quarta-feira, 30 de setembro de 2015

NOSSO CLUBE DE LEITURAS E O CONVITE INESPERADO


Pra terminar, e ainda lembrando algumas passagens pitorescas de nosso inusitado grêmio literário, não tive como esquecer quando, certa vez, fomos convidados a fazer uma apresentação para a turma da primeira série. Chique, não? Se bem que não teríamos que andar muito, pois a tal sala ficava bem do outro lado do corredor.                                       

Esse convite nos foi feito por nossa eterna mestra de português, dona Cinila, que na época, era a professora apenas da referida sala. Mas, ainda antes, gostaria de lamentar a ausência de alguns colegas nessa fotografia, entre eles o protagonista principal destas histórias. Será que, no momento da foto, estaria descansando naquela bela matinha do colégio, que terminava na Travessa Padre Condé? Mas, isso já é outro assunto.

Convite feito, convite aceito, e pra lá nos dirigimos, pasmem, sem um ensaio sequer! Seria barbada, pensávamos nós. Afinal de contas, não haveria o que se preocupar e muito menos ficar ensaiando, pois era uma apresentação pra garotada de primeiro grau, e iríamos, com nossa “vasta” experiência, dar aquele show.  E foi justamente aí que nos estreparíamos mais uma vez!

Quando chegamos, e ainda do lado de fora, percebemos, antes de entrar, que a coisa era bem mais solene do que imaginávamos, e que outras séries e professores haviam também sido convidados. O clima de seriedade reinante não estava nada favorável, principalmente, diante da expectativa de uma bela apresentação daqueles que já estariam na terceira série. Nós, claro!

Quando a mestra nos viu, foi de imediato anunciando nossa presença e nos convidando a entrar. Fazendo nossa apresentação, solicitou a todos que permanecessem em absoluto silêncio e prestassem bastante atenção, pois iriam assistir a uma verdadeira aula de clube de leituras. Para completar, disse que aquela seria uma ótima oportunidade para que pudessem aprender com os mais tarimbados. ”Tamo” lascado, alguém sussurrou no meu ouvido! Pior, é que estávamos mesmo!

Pra variar, não havia até o presente momento, nada ou quase nada programado e muito menos um santo roteiro em minhas mãos. Como iria me orientar, ou simplesmente, dar início à reunião? Só não poderia perder a pose, pois, como “chefe de estado” eleito democraticamente por maioria dos votos mais um, minha obrigação seria a de conduzir serenamente a turma. E foi o que eu fiz, ou pelo menos, tentei fazer.

Silêncio total e, sob uma imensa expectativa da meninada e demais convidados, lá fui eu sentar mais uma vez à mesa. Até então, única certeza que tinha era soltar, em alto e bom som aquela velha e celebre frase: ESTÁ ABERTA A SESSÃO. E assim foi.

Diante de salva de palmas, alguém sorrateiramente aproveitou o momento, e me passou um papel por debaixo da mesa. Fui tomado de certo alivio, pois sabia que, possivelmente, seria o roteiro que teria que seguir.

Gelei de vez ao perceber que nossa última atração seria, nada mais nada menos, do que Lelé Bellini contando piadas. Meu Deus!  Isso é nitroglicerina pura! E se ele resolver contar novamente aquela da CANDINHA SAFADINHA? Pior que eu já havia tomado lugar à mesa, e não haveria como interceptá-lo.

Enquanto algumas atrações iam rolando normalmente, eu ficava tentado com bastante sutileza me comunicar com ele. Pra piorar ainda mais a situação, sentou-se justamente na última carteira e, com a cabeça baixa, possivelmente ensaiando a Candinha, pouco atinava para meus dramáticos apelos. Candinha safadinha não! Candinha safadinha não! Tentava em vão alertá-lo com gestos e sinais, toda vez que olhava pra mim.

Não teve jeito mesmo e, após anunciá-la como última atração, pensei comigo: seja o que Deus quiser. Afinal de contas, uma Candinha a mais, uma Candinha a menos, não fará diferença mesmo. Foi quando, pra minha sorte, ao passar frente à mesa, num último e dramático apelo, sussurrei ventricularmente em sua direção: “Candinha não! Candinha não!” E assim fui salvo na última volta do ponteiro.

Ainda pra terminar, teríamos que ficar e assistir à apresentação da meninada. Não diria que aprendemos com eles, mas foi um verdadeiro passeio, pra não dizer, um humilhante show de bola. Antes tivesse liberado a Candinha! 

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : acervo do autor

2 comentários:

  1. Um fato digno de registro e que somente agora fui me lembrar, foi quando certa vez, ainda antes de nosso querido mestre de português chegar, havíamos retirado e escondido a mesa no final da sala. Imaginem sua surpresa e desapontamento ao se aproximar um tanto distraído pra sentar e perceber repentinamente, que havia sumido? Sentamos todos em cima dela e como se nada tivesse acontecido, simplesmente, dizíamos que não havíamos ainda atinado pelo ocorrido. Claro, com muito respeito, devolvemos momentos depois..

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    1. Obrigado, como se vê, mais uma dos Anjinhos!

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BRIGADU, GENTE!

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