Aglio e Ana Emília Silva Vilela que sabe todos os casos daquela rua: "A família Izidoro é 'nativa' dessa rua, eram várias casas da família. Foram envelhecendo, uns faleceram, outros mudaram para outras cidades, mas ainda existem descendentes da família morando nessa rua. Me lembro muito do sr. José Izidoro, Manoel Izidoro, inclusive uma das irmãs deles, já falecida, foi casada com um tio meu. Hoje morando na Rua do Descoberto temos o Reinaldo, que é meu primo e é descendente da família Izidoro".

Foto de hoje: Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

CASOS CASAS & mistério???


QUEM EXPLICA ESSA PAISAGEM???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Para vocês verem o que é a dedicação de um leitor, publicamos o depoimento do Maninho Sanábio: "Pegaram pesado... identifiquei alguns prédios, o que tem uma parabólica amarela (kkkkkk) ali é o Banco do Brasil, a chaminé imagino que seja a da Santa Martha, não conheço outra em São João; se não me engano, aquele prédio no alto à esquerda fica no Jujuba... Agoraaaaa!!!!! Essa foto foi tirada do lado da Igreja Matriz, na parte de baixo de quem vai descer de carro... pegou uma parte do muro que em cima fica o gradil da frente da igreja... kkkkkkkk será? Agora tenho que esperar até semana que vem kkkkkkk. Não vou mentir também, não lembrei de olhar onte, hoje já estava na cama pra dormir quando lembrei desse desafio... pensei 'de novo cheguei atrasado', então entrei pelo celular só pra ver quando percebi que ninguém respondeu kkkkkkkk ri até nos cantos kkkkkk... e corri pro computador pra ver melhor a foto... tomara que eu tenha acertado kkkkkkk Abração pra todos e boa noite".

Nem nós seriamos capazes de dar uma resposta tão detalhada. NOTA DEZ!!!

Foto de hoje: Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

sexta-feira, 12 de maio de 2017

ADEUS AO QUIRINO


Hoje São João vai dormir um pouco mais pobre e mais triste. Quirino morreu.

Quando soube, embora não o visse pessoalmente há muitos anos, fiquei triste e foi como se um pedaço da cidade tivesse acabado. Quirino era um patrimônio nosso. Não havia quem não o conhecesse. Na noite, nas serestas, no Bar Central, no carnaval. Era presença garantida. Alegria garantida. Fineza.

Menino pequeno, quando vi o Quirino pela primeira vez foi na Brasileira. Havíamos, eu e minha mãe, ido comprar um cinzeiro, utilidade doméstica muito comum na época e, entre os diversos “caixeiros” que ficavam atrás do balcão, um se destacou, deu um passo à frente, veio até nós e, muito amável, e perfumado, nos mostrou todo o estoque de cinzeiros. Meu pai queria um com o escudo do Vasco, mas eu apontei com o dedo o do Fluminense. Quirino abriu um sorriso e aprovou: “Lindíssimo!!!”.

Na época dos antigos desfiles carnavalescos, não íamos assistir, mas ficávamos todos no portão de casa, aguardando a volta do Esplendor do Morro. A grande curtição era saber qual a fantasia masculina mais chique, a do Hermano Sachetto ou a do Quirino? Ele chegava, entre mil plumas e paetês, cumprimentava todos nós, sorria, e continuava desfilando como se ainda estivesse na Rua do Sarmento.

Lembro que uma vez, na aula de História no Ginásio do Sôbi, a professora Dona Iveta pediu a um colega para levantar e falar sobre Quirino. Na verdade, ela queria que falássemos sobre um antigo governador da Síria que substituiu Herodes. Mas a simples menção do nome Quirino causou um frisson na garotada, que não parava de rir. A velha mestra pediu que contássemos quem era esse Quirino e, meio reticentes, cada um começou a contar: era cantor, juiz de futebol, goleiro, carnavalesco. Dona Iveta acabou esquecendo da arguição e ficou encantada com aquele moço que habitava o imaginário de todos.

O tempo passou e Quirino passou, ele próprio, a fazer parte da História, da história sanjoanense, da cultura popular, dos esportes, da música. “Onde a música me levar, eu vou”, dizia ele. Cantou Recuerdos de Ypacaraí em Ypacaraí no Paraguai. Cantou Asa Branca em Paris. Foi a Roma, Buenos Aires, Bogotá. Cantando daquele jeitinho que nos acostumamos a ouvir lá no bar do Esplendor, nas serestas e onde a música o continuasse levando.

“Vocês acham que eu canto pra vocês? Né nada, eu canto é pra mim, seus bobos!”. Esse era um de seus bordões. E cantava: My Way, La Barca, Guantanamera. Mas era tão bom que pensávamos, de verdade, que ele cantava para cada um de nós.

Hoje tem exposição. Friozinho de 16 graus. Céu lindo, estrelado. Com uma estrela a mais: nosso gentleman Luiz Quirino de Freitas. “Yes, it was my way”.

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Serjão Missiaggia

MÚSICAS QUE O PITOMBA ESCUTAVA


QUEM SE LEMBRA DO JETHRO TULL???

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O VELHO CASARÃO


Foi desfrutando de uma importante e didática postagem de nosso amigo e historiador Luiz Pontes sobre um pouco da história da Praça 13 de maio, que me lembrei deste texto escrito em 1997.
  
                                    O VELHO CASARÃO

Quem de nós, ao passar pelo largo da matriz, ainda que por uma única vez, não deixou que seu olhar fosse ao encontro do velho CASARÃO que lá existe?

De minha parte, dou sempre um tempo a mais aos meus passos e, procurando o melhor ângulo, fico a contemplá-lo. Algo assim como se fosse fotografá-lo pela última vez.  
     
Mas, voltando a cem anos ou mais, e viajando com a imaginação pelo tempo, procuro sentir toda sua plenitude. Imagino sua fachada ainda cheirando a nova e os ruídos de passos constantes em seu piso de madeira nobre. Das luzes ofegantes dos antigos lampiões que, espalhados em sua magnitude, nem tanto clareavam.  

Imagino tantas vidas que ali passaram, nasceram e se foram. Tantos que ali sorriram, choraram. Tantas vozes que diferentes épocas marcaram.

Um passado vivo a nossa frente, ainda real, palpável às nossas mãos e ao alcance de nossos olhos. Triste é vê-lo escapar pedacinho a pedacinho, em infinitos grãos de areia que vão se desprendendo de suas paredes nos açoites da mãe natureza, com suas inesperadas ventanias e tempestades.

Possivelmente, surgirá ali uma nova e majestosa construção, “valorizando e realçando” ainda mais o momento presente.  A nós restará apenas, simplesmente, um apagar da memória, pois ficaremos órfãos de mais um elo com a nossa história. História esta, muitas vezes, assim como o Velho Casarão... depredada, esquecida e distante.


UM POVO SEM CONHECIMENTO OU DESPREZO DE SEU PASSADO, CAMINHARÁ
PARA O FUTURO, MERGULHADO NUMA ETERNA E SOMBRIA AMNÉSIA DE SI 
PRÓPRIO.

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : Garbosa na Rede

segunda-feira, 8 de maio de 2017

BELEZAS DA TERRINHA


NUVENS NEGRAS SOBRE A CIDADE.

COMENTÁRIOS SOBRE A RUA CÔNEGO REIS - A primeira a comentar foi a Rosana Espíndola: "Rua Cônego Reis, onde nasci e vivi toda minha infância. À direita, casa do sr. João Salvador, minha segunda família!!!"

Depois foi a Rita de Cássia Campos: "Já passei muito por esta rua, ia na Sociedade São Vicente, e visitar a tia Dilina e a tia Alzira... Casa logo após onde hoje é o Mercado Santo Antônio, onde funciona um mercado, essa casa vermelha/grená que aparece na foto..."

Finalmente, Silva Sol: "Rua Cônego Reis, a primeira casa do sr. Salvador, pai da Eluza, lembro da casa onde hoje é o Supermais, o pé de eugênia, a criançada se divertia indo pegar as frutas."

Foto de hoje: Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

TODA CASA TEM UM CASO


ESSA CASA AÍ TEM UM CASO??? QUEM CONTA???

CASA DA SEMANA PASSADA - Cida Mendonça, Graça Lima e Marcelo Oliveira foram os primeiros a acertar: "casa do dona Cora, mãe do Fernando Magesti".

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

CASOS CASAS & mistério???


QUEM É CAPAZ DE EXPLICAR ESSA PAISAGEM???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Rita de Cássia Pereira Gomes, Tânia Bezerra e Alda Fam Vilela acertaram de primeira: "casa da Angélica Milward, em frente à Padaria Louzada". Marcelo Mendonça Lima se lembrou de um caso: "me lembro muito de brincar no porão mal assombrado que hoje é a garagem, de pedir frutas para a Das Dores ou até de usar como atalho para ir da casa da minha avó até a padaria para comprar brevidade...".

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A RAZÃO HUMANA E A CONVERSA FIADA


Esta primeira semana de maio sempre me deixa meio triste. Há exatos vinte e dois anos, num dia do trabalhador, o meu pai morreu. Vejam que eu não disse “nos deixou” ou “foi para um plano superior” ou “desencarnou”.

Morreu. Digo isso assim textualmente porque uma das coisas que o meu pai mais detestava era o que ele chamava de “conversa fiada”. Mesmo esses eufemismos, hoje tão comuns no nosso dia a dia politicamente correto, eram evitados por ele. Até mesmo porque o seu nível de escolaridade, praticamente inexistente, não lhe permitia grandes voos semânticos.

“Sou analfabeto”, dizia, mas a sua lógica, e a sua simplicidade, me ensinaram coisas que anos de estudo e quilos de livros não foram capazes de iluminar.

Por sinal, uma de suas teorias, esta da “conversa fiada”, acaba de ser confirmada por dois cientistas cognitivos, Hugo Mercier e Dan Sperber, num livro chamado “O Enigma da Razão”.

Trago esse assunto para o Blog porque fiquei impressionado sobre o que esses doutores pensam sobre a razão humana. Até ler o livro, eu pensava que a razão era uma coisa fantástica, quase divina. Quando queremos nos distanciar dos animais dizemos: ora, somos racionais.

Mas a coisa não é bem assim, segundo o livro. Primeiro, perguntam: se a razão é tão útil assim por que, durante o processo evolutivo, ela também não se desenvolveu em outros animais?

E, mais importante, pra quê ela serve afinal? A resposta é surpreendente: para podermos produzir desculpas convincentes para os nossos atos, e para convencer as pessoas à nossa volta de que estamos certos! Ou seja, fazer isso que fazemos no Facebook todo dia.

A explicação é que, para que a humanidade se desenvolvesse, era necessário que uma pessoa, o ser mais racional, soubesse justificar suas atitudes (mesmo que fossem tremendas besteiras!) e convencer os manés a apoiá-lo. Exatamente o que os nossos políticos fazem!

Pode parecer uma bobagem, mas me senti profundamente incomodado com essa ideia. E acho que um bando de pessoas, que se acham “os racionais” também não gostaram muito.

Meu pai, que “cantou a pedra” antes, certamente iria dar seu veredito: “tudo conversa fiada!!!”. Enquanto isso, as “reformas” Ó... tão passando.

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Marcelo Camargo (Agência Brasil)

MÚSICAS QUE O PITOMBA ESCUTAVA


Inesquecível.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

AMIGO CAQUI DOS AMIGOS


Não sei qual a razão, mas resolvi, repentinamente, falar um pouco sobre nosso pé de caqui. Um fantástico ser vegetal que, há quase trinta e cinco anos, vem nos fazendo companhia. Um ilustre amigo que já fazia por merecer um pequeno espaço em minhas linhas.

De fevereiro a maio, religiosamente, nos presenteia com seus suculentos frutos. No inverno, época em que mais precisamos de sol, simplesmente se desnuda, deixando cair todas suas folhas. No verão, quando mais procuramos por sombra, sua copa se veste de uma densa folhagem, nos proporcionando assim um frescor sem igual.

Como se não bastasse, já virou até pé direito de nosso galinheiro e, em muitas oportunidades, suporte para rede, varal e bebedouro de beija-flor. Serviu de mastro nos memoráveis jogos decisivos do Brasileirão e Copa do Mundo onde, na oportunidade, fazia tremular minhas bandeiras do Botafogo e do Brasil.
Até numa colorida árvore natalina, por sinal superdecorada e iluminada, se transformou certa vez.

Por fim, não poderia me esquecer que, juntamente com o muro que nos faz divisa com um amigo vizinho, teria sido meu local predileto onde, nas saudosas festas de fim de ano, detonava meus tão esperados fogos de artifício.

Falemos, então, um pouco de seu místico nascimento, algo digno de registro.
Tudo teria começado numa daquelas muitas viagens em que Sô Tuninho e Dona Venina faziam a Belo Horizonte. Numa dessas viagens, momentos antes de retornarem a São João, dona Venina teria sido presenteada por tia Carmen com um desses frutos, que, de tão saboroso, teria embrulhado uma de suas sementes num papel guardanapo. Sua intenção era de, tão logo chegasse de viagem, poder plantá-la no canteiro.

Sô Tuninho, na realidade, não era muito a favor, pois alegava que a referida arvore seria de porte um tanto desproporcional ao tamanho do terreiro.
Assim, por vários dias, reinou a dúvida: Planta... Não planta... Planta... Não Planta... Até que, finalmente, dona Venina se daria por vencida. Afinal de contas, falaria mais alto a opinião do velho chefe. Puro engano!

Numa bela manhã, ao acordar mais cedo, dona Venina, sem que ninguém percebesse, simplesmente foi sorrateira ao terreiro e, após fazer uma pequena cova, semeou aquela sementinha na parte mais nobre do canteiro.

E o tempo passou...

Numa bela tarde, enquanto Sô Tuninho regava suas verduras, eis que se depara com uma pequena mudinha. Uma delicada muda que começava a surgir imponente entre os pés de couve e alface. Num primeiro impulso, ainda sem saber do que se tratava, foi logo a arrancando.

Dias se passaram e, mais uma vez, no mesmo lugar, aparece novamente aquela insistente mudinha. E, assim como na vez anterior, ele simplesmente arrancou-a. Ao se repetir, pela terceira vez o mesmo fenômeno, e já desconfiado, um tanto intrigado comentou:
- Venina! Tem aparecido de uns tempos para cá uma mudinha no canteiro danada de forte! Já a arranquei por três vezes, mas sempre volta a brotar no mesmo lugar.

Dona Venina, já sabendo do que se tratava, ficou bem quieta, para, somente mais tarde, contar-lhe a verdadeira história. Assim, ante a insistência daquela ainda frágil mudinha e dos apelos incansáveis de dona Venina, sô Tuninho resolveu, num belo ato ecológico, dar uma chance àquele pequeno ser.

O tempo passou e uma linda e frondosa árvore viria a se desenvolver.
Confesso que a danadinha dá trabalho, principalmente quando sua folhagem começa a cair. Diariamente, tenho que, durante uns três meses, ficar a varrer o terreiro e a encher sacos e mais sacos com suas folhas. “Haja saco”!
Não posso esquecer-me também, de podar seus galhos. Ano sim outro não. E tem que ser na “Primeira Lua Nova de Agosto”. Mas... Tudo isso vale a pena. E como!

Não há dinheiro que pague observar em seus galhos a chegada das inúmeras espécies de pássaros. Até canários e sabiás têm aparecido por estas bandas. Uma verdadeira sinfonia que, no despertar de cada alvorecer, parece querer nos fazer entender que, apesar dos pesares, ainda vale à pena viver no interior.
  
Tenho uma lista de simpatizantes adeptos ao seu sabor que, prazerosamente, a cada colheita anual são presenteados com algumas dezenas de seus frutos. Vinte e seis no total. O ano que me esqueço de alguém é um Deus nos acuda! Razão pea qual, carinhosamente, o apelidei de CAQUI DOS AMIGOS.

Acho que me alonguei demais. De momentos, vou ficando por caqui.

Crônica e foto: Serjão Missiaggia

segunda-feira, 1 de maio de 2017

SE ESSA RUA FOSSE A MINHA


QUEM SE LEMBRA DE HISTÓRIAS VIVIDAS NESSA RUA???

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

TODA CASA TEM UM CASO


QUEM É CAPAZ DE CONTAR UM CASO DESSA CASA???

CASA DA SEMANA PASSADA - A casa do Sebastião Carlos Leite foi reconhecida pela Edna Ferrainolo.

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

CASOS CASAS & mistério???



ONDE É ESSE LUGAR???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - A resposta mais completa foi do Márcio Velasco: "Aí morou o meu amigo e companheiro de música Rubens Pinton, depois foi sede da Comunidade Cristã Evangélica e hoje e a casa do Batuta". Também acertaram: Tânia Bezerra e Lúcia Helena Albuquerque Knop.

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

BRIGADU, GENTE!

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VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL