sexta-feira, 25 de novembro de 2011

RELEITURAS: O PRIMEIRO BAILE

Encarte do disco Close to the Edge, do YeS

LADO A: 1972... O ANO EM QUE FIZEMOS BARULHO!

1972 foi um ano muito louco para todos nós. Nós quem, cara pálida? Ora, pra quem gosta de festa e música e tal.
Pra começo de conversa, quem aí já ouviu falar no Sesquicentenário da Independência? Pois é: dia e noite, ficavam martelando na cabeça da gente aquela musiquinha ridícula: “fato extraordinário / sesquicentenário / da Independêeeeencia...
Mas aconteceram coisas legais, e tristes também (foi o ano em que morreu Leila Diniz e também do incêndio do Edifício Andraus em São Paulo). Mas, enquanto isso, no mundo da música:
- o tal do João Ricardo começa a ensaiar com uma nova formação para sua antiga banda – os Secos & Molhados – agora com um cantor novato chamado Ney Matogrosso;
- o Deep Purple gravou Machine Head, com a música Smoke on the Water;
- o Yes grava Fragile e, o meu preferido, Close do the Edge;
- Jethro Tull grava Thick as a Brick;
-Black Sabbath grava Vol. 4 com a música Changes;
- ah, mas tem uma nota triste também, porque, nesse ano, acabou o Creedence.

Bom, mas nada disso tinha importância pra nós, porque, todo sábado, a gente se encontrava e assistia Sábado Som, e depois ficava tentando “tirar” as músicas, os solos e até os trejeitos dos caras.
À noite, estávamos todos no Operário, num baile do conjunto N-5, os antigos Cobrinhas, e a Nely Gonçalves tinha dito pra gente que, qualquer hora dessa, vou chamar vocês prum pega. Dar um pega é o mesmo que dar uma canja, isto é, durante a apresentação de um conjunto (o que chamamos de banda hoje), outro conjunto/banda é chamado ao palco pra tocar algumas músicas.
- Será que ela tem coragem de fazer isso? – alguém perguntou.
Todos riram:
- Ah, é sacanagem da Nely. Só se ela fosse louca ou estivesse bêbada.
Só que a gente se esqueceu é que aquela mulher era louca (acho que é até hoje) e, principalmente, tinha tomado todas. Aí pegou o microfone e falou:
- GENTE! Quero anunciar, com muita alegria, a chegada de um novo grupo musical na cidade. Apresento a vocês... o GRUPO PYTOMBAAAAAA!!!

Como a garotada diz hoje: E AÍ VÉI????

(Crônica: Serjão Missiaggia / Adaptação: Jorge Marin

terça-feira, 22 de novembro de 2011

RELEITURAS - AS MANGAS ROLAM EM SÃO JOÃO 2 - HABEMUS PYTOMBA!

É NÓIS!

São João Nepomuceno, 22 de novembro de 1971. Segunda-feira.
Parou a chuva. Vai acontecer: O PRIMEIRO ENSAIO.
Fechados, dentro do Barracão, começamos a tocar os instrumentos. É lógico que é um momento só nosso. É o início de um sonho. Nós, a música, a magia... MAS...

Passando por ali, de carro, aquela figuraça (até hoje) Guilherme Bellini, ouvindo a barulhada e vendo o piscar das luzes, saiu pela rua convidando a todos que via para um “baile na casa do Sílvio Heleno”. A mãe deste, dona Mariana não conseguia entender a multidão de jovens passando pela sua cozinha e preferiu fechar a porta e esperar aquilo tudo acabar. Enquanto isto, o som rolava solto até a noite, e a galera dançou até que não restou manga sobre manga. Depois, tranquilos e calmos, todos saíram como se nada houvesse acontecido, enquanto dona Mariana ainda avaliava se poderia abrir sua porta com segurança.
O repertório oficial incluía músicas como My Pledge of Love, Isn’t It a Pity, What’s Life, It Don’t Come Easy. Como se vê, a influência dos Beatles era clara.
Mas quem eram os componentes fundadores do Pytomba?
- guitarra solo, SÍLVIO HELENO;
- guitarra base e voz, DALMINHO;
- bateria, SERJÃO;
- baixo MÁRCIO VELASCO;
- iluminação: RENATINHO ESPÍNDOLA.
Os primeiros aparelhos e instrumentos eram exclusivos e feitos especialmente para a banda: enquanto os outros utilizavam a bateria Pinguim, a do Pytomba – de origem desconhecida - era a Urso Polar, na verdade um surdo com esteirinha, um bumbo com pedal e um prato com arrebites. Os conjuntos comuns usavam um amplificador de voz Plantronics A100, mas o do Pytomba era o A(sem)nada e seus alto falantes pulavam alegremente pelo chão. Os violões possuíam cristais, o chifre era de boa qualidade, mas os dois microfones eram aqueles de gravador, apoiados num sofisticado pedestal Zebra, nada a ver com os genéricos da marca Girafa. As luzes, ou ambas as luzes, eram lâmpadas de Natal, giradas vigorosamente pelo iluminador. Os leigos, que não entendiam aquela revolução musical, indagavam por que não uma bateria Super Pinguim, aparelhos de guitarra e baixo Plus ou Super Tremendão, aparelhos de voz A100 ou A200, microfones Surian ou AKG, pedestais Girafa, baixo e guitarras Fender, câmara de eco, gelo seco e um órgão Caribbean?
A resposta era simples:
- Porque não!

Hoje, 40 anos depois, pensamos: o que é que nós fizemos? Pegamos alegria, juventude, amizade, sensibilidade e amor à vida. E cantamos e tocamos e demos muita risada.
Agora, neste exato momento, dentro dos nossos corações, tudo continua do mesmo jeito. Só o tempo que passou.

(Crônica: Serjão Missiaggia / Adaptação: Jorge Marin)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

RELEITURAS - AS MANGAS ROLAM EM SÃO JOÃO 1

Foto de Sílvio Heleno Picorone (A pítombeira)

São João Nepomuceno, 20 de novembro de 1971. Domingão!
Hoje, depois da missa, ficamos sabendo de uma notícia terrível: um desabamento, no Rio de Janeiro, do elevado sobre a Avenida Paulo de Frontim, matou 22 pessoas e feriu mais de 100! . O governador Negrão de Lima decretou luto oficial.

Criar um conjunto de rock não é tarefa assim tão fácil. A começar pelo nome: uns queriam Derruba Clube, mas, para a época, o nome parecia subversivo demais. Até que se criou um consenso de que o nome ideal seria Pitomba na Oreia. Como não se sabia, no dia em que o nome foi escolhido, a pitomba é a fruta da pitombeira, mas o significado que se queria era mesmo o de um “tapa na orelha”. Alguém foi buscar um dicionário (geralmente um chato), descobriu que os dois significados estavam corretos, mas sugeriu:
-Por que não colocamos Talisia Esculenta? Levou imediatamente diversas pitombas.
Os primeiros ensaios foram realizados no barracão do Sr. Anginho Picorone, que resolveu transformar este “cavern club” do Pytomba em um depósito de mangas. Esta situação inusitada, de dividir os ensaios com aqueles frutos em fase de amadurecimento, em nada perturbava os ensaios da garotada. Afinal, o conjunto também ainda estava verde.
É importante ressaltar aqui que o citado barracão ainda existe, está aberto á visitação pública de segunda a domingo e, a exemplo da ex-casa de Elvis Presley, chamada de Graceland, este importante local também deverá ser tombado como patrimônio cultural da municipalidade, sob o nome de Mangoland, ou Pytombaland.
Num dos ensaios, um grande temporal assolou a cidade, destelhando quase completamente o galpão. A luz acabou, e ali, no escuro, molhados junto com as mangas empapadas de barro, só uma certeza manteve o grupo unido. Não, não era aquela fé de que um dia seremos famosos, mas sim: “Salvem a pareiage!” (que, como era de se esperar, era toda emprestada).
Foi uma grande decepção, não pela aparelhagem – afinal eram apenas bens materiais – mas sim com a interrupção de um ensaio tão fantástico, apesar do temporal, apesar da falta de luz, apesar do teto sem telhas e apesar de estarem todos atolados no barro até as canelas. Num mar de mangas!

Ah, e naquela tarde de domingo, o Atlético Mineiro derrotou o Vasco por 2x1 (gols de Ronaldo, Humberto Ramos e Ferreti), o Botafogo empatou com o Grêmio por 1x1 (gols de Zequinha e Joãozinho) e América e Cruzeiro ficaram no 0x0 no Rio.

(Crônica: Serjão Missiaggia / Adaptação: Jorge Marin)

domingo, 20 de novembro de 2011

CONCURSO INTERNACIONAL PYTOMBA 40 ANOS!!!


BLOG DO PYTOMBA VAI PREMIAR O VISITANTE NÚMERO 30.000.

Este você não pode perder: numa parceria exclusiva com o TÚNEL DO TEMPO, vamos premiar o visitante número 30.000 do blog, com o seguinte prêmio:
>>> TOUR PELO BARRACÃO DO SR. ANGINHO PICORONE, com direito a desfrutar a energia irmanada pelo local, visita ao ponto da explosão da histórica Bomba XB3/4 e foto, com celular, exatamente no marco zero do Grupo Pytomba.
Ah, e estamos negociando um cafezinho com o Sílvio Heleno (sem pão!), mas tá difícil.
PARTICIPE: é só fotografar a tela de seu PC, provando que você é o visitante 30.000 e entregar ao Serjão, ou ao Sílvio Heleno, ou para o e-mail pitomba.grupo@gmail.com e pronto: você vai direto para as páginas musicais da História, junto com o Pytomba.

RELEITURAS: O PRINCÍPIO DO INÍCIO 5

Fotos publicadas no site www.util.com.br

São João Nepomuceno, 20 de novembro de 1971, sábado.
Hoje, nas bancas, uma notícia triste: devido às chuvas em Belo Horizonte, 22 pessoas morrem soterradas pelo lixo que era colocado numa colina pela prefeitura.
Hoje, começam também as semifinais do Campeonato Nacional: tem Palmeiras x Coritiba no Pacaembu e Inter x Santos no Beira-Rio.
Hoje, fiquem tranquilos: não vamos falar sobre o Brito. Em compensação, Jairzinho e Djalma Dias obtiveram efeito suspensivo no STJD e jogam contra o Grêmio amanhã.
Engraçado, a gente fala de futebol porque, naqueles tempos, de censura brava, tudo o que podíamos ver, nos jornais, era futebol e notícias internacionais.

O prefeito – Bolote – inaugurou as novas lâmpadas de vapor de mercúrio, que deixariam a cidade iluminada como nunca.
O padre Vicente abriu a Igreja para os jovens, e os violões animavam as missas, os encontros, as gincanas e as campanhas de Natal e inverno.

Ah, e pra quem diz que só damos notícia de futebol, vamos falar de cinema: hoje, o diretor sueco Ingmar Bergman anunciou seu casamento, pela sexta vez! Deus me livre e guarde, diz minha madrinha, e se benze.

O grande barato era a luz negra e as bebidas da moda eram Gin Tônica, Cuba Libre, Campari, sem esquecer a Batida de limão e o Rabo de Galo.
Pois bem: foi neste cenário, ao mesmo tempo ingênuo e vibrante, conservador e psicodélico, mais precisamente depois de amanhã, que um grupo de rapazes vai se unir, imaginando estar um dia num grande palco, com suas músicas reconhecidas e cantadas por todos.
Ali vai começar a nascer, mais do que o simples sucesso – que é efêmero – um sonho que jamais irá morrer, pois este é o lema do grupo, O QUE SEMPRE FOI SEM NUNCA TER SIDO. Será?

(Crônica: Serjão Missiaggia / Adaptação: Jorge Marin)

RELEITURAS: O PRINCÍPIO DO INÍCIO 4

Os Cobrinhas arrasando!

São João Nepomuceno, 19 de novembro de 1971, sexta-feira (oba!)

Sexta-feira, normalmente, a gente ficava até mais tarde na rua.
Hoje é Dia da Bandeira e nas televisões e nos jornais só se fala em ordens do general Geisel ou homenagem do Presidente Médici, além de propagandas de forte cunho nacionalista nos jornais: Coopersucar, Banco do Brasil e outras falam do pavilhão nacional. Hoje, poucos se lembram até que a bandeira tem dia.
A cena urbana sanjoanense mesclava lojas (como: A Brasileira, Tipografia, O Guri, Americana, Casa Leite) e os bares Dia e Noite e Floriano, onde todos se cumprimentavam e tomavam um café, ou uma cerveja.
O futebol vivia de saudades: as torcidas de Mangueira, Botafogo e Operário, lembravam os clássicos inesquecíveis, e torciam pelos times do Rio: o Botafogo era a base da Seleção Brasileira, mas perdeu o título carioca, com um gol roubado no último minuto.
Impossível falar do Botafogo sem voltar ao assunto, que já está ficando chato, do Brito. Ontem, o Supremo Tribunal Federal deu um parecer sobre esses casos de empregado impedido de trabalhar. O Botafogo pretende entrar com um recurso, e fala-se até em um possível indulto de Natal que o Presidente Médici poderia conceder, devido ao fato do Brito ter sido tricampeão mundial. E domingo tem Botafogo x Grêmio.
A Rádio Mundial AM era a onda do momento, e o grande sucesso eram as músicas internacionais. O LP (alguém se lembra do vinil?) Explosão Mundial era um grande hit: o lado A começava com There’s no more corn on the Brasos, depois vinha Mammy Blue, Imagine, You’ve got a friend, A poor mans e Joy. O lado B começava com Summer’s holliday, e depois Pop Concerto Show, World champion fool, Rain e Soley soley.
Os grupos musicais, presentes em todos os bailes de formatura e debutantes, eram os Solfas, TNT e CBV, enquanto a prata da casa, os grupos locais, eram Os Cobrinhas e Som Livre, comandados, respectivamente, pela Neli Gonçalves e pelo Sebastião Cri-Cri.
Epa, vou pra casa mais cedo, porque na TV Globo tem Sexta-feira Nobre e hoje o show é com a Elis Regina. Será que ela vai cantar Estrada do Sol?

(Crônica: Serjão Missiaggia / Adaptação: Jorge Marin)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

RELEITURAS: O PRINCÍPIO DO INÍCIO 3

Foto publicada em http://caminhosverdesdeminas.com.br

São João Nepomuceno, 18 de novembro de 1971, quinta-feira.
A cidade, meio agitada, já preparava a organização de sua primeira Exposição Agropecuária e Industrial!
No murinho do Adil, muitas fofocas rolavam enquanto, entre uma paquera e outra, o tempo passava lentamente, como se não existisse.
No Bar do Bode, encontros e desencontros aconteciam enquanto, no auge do sucesso, Rubro Bar, Zoom Frutas e Botachopp faziam à cabeça e os passos da moçada.
Na “pedra da tipografia”, mural da Voz de São João, a notícia “bomba” era a suspensão do zagueiro Brito, do Botafogo, por um ano, por agressão ao juiz no jogo contra o Vasco.
E agora, perguntavam-se os botafoguenses: como é que o técnico Paraguaio vai escalar o time? O Djalma Dias e o Jairzinho também estão suspensos, e nem amadores o Botafogo tem, pois eles estão com a Seleção Brasileira na Colômbia.
Passado o clamor do futebol, a vida voltava ao normal nas ruas de São João.
As fábricas Sarmento, Dragão e Sylder, mais as de ferraduras, tampinhas, vassouras e outras, ditavam o progresso do município a todo vapor.
O Ginásio do Sr. Ubi era referência para todos, pois lá pulsavam os corações de uma juventude que sonhava, acordada, com um mundo mais justo e melhor. Ideias e energias eram canalizadas em competições esportivas e culturais, além da inesquecível fanfarra, sob a batuta do Beto Vampiro.
O novíssimo Clube Campestre era a nova opção de lazer oferecida pelo Clube Democráticos, enquanto, na sede, e junto com Trombeteiros e Operários, realizavam-se os inesquecíveis bailes de Carnaval, ocasião em que a Rua do Sarmento se enchia de foliões e curiosos, ávidos pelos desfiles das escolas de samba Esplendor do Morro, Avenida e Caxangá.

(Crônica: Serjão Missiaggia / Adaptação: Jorge Marin)

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL