quarta-feira, 2 de agosto de 2017

HÁ POUCO TEMPO ATRÁS NA TERRINHA


Observando a bucólica paisagem urbana dessa fotografia, e acompanhando vez ou outra nas redes sociais os calorosos debates sobre TRÂNSITO, LIMPEZA URBANA e, principalmente, SEGURANÇA, fiquei a pensar como as coisas mudaram de maneira tão rápida, sobretudo após a virada do século. Fazemos parte de uma geração que, hoje meio que atordoada, fica a se perguntar, a todo o momento, o que teria levado a tudo isso. É quando fatalmente ficamos a lembrar de alguns fatos e costumes que, infelizmente, se tornaram realidade, apenas para um passado não muito distante.

Num piscar de olhos, os parapeitos de nossas janelas foram sendo substituídos por grades, enquanto as varandas foram se transformando em verdadeiros presídios. Imensos muros começaram a surgir frente às casas, quase sempre com cercas elétricas, arames farpados e monitorados por câmaras, enquanto os belos balaústres, antes objetos de boas-vindas e decoração, foram dando lugar a tijolos e ferragens. Pasmem, mas até a altura das janelas eram aproveitadas para uma boa prosa.

Da mesma forma, poucos acreditariam que, há pouquíssimo tempo atrás, o padeiro deixava, ainda de madrugada, o pão quentinho em nossa varanda, que ali permanecia intacto até que acordássemos pra pegá-lo.

Lembranças também daquela porta que ficava encostada, com uma cadeira, até o dia clarear aguardando somente nossa chegada.  Das janelas totalmente abertas nas noites quentes de verão, ou da calmaria dos encontros e desencontros nas madrugadas frias de serenatas e dos bailes da vida.

Colocávamos o cesto de lixo na porta de nossas casas, e ali ele permanecia até que o caminhão passasse pra recolhê-lo.  Ainda não havia cães abandonados pelas ruas, e nenhum lixo era espalhado pela calçada. Cada um era responsável pelos seus resíduos, tarefa com a qual, de maneira harmoniosa, todos colaboravam MUTUAMENTE, respeitando os horários e a rotina do recolhimento. Difícil crer, mas antes era bem mais fácil jogar papéis na lixeira, do que ter o trabalho detoná-las. Havia até certo orgulho em estar preservando um determinado PATRIMÔNIO PÚBLICO, e praças e jardins faziam parte dele.

Mesmo reconhecendo que houve um aumento significativo (e põe significativo nisso!) em nossa frota de automotores, o trânsito antes fluía de maneira RESPEITOSA, e não se comentava sobre POLUIÇÃO SONORA e VELOCIDADE. Havia mais TRANQUILIDADE, sendo que a maioria das pessoas optava mesmo por deixar seus carros em casa. Estabelecia-se mais LIMITE, e todos conviviam em função também de seus DEVERES, valorizando aquilo que seria o mais sensato e benéfico para a maioria. Difícil aceitar que hoje famílias são prejudicadas dentro do sossego de seus lares, devido aos excessos de alguns em nossas ruas. Não podemos esquecer que POLUIÇÃO SONORA também é uma forma de VIOLÊNCIA.

Enfim, ficaríamos aqui citando dezenas de outras coisas, assim como seria utopia alimentar a esperança de que tudo um dia poderia voltar a ser como antes. De qualquer forma, se não podemos mais ter o velho padeiro a nos trazer o pão ou deixar nossas portas e janelas como antes, quem sabe, COM CADA UM FAZENDO SUA PARTE, algumas soluções poderiam, pelo menos, ser amenizadas?

Crônica e foto: Serjão Missiaggia

Um comentário:

  1. Boa crônica.
    Antes dos 1900, os costumes, a cultura, a tecnologia etc levavam mais de cem anos para mudar. Inclusive, eram mudanças vagarosas, o que permitiam uma adaptação calma das pessoas. De 1900 para cá as mudanças tornaram-se velozes. De 1950 para cá, então, tornaram-se a jato. Nossa geração, neste aspecto, foi altamente prejudicada, pois nossas mentes não estavam preparadas para este tipo veloz de mudanças.
    Fico a pensar no que será o mundo daqui para a frente. Espero que as novas gerações já nasçam com um cérebro preparado para acompanhar tantas mudanças, atualmente quase que diárias.
    Seriam tais mudanças um sinal do fim dos tempos?

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