Gente,
não estou dando conta. Acho que todos os redatores estão tomando afrodisíacos.
Porque, ultimamente, o assunto nos sites de notícias, e, por tabela, nos faces e zaps da vida é um só... SEXO!
Um
deputado embute, num projeto de lei sobre licença-maternidade, um dispositivo
contra qualquer tipo de aborto. A justificativa, que a maioria dos elementos da
comissão que analisou o projeto e o endossou, é cristalina: “na hora do sexo,
ela não pensou nas consequências”. Como se a gravidez fosse um castigo para a
pessoa que cometesse aquele crime hediondo: fazer sexo. E quando alguém
argumenta: ah, mas e no caso do estupro? A resposta é impressionante: “certamente
ela não foi estuprada à toa”.
Aí, vamos
para as notícias da cidade, e uma polêmica mobiliza todos os recursos da Câmara
de Vereadores: um professor resolveu levar uma drag queen num colégio para discutir questões de gênero. Até aí, uma
iniciativa, curiosa, de chamar a atenção para os papéis feminino e masculino.
Mas, nossos representantes, preocupadíssimos com a família, entendem que, vendo
aquele rapaz vestido de menina, os meninos vão passar a fazer sexo com os ouros
meninos e as meninas a fazer sexo com outras meninas.
Aliás,
sobre essa questão adolescente, há um vídeo viralizando no YouTube no qual um
menino de 14 anos e outro de 12 se beijam ante um sugestivo bolo de aniversário
com a estampa do cantor transformista Pablo Vittar. Se fosse um menininho e uma
menininha, todos diriam: “ah, que bunitim”. Mas, ante a “ameaçadora” estampa do
cantor (mesmo em papel de arroz), e, principalmente, porque são dois meninos, o
cenário já é de sexo perverso. Nos comentários, pais e mães clamam pela volta
dos militares (?).
Na página
de Artes e Celebridades, então, a coisa é séria: são abusos sexuais, estupros, traições,
exibicionismos, voyeurismo, e até o outro lado do paraíso pode ter uma conotação
sexual depois do pega-pega. E no chão do garimpo.
Não,
pessoas, não é que eu não goste de sexo. O que acho chato é ficar sexualizando
tudo o tempo todo. Cansa. E, o que é pior, quando sexualizam é SEMPRE para
desqualificar.
Aí,
resolvo ir para a página de política. Pelo menos, aqui vou ter um pouco de
sossego – penso. Mas, quando começo a ler a lista de direitos trabalhistas
retirados da noite para o dia, e, o que é mais grave, a lista dos requisitos
que a nova lei da previdência vai impor às pessoas que sonharem em se
aposentar, as palavras estupro, abuso, sacanagem e outras menos publicáveis
começam a passar pela minha cabeça.
Será
contagioso???
Crônica:
Jorge Marin
Foto : disponível em https://plus.google.com/116491575916450254764
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