sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A MALDIÇÃO DO NUMTEFALEI


Não há nada mais irritante, mais estressante, mais odioso do que o NUMTEFALEI!

Vou exemplificar: numa sexta-feira à noite, você cansado, vai levar a família numa nova pizzaria que fica num determinado bairro. Depois de umas duas horas de espera (maquiagem, roupas, carregamento de celulares), você, finalmente, consegue colocar a turma no carro. A esposa, cheirosa, senta-se ao seu lado e, por um minuto, você acha que a tal reunião semanal de família pode até ser uma boa ideia. Chove.

No meio do caminho, numa quebrada meio sinistra, o carro apaga. Ninguém se mexe, lógico. Você sai e abre o capô só pra posar de macho, pois, na realidade, não entende nada daquela barafunda de fios. Sem saber o que fazer, você volta, resfolegando e ensopado, só para ouvir a “bonita” dizer:
- NUMTEFALEI que esse carro não presta?

A vontade que você tem é de sair correndo morro abaixo, ir até Brasília e, vestido de homem-bomba, exigir o fim da Lei Maria da Penha.

Mas o NUMTEFALEI não se restringe apenas às esposas. É comum você fazer alguma coisa no trabalho e, quando aquilo dá errado, surge o Chefe (sempre ele!), e diz:
- NUMTEFALEI que não ia funcionar??? – É lógico que não iria, pois chefes, normalmente, sempre falam que TODAS as suas ideias não vão funcionar. E, quando funcionam, fazem de conta que nada ocorreu.

Imaginem o Lula, naquela manhã fatídica de 1º de setembro do ano passado, já meio puto porque o Coríntians tinha empatado com o Fluminense na véspera e o impeachment da Dilma, consolidado. Aí, chega a Dona Marisa Letícia e diz:
- NUMTEFALEI que esse Temer não prestava? – Imagino a resposta dele:
- Fica quietinha aí, senão vou lá em Atibaia e quebro aqueles dois pedalinhos cafonas que você comprou na 25 de Março!

Tenho uma vizinha aqui, acho que ela é de Mar de Espanha, a dona Conchita. Essa aí é insuportável. E o pior é que, telespectadora ativa do Jornal Nacional, vem sempre trazer as “novidades”. Há umas três semanas, encontrei-a radiante, na portaria do meu prédio:
- O STF suspendeu o Aécio, NUMTEFALEI? Aquilo é traia ruim – disse ela.

Anteontem, nem precisa dizer, volta ela de novo, sorrindo:
- O Aécio voltou, NUMTEFALEI?

E é desse jeito. Assim caminha a humanidade. Importante é ter SEMPRE razão, NUMTEFALEI?

Crônica: Jorge Marin
Foto     : disponível em: https://www.dreamstime.com/stock-photo-aggressive-wife-stressed-husband-gun-room-image47968510

MÚSICAS QUE O PITOMBA ESCUTAVA


SEMPRE EM NOSSA MENTES...

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A DANÇA DOS TALHERES


Ultimamente, venho observando muito este vai e vem dos talheres que tem ocorrido em minha mesa.  Por sinal, fato este que também acredito acontecer na maioria das famílias.

Acho até que, pelo simples fato de nunca termos tido aqui em casa uma auxiliar doméstica e eu ter me prontificado a exercer a nobre missão de estar sempre colocando os talheres na mesa, esse fato tenha despertado tanto minha atenção.

Para ser sincero, acho mesmo que este vai e vem dos talheres, que vai se estendendo ao longo da vida, oferece uma excelente oportunidade de estarmos exercitando um pouquinho mais nossos neurônios.

Geralmente, tudo começa no início do casamento quando a rotina das duas unidades deixa, por um bom tempo, nossas sinapses um tanto acomodadas e preguiçosas. Período dos pares, onde dois pratos, dois talheres, dois copos, por sinal geralmente idênticos, ditam o dia a dia do casal.  E este marasmo psicomotor vai se perpetuando por um bom tempo até que, com a chegada do primeiro filho, a coisa começa a mudar.

E foi o que ocorreu comigo, quando, repentinamente, tive que começar a exercitar o número três, ou seja, três pratos, três talheres, três copos, além, é claro, das três xícaras e os respectivos três pires no café. Isso pra não falar das constantes variações de cores e modelos que começavam a surgir. 

Com a chegada de meu segundo filho, mesmo demorando um pouco a me condicionar, fiquei por um bom tempo e, automaticamente, fazendo do número quatro, meu norte, ou seja, quatro pratos, quatro talheres, quatro copos juntamente com as quatro xícaras e seus respectivos pires no café. E as novas cores e modelos iam, cada vez mais, se misturando na mesa e na minha cabeça também.

Daí pra frente, vão surgindo as constantes variantes que sempre acontecem nas chegadas das visitas, dos familiares, nas idas e vindas dos filhos ou mesmo na ausência de alguém.  Se, por um lado, embaralham um pouquinho mais, por outro estimulam sobremaneira novas células nervosas.

O feriadão se foi e mais uma vez a vida segue girando, no rodízio das cadeiras e na dança dos talheres.

Hoje serão dois pratos e dois copos...

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : disponível em https://www.dreamstime.com/stock-image-family-dinner-image26440591

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

BELEZAS DA TERRINHA


CÉUS DE OUTUBRO...

Foto de hoje: Serjão Missiaggia
Trat.imagem; Jorge Marin

TODA CASA TEM UM CASO


QUEM SABE ALGUM CASO DESSA CASA???

CASA DA SEMANA PASSADA - A casa do saudoso Neném Itaborahy, nosso querido maestro, foi primeiramente reconhecida pelo Márcio Velasco, que lembrou que, naquela parte de cima, morava a dona Zenith (do Cine Brasil e da Rodoviária). Graça Mendonça, que também morou na casa, lembrou que ali nasceu o seu caçula, o Mr. Webones Márcio Sabones.

Foto de hoje: Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

FEDIDOS NO ESPAÇO


Pessoal, como vocês devem ter visto na homenagem que me fizeram no Face, cheguei, graças a Deus, aos meus sessentinhas. Agradeço a Deus porque a saúde, a alegria e a energia continuam intactas. Porém, quando leio o noticiário, percebo-me estranhamente GAGÁ.

Não que eu esteja demente, mas, lendo as notícias e olhando os comentários, muitas vezes odiosos, das pessoas, percebo que estou com sérias dificuldades em lidar com os novos tempos.

Vou dar um exemplo, e peço que não atribuam qualquer intenção ou gesto político ao fato que vou relatar. É só um exemplo de um fato atual e da minha dificuldade em entendê-lo.

O prefeito de uma grande capital instituiu um programa municipal de combate à fome, no qual aproveita sobras de alimentos das indústrias produtoras (que estejam próximos ao vencimento de sua data de validade) para produzir um composto alimentar, um granulado nutritivo, que, segundo a prefeitura, serviria para ser adicionado à alimentação ou mesmo utilizado na fabricação de pães, bolos, massas e sopas.

Embora eu apoie toda campanha de combate à fome, essa iniciativa me pareceu esquisita, pois, em meu julgamento, o tal composto parecia mais uma ração. Vicentino que fui (dizem que a gente nunca deixa de sê-lo), entendo que a alimentação que vai ser distribuída aos pobres não pode ser de qualidade inferior SÓ PORQUE ELES SÃO POBRES.

Além disso, acho que alimentação não são apenas nutrientes, mas inclui o prazer de saborear alimentos frescos, saborosos e saudáveis. E esse tipo de alimentação, mesmo para os pobres, é possível, primeiro porque o nosso país é um dos maiores produtores de alimento DO MUNDO. E, em segundo lugar, porque isso JÁ FOI FEITO, em nível nacional, pois o nosso país recebeu um prêmio da FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, JUSTAMENTE porque saímos do chamado Mapa da Fome das Nações Unidas.

Pois bem, concluí tudo isso do alto dos meus sessentanos, quando, para meu espanto, leio, nos comentários, várias pessoas falando sobre o assunto, dizendo que o prefeito está certo, que quem está passando fome não tem direito de escolher cardápio, e outros especialistas dizendo que o balanceamento dos nutrientes está correto.

Meio que duvidando da minha capacidade de julgamento, leio agorinha uma entrevista do tal prefeito, na qual ele usa um argumento para detonar com minha percepção: diz ele que essa ração é a mesma que os astronautas comem. Agora é que eu fiquei confuso de vez. Será que ele pretende enviar os pobres para o espaço???

Crônica: Jorge Marin

MÚSICAS QUE O PITOMBA ESCUTAVA


SEMPRE ÓTIMOS.

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL