Capa do Jornal da Tarde de 5 de julho de 1982
Capítulo 3: Chora, Toninho Cerezzo!
NA SEMANA PASSADA, era jogo do Brasil na Copa da Espanha, e a Tia Irineia, seu cigarrinho e seu cachorro, esperavam o desenrolar do jogo Brasil e Itália. Pra quem não se lembra, o ano era 1982, nosso técnico Telê Santana. O Brasil havia vencido a Argentina (como é bom!) por 3 x 1, e, como a Itália também havia vencido os hermanos por 2 x 1, jogávamos contra a Azurra pelo empate. Mas, logo aos cinco minutos, vem um cruzamento da esquerda e o maledetto Paolo Rossi (que tinha 1,77 m e nasceu no mesmo mês e ano que eu) cabeceou dentro do nosso gol. Partimos pra cima, e empatamos com um gol do Doutor Sócrates. Mas aí, Cerezzo toca para o lado, Falcão não vai na bola achando que o Luisinho ia, e este também não vai, mas o Paolo Rossi vai e, 2 x 1 para a Itália.
Fim do primeiro tempo e aqui começa nossa escatológica história: nessa hora angustiada, um torcedor, agoniado, resolveu dar uma descidinha para ir ao banheiro. Quando estava sentado no vaso, dando aquela “relaxada”, sentiu uma fumaça estranha que vinha meio que assim debaixo dele. Naquela altura do campeonato (e olha que era copa do mundo), já com a adrenalina à flor da pele, imaginem o susto do nosso nobre colega. Segundo ele, que por sinal, ficou bastante assustado, seria normal a “coisa” ser arriada meio quente, mas com fumaça certamente era um exagero. E o que é pior, com odor de parafina. Nem se eu tivesse engolido um dos nossos foguetes, pensou ele, já em pânico.
Final da história, para não atrapalhar o andamento do jogo: atrás do vaso sanitário, foi encontrada uma imensa vela que, ainda acessa, tentava a todo custo secar o atacante Paolo Rossi. Suando em bicas, e carregando a vela na mão, nosso amigo cagão subiu rindo as escadas, a tempo de ver o gol do Falcão. Num ataque patriótico de alegria, jogou a vela pra cima, e deu no que deu: seis minutos depois, Rossi, aquele que deveria ser secado pela vela, desvia uma bola do escanteio e engana Waldir Perez. 3 x 2 para a Itália. Nosso amigo lembra até hoje: sei que a culpa foi minha, mas aquela vela, que era para secar o ataque da Itália, quase sapecou a minha retaguarda, justifica.
Normalmente, o time de futebol do Pytomba se concentrava na casa da Tia Irineia. Principalmente, se algum jogo fosse no campo do Operário ou Polivalente. Era lá que aconteciam memoráveis preleções: muita música, cafezinho, bate-papo, uma boa cochilada e tal. Só não falávamos de futebol. E, se desse mole, era bem possível esquecermos até do jogo. Se bem que, normalmente, quase sempre chegávamos atrasados. Confesso que, em algumas vezes, era bem melhor ficarmos na sombra assistindo à sessão da tarde, do que sujeitar-nos a subir a pé o resto do morro debaixo daquele sol escaldante. Após o jogo, ao descermos a colina do Rosário, ainda dávamos outra passada por lá, e por lá muitas vezes ficávamos. Se o Papa estiver lendo o nosso blog, vai querer beatificar a Tia, com certeza!
Além dos violões (interessante é que, mesmo havendo um no local, gostávamos sempre de levar os nossos), o Márcio, vez ou outra, “sequestrava” o contrabaixo do conjunto Popsom, juntamente com aquele famoso aparelho Tanderson da Giannini, para ficar ensaiando em casa. Numa dessas vezes, aproveitamos e montamos uma bateria, bem no quarto da Tia Irineia. Aí vocês já imaginam! Essa já dava canonização!
Interessante era que os nossos ensaios, acidentalmente, sempre aconteciam em horários de colégio. Pura coincidência, mas isto sempre acontecia!
Se não estou enganado, esta mesma bateria que, teria sido comprada pelo Márcio em Cataguases, foi ainda, novinha em folha, fazer sua estreia em Argirita, na Fazenda Vitória. Com a grana do baile, pagamos uma ou duas prestações. O restante... Bem... Esta é uma outra história. A única coisa que tenho certeza é que teria sido a primeira e última vez que ela foi usada. Ah, e eu não consigo esquecer a defesa impossível que o Dino Zoff fez naquela cabeçada do Oscar!
(Crônica: Serjão Missiaggia / Adaptação: Jorge Marin)
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
SOBRE O ÓCIO
Arte digital por Shauna
Domingo, meio-dia, com o som do Emmerson Nogueira no MP3 player, estamos, eu e minha esposa, trabalhando febrilmente num projeto: empacotando chup chup para o filho em férias. Meus filhos mais velhos chegam e me corrigem: trabalhando? Mas você não trabalha desde que você se aposentou. Isto que você está fazendo é pura diversão. Paro o meu trabalho (porque é trabalho!) para explicar, primeiro, que aposentadoria não tem nada a ver com parar de trabalhar. Aposentadoria é um acordo pelo qual eu pago mensalmente uma determinada quantia ao estado e este, se o Fernando Henrique não estiver na presidência, me remunera também mensalmente até o fim da minha vida. Ou seja, só porque me aposentei, não significa que eu deva parar de trabalhar. Até mesmo na minha antiga empresa eu trabalhei aposentado.
A segunda observação é que trabalho não tem nada a ver com salário, ou com patrão. Fazer a sobremesa é um trabalho, levar os filhos ao shopping é um tipo de trabalho (e como dá trabalho!). Às vezes, fico impressionado com aquelas chamadas donas de casa, ou do lar: passam o dia lavando, passando, varrendo, arrumando o marido e os filhos, cozinhando, fazendo feira e, se por acaso, não têm um trabalho remunerado, as pessoas perguntam: mas você não trabalha não?
Depois que me aposentei (já avisei ao Serjão para se preparar), são muitas as pessoas que se aproximam de mim e perguntam: você aposentou mas não vai fazer nada? Como se fosse imoral não ter que produzir alguma coisa que gere lucros. O escritor italiano Domenico de Mais criou o conceito de ócio criativo, que é um conjunto de atividades que conseguem congregar descanso, lazer, trabalho e aprendizagem. Na verdade, a pessoa que vive bem, não diferencia muito entre trabalho e lazer, entre estudo e recreação, e até mesmo, segundo o referido autor, entre amor e religião. Ou seja, busco fazer o melhor. Definir se sou trabalhador ou vagabundo, é problema dos outros.
Esta confusão toda tem sua explicação na Grécia Antiga que separava o trabalho intelectual do trabalho braçal. O trabalho intelectual era próprio aos cidadãos gregos, e incluía a dedicação às artes, ao governo, às ciências e ao lazer. Este tipo de trabalho era denominado ócio porque não envolvia nenhuma atividade braçal. Esta, como negava o ócio, era chamada de negócio, e envolvia toda esta história de produção, salário e toda a ralação envolvida. Eram atividades destinadas às chamadas classes inferiores, aos não-cidadãos e aos escravos.
Conclusão: cinco pra meia-noite e eu escrevendo o blog. É trabalho? Eu mesmo não sei: às vezes é pura diversão, mas é uma alegria que vem justamente da realização deste trabalho. E, enquanto vou exercendo este ócio, vou aprendendo e me divertindo. Aqui, no cinema, num teatro, ou lendo um livro, tudo é trabalho, mas também é diversão, e aprendizagem.
Um filho de carpinteiro, que conhecia também do ofício, além de ser profeta, pescador, mestre (Jesus) e, nas horas vagas, salvador da Humanidade dizia: “Tudo o que a sua mão encontrar para fazer, faça-o com todo o seu coração.” Portanto, mãos à obra, mas com muita calma nesta hora!
(Crônica: Jorge Marin)
Domingo, meio-dia, com o som do Emmerson Nogueira no MP3 player, estamos, eu e minha esposa, trabalhando febrilmente num projeto: empacotando chup chup para o filho em férias. Meus filhos mais velhos chegam e me corrigem: trabalhando? Mas você não trabalha desde que você se aposentou. Isto que você está fazendo é pura diversão. Paro o meu trabalho (porque é trabalho!) para explicar, primeiro, que aposentadoria não tem nada a ver com parar de trabalhar. Aposentadoria é um acordo pelo qual eu pago mensalmente uma determinada quantia ao estado e este, se o Fernando Henrique não estiver na presidência, me remunera também mensalmente até o fim da minha vida. Ou seja, só porque me aposentei, não significa que eu deva parar de trabalhar. Até mesmo na minha antiga empresa eu trabalhei aposentado.
A segunda observação é que trabalho não tem nada a ver com salário, ou com patrão. Fazer a sobremesa é um trabalho, levar os filhos ao shopping é um tipo de trabalho (e como dá trabalho!). Às vezes, fico impressionado com aquelas chamadas donas de casa, ou do lar: passam o dia lavando, passando, varrendo, arrumando o marido e os filhos, cozinhando, fazendo feira e, se por acaso, não têm um trabalho remunerado, as pessoas perguntam: mas você não trabalha não?
Depois que me aposentei (já avisei ao Serjão para se preparar), são muitas as pessoas que se aproximam de mim e perguntam: você aposentou mas não vai fazer nada? Como se fosse imoral não ter que produzir alguma coisa que gere lucros. O escritor italiano Domenico de Mais criou o conceito de ócio criativo, que é um conjunto de atividades que conseguem congregar descanso, lazer, trabalho e aprendizagem. Na verdade, a pessoa que vive bem, não diferencia muito entre trabalho e lazer, entre estudo e recreação, e até mesmo, segundo o referido autor, entre amor e religião. Ou seja, busco fazer o melhor. Definir se sou trabalhador ou vagabundo, é problema dos outros.
Esta confusão toda tem sua explicação na Grécia Antiga que separava o trabalho intelectual do trabalho braçal. O trabalho intelectual era próprio aos cidadãos gregos, e incluía a dedicação às artes, ao governo, às ciências e ao lazer. Este tipo de trabalho era denominado ócio porque não envolvia nenhuma atividade braçal. Esta, como negava o ócio, era chamada de negócio, e envolvia toda esta história de produção, salário e toda a ralação envolvida. Eram atividades destinadas às chamadas classes inferiores, aos não-cidadãos e aos escravos.
Conclusão: cinco pra meia-noite e eu escrevendo o blog. É trabalho? Eu mesmo não sei: às vezes é pura diversão, mas é uma alegria que vem justamente da realização deste trabalho. E, enquanto vou exercendo este ócio, vou aprendendo e me divertindo. Aqui, no cinema, num teatro, ou lendo um livro, tudo é trabalho, mas também é diversão, e aprendizagem.
Um filho de carpinteiro, que conhecia também do ofício, além de ser profeta, pescador, mestre (Jesus) e, nas horas vagas, salvador da Humanidade dizia: “Tudo o que a sua mão encontrar para fazer, faça-o com todo o seu coração.” Portanto, mãos à obra, mas com muita calma nesta hora!
(Crônica: Jorge Marin)
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
BIODESAGRADÁVEIS
Arte digital por Air'yn Cochrane
Na semana passada, falei aqui sobre a questão do “politicamente correto”, ou incorreto. É lógico que, a esta altura da vida, não vou assumir uma postura de ser contra tudo e todos. Mas acho muito importante termos em mente que, face a tantos discursos que se dizem corretos, é vital exercermos a arte da crítica, e não nos deixarmos levar por modismos criados em nome do bem-estar global, paz mundial e outros.
Por exemplo, uma coisa, que entendo séria e preocupante, são os “fiscais da sustentabilidade”. Antes eram os “fiscais do Sarney”, que se sentiam no direito de apedrejar qualquer um que estivesse como uma etiqueta na mão, por considerá-lo um antipatriota. Esse é um assunto que mereceria em enfoque engraçado e um sério, para causar reflexões sobre o radicalismo e desrespeito que isso pode gerar no presente e no futuro. Se bobear, daqui a algum tempo, os “xiitas do Greenpeace” vão se sentir no direito de realizar “atentados ecológicos” contra essas pessoas que insistem em lavar a calçada. Não tenho nada contra o trabalho do Greenpeace, mas tudo contra qualquer tipo de radicalismo em nome de uma causa.
Me preocupa o fanatismo: quem soltar um “pum” pode ser apedrejado por estar aumentando o buraco na camada de ozônio, com emissão de gases (pelo menos não vão queimar o porcão – ou porcona - como na Idade Média, porque isto estaria contribuindo para o aquecimento global). A ecologia tem certamente um importante papel na preservação da vida e até mesmo no relacionamento humano, mas corre um sério risco de estar se transformando numa espécie de religião. Teríamos “cruzadas verdes” ou “cruzadas ecológicas” para converter, à força, aqueles que não estão a fim de salvar o planeta, trocando “Deus” por “natureza” e “divino” por “sustentável”.
Repito que as preocupações com as mudanças no planeta são válidas e importantes, mas a falta, ou distorção, de informações é um campo vasto e fértil para que nos deixemos coibir ou enganar. Hoje, tudo se diz “sustentável”. Já pago impostos para caramba (até demais) e querem me obrigar a tomar banho rápido e fechar logo a água. Eu sei que o desperdício é ruim para todos, mas, por favor, deixem-me relaxar um pouco. Quero ter o direito de exercer o meu bom senso!
E, vamos combinar: é muito exagero e muitas regras. O que aparece de gente dos mais diversos tipos, com todo tipo de solução e modos de vida (para a vida alheia) é brincadeira. Já inventaram que o correto é urinar dentro do box, para economizar a água da descarga. E o que virá a seguir? Será que o uso do papel higiênico, após as necessidades (naturais), será considerado antiecológico porque está gerando uma grande quantidade de papel que não pode ser reciclado? Teremos de lavar as “partes”? Mas aí não vamos gastar mais água?
Já sei o que me dirão os militantes da causa verde: Afinal, não custa um pequeno sacrifício em nome de uma causa maior! Vejam o perigo dessa afirmação, pois ela já justificou grandes equívocos na história da Humanidade. Imaginem a quantidade possível de situações, ao mesmo tempo, sérias e engraçadas, que surgem deste politicamente correto sustentável. Daria para escrever um livro inteiro. Coisas do tipo: lave suas camisinhas e dobre-as para o futuro, pois elas demoram 1000 anos para serem absorvidas pela natureza (posso afirmar 10.000 anos, pois a maioria das pessoas não terá interesse ou condição de comprovar a informação), mas se sentirão, de algum modo, pressionados (será que eu sou culpado inadequado neste mundo de pessoas sustentáveis?).
O preocupante é que, como a causa ecológica é nobre (e é mesmo), qualquer sugestão, por mais estúpida que seja, é recebido como uma ideia revolucionária, a ser seguida fielmente, e sem questionamento, por todos. Mas, temos que pensar que, entre toda multidão de moralistas, existem os fanáticos, os infelizes, os frustrados e até os perversos, loucos por uma desculpa para exercitar o seu ódio. Uma causa que é maior do que um individuo isolado, é um excelente álibi para ferrar o próximo.
Para finalizar, dando minha contribuição à causa da sustentabilidade, prometo me manter o mais longe possível de qualquer tipo de pessoa biodesagradável que cruzar o meu caminho. Mas, sem radicalismo: eu até votei na Marina!
(Crônica: Sylvio Bazote / Adaptação: Jorge Marin)
Na semana passada, falei aqui sobre a questão do “politicamente correto”, ou incorreto. É lógico que, a esta altura da vida, não vou assumir uma postura de ser contra tudo e todos. Mas acho muito importante termos em mente que, face a tantos discursos que se dizem corretos, é vital exercermos a arte da crítica, e não nos deixarmos levar por modismos criados em nome do bem-estar global, paz mundial e outros.
Por exemplo, uma coisa, que entendo séria e preocupante, são os “fiscais da sustentabilidade”. Antes eram os “fiscais do Sarney”, que se sentiam no direito de apedrejar qualquer um que estivesse como uma etiqueta na mão, por considerá-lo um antipatriota. Esse é um assunto que mereceria em enfoque engraçado e um sério, para causar reflexões sobre o radicalismo e desrespeito que isso pode gerar no presente e no futuro. Se bobear, daqui a algum tempo, os “xiitas do Greenpeace” vão se sentir no direito de realizar “atentados ecológicos” contra essas pessoas que insistem em lavar a calçada. Não tenho nada contra o trabalho do Greenpeace, mas tudo contra qualquer tipo de radicalismo em nome de uma causa.
Me preocupa o fanatismo: quem soltar um “pum” pode ser apedrejado por estar aumentando o buraco na camada de ozônio, com emissão de gases (pelo menos não vão queimar o porcão – ou porcona - como na Idade Média, porque isto estaria contribuindo para o aquecimento global). A ecologia tem certamente um importante papel na preservação da vida e até mesmo no relacionamento humano, mas corre um sério risco de estar se transformando numa espécie de religião. Teríamos “cruzadas verdes” ou “cruzadas ecológicas” para converter, à força, aqueles que não estão a fim de salvar o planeta, trocando “Deus” por “natureza” e “divino” por “sustentável”.
Repito que as preocupações com as mudanças no planeta são válidas e importantes, mas a falta, ou distorção, de informações é um campo vasto e fértil para que nos deixemos coibir ou enganar. Hoje, tudo se diz “sustentável”. Já pago impostos para caramba (até demais) e querem me obrigar a tomar banho rápido e fechar logo a água. Eu sei que o desperdício é ruim para todos, mas, por favor, deixem-me relaxar um pouco. Quero ter o direito de exercer o meu bom senso!
E, vamos combinar: é muito exagero e muitas regras. O que aparece de gente dos mais diversos tipos, com todo tipo de solução e modos de vida (para a vida alheia) é brincadeira. Já inventaram que o correto é urinar dentro do box, para economizar a água da descarga. E o que virá a seguir? Será que o uso do papel higiênico, após as necessidades (naturais), será considerado antiecológico porque está gerando uma grande quantidade de papel que não pode ser reciclado? Teremos de lavar as “partes”? Mas aí não vamos gastar mais água?
Já sei o que me dirão os militantes da causa verde: Afinal, não custa um pequeno sacrifício em nome de uma causa maior! Vejam o perigo dessa afirmação, pois ela já justificou grandes equívocos na história da Humanidade. Imaginem a quantidade possível de situações, ao mesmo tempo, sérias e engraçadas, que surgem deste politicamente correto sustentável. Daria para escrever um livro inteiro. Coisas do tipo: lave suas camisinhas e dobre-as para o futuro, pois elas demoram 1000 anos para serem absorvidas pela natureza (posso afirmar 10.000 anos, pois a maioria das pessoas não terá interesse ou condição de comprovar a informação), mas se sentirão, de algum modo, pressionados (será que eu sou culpado inadequado neste mundo de pessoas sustentáveis?).
O preocupante é que, como a causa ecológica é nobre (e é mesmo), qualquer sugestão, por mais estúpida que seja, é recebido como uma ideia revolucionária, a ser seguida fielmente, e sem questionamento, por todos. Mas, temos que pensar que, entre toda multidão de moralistas, existem os fanáticos, os infelizes, os frustrados e até os perversos, loucos por uma desculpa para exercitar o seu ódio. Uma causa que é maior do que um individuo isolado, é um excelente álibi para ferrar o próximo.
Para finalizar, dando minha contribuição à causa da sustentabilidade, prometo me manter o mais longe possível de qualquer tipo de pessoa biodesagradável que cruzar o meu caminho. Mas, sem radicalismo: eu até votei na Marina!
(Crônica: Sylvio Bazote / Adaptação: Jorge Marin)
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
A CASA DA TIA IRINEIA
Arte digital por R. E. Schultz
Capítulo 2: Um baile bom pra cachorro
NA SEMANA PASSADA, estávamos na paz: após filar aquele cafezinho, filávamos também um cigarro e até o violão do Márcio.
Por falar desse violão, que era um Rei, coitado dele! Vocês acreditariam se eu dissesse que um de seus bichinhos estimação, que era o cachorro Rajá, quase que devorou um pedaço dele. Ou era o Lobo Bobo? Aquele mesmo cãozinho de rabo branco, e o resto do corpo também. Por sinal, o grande sucessor do Rajá.
Bem, só sei que de dentadas em dentadas, um de nossos caninos ia, homeopaticamente, a cada dia, roendo um pouquinho mais. Eu nunca havia visto cachorro brincar de cupim, mas o Rajá (ou o Lobo) brincava! Garanto que não era fome, pois sou testemunha de que os bichos eram muito bem tratados.
Riamos muito também, quando o mesmo Rajá, após sair em disparada morro abaixo, geralmente atrás de um gato, ao chegar à esquina não conseguia frear e muito menos fazer a curva. Cantando pneu (raspando o bumbum no passeio), continuava em linha reta e, após atravessar a rua beirando uns cem por hora, ia parar quase na portaria dos Trombeteiros. Um autêntico mascote pytombense!
Por sinal, esta família do Rajá era o maior barato, pois chegaram até a nadar na bacia que estávamos usando para lavar os copos, em uma das vezes em que o Pytomba fez um baile no terreiro.
Falando em baile, modéstia à parte, esta noite foi uma sensação e motivo de comentário por muitas semanas. Tudo foi superorganizado, apesar do nosso descuido em deixar que os cachorros nadassem na bacia dos copos. Ninguém é perfeito!
Chegamos até a adaptar nas árvores vários spots, o que deixou o terreiro com um tremendo visual. Deixamos o ambiente todo colorido.
O lugar ficou lotado e, se tivéssemos cobrado ingresso, teríamos faturado uma boa grana naquela noite. Pintou gente de tudo quanto é lugar. Até um barzinho foi improvisado logo abaixo do pé de ameixa, pois lá era servida uma deliciosa batida de limão.
Também foi nesta noite que tivemos a infeliz idéia de montar um palco com o tablado da dona Mariana. Este hilariante episódio, que deu muito o que falar (e ouvir), já foi abordado em um dos posts no inicio do blog.
Tia Irineia vivia achando graça de nossas maluquices, mas também era superdivertida. A única pessoa da qual não filávamos nada era o meu cunhadão Élcio, o filho mais velho da tia que, nesta época, morava em Belo Horizonte. Pessoa muito querida e presente sempre que possível, saiu de casa ainda jovem para buscar a vida profissional na capital. Ainda bem, para ele, pois não teve que aturar nossas invasões.
E bota invasão nisso... Se era dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo, aí é que a coisa pegava fogo mesmo. Ficava sem lugar. Enquanto subíamos todos para o terraço, a tia ficava sozinha, dentro de casa, andando de um lado ao outro, sempre acompanhada de seu inseparável cigarrinho, além, é claro, do Rajá. Ou seria o Lobo? E desta forma ela permanecia: da cozinha pra janela e da janela pra cozinha, até que o jogo terminasse.
NA PRÓXIMA SEMANA: Brasil na copa da Espanha 82, a tragédia lá, no Sarriá, e outra tragédia aqui, no banheiro... Não percam!!!
(Crônica: Serjão Missiaggia / Adaptação: Jorge Marin)
Capítulo 2: Um baile bom pra cachorro
NA SEMANA PASSADA, estávamos na paz: após filar aquele cafezinho, filávamos também um cigarro e até o violão do Márcio.
Por falar desse violão, que era um Rei, coitado dele! Vocês acreditariam se eu dissesse que um de seus bichinhos estimação, que era o cachorro Rajá, quase que devorou um pedaço dele. Ou era o Lobo Bobo? Aquele mesmo cãozinho de rabo branco, e o resto do corpo também. Por sinal, o grande sucessor do Rajá.
Bem, só sei que de dentadas em dentadas, um de nossos caninos ia, homeopaticamente, a cada dia, roendo um pouquinho mais. Eu nunca havia visto cachorro brincar de cupim, mas o Rajá (ou o Lobo) brincava! Garanto que não era fome, pois sou testemunha de que os bichos eram muito bem tratados.
Riamos muito também, quando o mesmo Rajá, após sair em disparada morro abaixo, geralmente atrás de um gato, ao chegar à esquina não conseguia frear e muito menos fazer a curva. Cantando pneu (raspando o bumbum no passeio), continuava em linha reta e, após atravessar a rua beirando uns cem por hora, ia parar quase na portaria dos Trombeteiros. Um autêntico mascote pytombense!
Por sinal, esta família do Rajá era o maior barato, pois chegaram até a nadar na bacia que estávamos usando para lavar os copos, em uma das vezes em que o Pytomba fez um baile no terreiro.
Falando em baile, modéstia à parte, esta noite foi uma sensação e motivo de comentário por muitas semanas. Tudo foi superorganizado, apesar do nosso descuido em deixar que os cachorros nadassem na bacia dos copos. Ninguém é perfeito!
Chegamos até a adaptar nas árvores vários spots, o que deixou o terreiro com um tremendo visual. Deixamos o ambiente todo colorido.
O lugar ficou lotado e, se tivéssemos cobrado ingresso, teríamos faturado uma boa grana naquela noite. Pintou gente de tudo quanto é lugar. Até um barzinho foi improvisado logo abaixo do pé de ameixa, pois lá era servida uma deliciosa batida de limão.
Também foi nesta noite que tivemos a infeliz idéia de montar um palco com o tablado da dona Mariana. Este hilariante episódio, que deu muito o que falar (e ouvir), já foi abordado em um dos posts no inicio do blog.
Tia Irineia vivia achando graça de nossas maluquices, mas também era superdivertida. A única pessoa da qual não filávamos nada era o meu cunhadão Élcio, o filho mais velho da tia que, nesta época, morava em Belo Horizonte. Pessoa muito querida e presente sempre que possível, saiu de casa ainda jovem para buscar a vida profissional na capital. Ainda bem, para ele, pois não teve que aturar nossas invasões.
E bota invasão nisso... Se era dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo, aí é que a coisa pegava fogo mesmo. Ficava sem lugar. Enquanto subíamos todos para o terraço, a tia ficava sozinha, dentro de casa, andando de um lado ao outro, sempre acompanhada de seu inseparável cigarrinho, além, é claro, do Rajá. Ou seria o Lobo? E desta forma ela permanecia: da cozinha pra janela e da janela pra cozinha, até que o jogo terminasse.
NA PRÓXIMA SEMANA: Brasil na copa da Espanha 82, a tragédia lá, no Sarriá, e outra tragédia aqui, no banheiro... Não percam!!!
(Crônica: Serjão Missiaggia / Adaptação: Jorge Marin)
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
QUE FALTA ME FAZ O XODÓ!
Digital art por Kyuubidreams
Semana passada, quando o Serjão relembrou o som do Yes, me veio à mente um outro ponto de encontro, muitas vezes omitido de nossas paisagens passadas. O Bar Xodó, ali na Rua Duque de Caxias, em frente à Padaria do Hildebrando, foi onde surgiram, em nossas vidas, todos esses sons fantásticos. Foi lá que eu conheci o Yes, o Jethro Tull, o Emerson Lake & Palmer, o Genesis, o Pink Floyd e tantos outros.
Dia sim, outro também, lá estávamos, junto com o Vicente, conhecendo algum novo LP (que saudade do vinil!). Eu era tão fanático que saía emprego, na hora do almoço, e dava uma passadinha por lá, com meu amigo Gilberto Bertolini, para escrevermos poesia nos guardanapos.
À noite, éramos uma só tribo, com camisetas curtas, calças jeans e botinas. As meninas não vinham tão “armadas” como vão hoje aos bares. O look era simples, cabelos soltos, pouca maquiagem e também bebiam menos. Apesar de serem para quatro pessoas, todos circulavam pelas mesas dos outros e iam até o toca-discos substituir o som. O Bellini, como sempre, fazia a coreografia das músicas, e sabia qual era a faixa boa.
Escrevo este post da mesma forma como nos comportávamos no Xodó: sem planos e sem pretensões. Engraçado é que eram os Anos de Chumbo, mas éramos tão leves. Alguns chegavam a voar e tínhamos de levar em casa, bater na porta, deixar a “encomenda” e sair correndo, para não levar esculhambação das mães, que achavam, como hoje, que os excessos dos filhos eram culpa nossa, das más companhias.
Para não voltar rápido para casa, traçávamos rotas totalmente bizarras, como passar em frente ao cinema, ao tiro de guerra, dar aquela esticada na pracinha do Coronel, bater um papo no murinho do Adil, outro no Correio e até na beira do córrego, em frente à casa do Serjão.
Era muita conversa, muito riso e muitos sonhos.
Hoje, nestas lembranças, percebo que não há motivo algum para não continuarmos leves. Se falta juventude (e vejam que não falta porque nossos filhos estão por aí) sobra-nos humor; se falta aventura, sobra-nos conhecimento e, se falta dinheiro, naquele tempo também faltava. Talvez nos falte Xodó. E um pouco mais de vinil, quem sabe?
(Crônica; Jorge Marin)
Semana passada, quando o Serjão relembrou o som do Yes, me veio à mente um outro ponto de encontro, muitas vezes omitido de nossas paisagens passadas. O Bar Xodó, ali na Rua Duque de Caxias, em frente à Padaria do Hildebrando, foi onde surgiram, em nossas vidas, todos esses sons fantásticos. Foi lá que eu conheci o Yes, o Jethro Tull, o Emerson Lake & Palmer, o Genesis, o Pink Floyd e tantos outros.
Dia sim, outro também, lá estávamos, junto com o Vicente, conhecendo algum novo LP (que saudade do vinil!). Eu era tão fanático que saía emprego, na hora do almoço, e dava uma passadinha por lá, com meu amigo Gilberto Bertolini, para escrevermos poesia nos guardanapos.
À noite, éramos uma só tribo, com camisetas curtas, calças jeans e botinas. As meninas não vinham tão “armadas” como vão hoje aos bares. O look era simples, cabelos soltos, pouca maquiagem e também bebiam menos. Apesar de serem para quatro pessoas, todos circulavam pelas mesas dos outros e iam até o toca-discos substituir o som. O Bellini, como sempre, fazia a coreografia das músicas, e sabia qual era a faixa boa.
Escrevo este post da mesma forma como nos comportávamos no Xodó: sem planos e sem pretensões. Engraçado é que eram os Anos de Chumbo, mas éramos tão leves. Alguns chegavam a voar e tínhamos de levar em casa, bater na porta, deixar a “encomenda” e sair correndo, para não levar esculhambação das mães, que achavam, como hoje, que os excessos dos filhos eram culpa nossa, das más companhias.
Para não voltar rápido para casa, traçávamos rotas totalmente bizarras, como passar em frente ao cinema, ao tiro de guerra, dar aquela esticada na pracinha do Coronel, bater um papo no murinho do Adil, outro no Correio e até na beira do córrego, em frente à casa do Serjão.
Era muita conversa, muito riso e muitos sonhos.
Hoje, nestas lembranças, percebo que não há motivo algum para não continuarmos leves. Se falta juventude (e vejam que não falta porque nossos filhos estão por aí) sobra-nos humor; se falta aventura, sobra-nos conhecimento e, se falta dinheiro, naquele tempo também faltava. Talvez nos falte Xodó. E um pouco mais de vinil, quem sabe?
(Crônica; Jorge Marin)
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
POLITICAMENTE (IN)CORRETO
Digital art por Irene Pakhomoff
Para início de conversa, quero dizer que, aqui no blog, me sinto em casa: adoro rock, sou baterista de uma banda que, a exemplo do Pytomba, também foi sem nunca ter sido e gosto de reviver os momentos do passado, sem saudosismo, mas com aquela certeza de que, se chorei ou se sorri, é porque sou humano mesmo.
Porém, uma ideia que eu gostaria de discutir aqui é a minha convicção em ser “politicamente (in)correto”. Por isto entenda-se a minha absoluta falta de vontade em me conformar com os modismos que considero inúteis, como:
- Reforma ortográfica (não vi nenhuma vantagem, mas quem quiser fazer concursos, terá que estudar esta palhaçada de intelectuais que não têm nada melhor para fazer). Cada país tem sua língua e não percebo a Inglaterra e os EUA preocupados em padronizar isso ou aquilo no inglês. Pelo contrário, parecem gostar de mostrar suas diferenças e características.
Na carona da reforma ortográfica, vem a mudança desnecessária de nomes de parte do corpo humano. Maxilar virou mandíbula, o osso do joelho e alguns outros mudaram de nome. Chatice inútil.
- Já se tornou ridícula esta mania de aumentar cada vez mais a maneira de se dizer uma mesma idéia, com a finalidade de não ofender. Poderia se criar algumas situações ótimas sobre isso. Exemplo: antes, você falava que uma pessoa era cega (e isso não era uma ofensa, apenas uma forma de definir). Depois, o “cego” tornou-se “deficiente visual”, depois, “pessoa com necessidades visuais especiais”, depois, mudando seis por meia dúzia, tornou-se “portador de necessidades especiais visuais” e por aí vai. Tem outros casos parecidos. O que antes era definido com uma ou duas palavras, em breve será necessário uma frase ou pequena redação, algo do tipo:
“cego” = “ser humano que, a princípio, demonstra algum tipo de necessidade ou pequena deficiência visual que, a qualquer momento, pode não mais existir e merece tratamento especial, porém igualitário e respeitoso, visto que sua atual condição em nada o desmerece”.
Chamar alguém de “preto” ou “criolo (crioulo)”, no atual momento “afro-brasileito”, revisionista e desculpista, então, tornou-se, literalmente crime, tanto legal, como moral e talvez espiritual. É capaz de você apanhar e ser excomungado, como se estivesse entre as pessoas mais vis e desprezíveis da raça humana. Ficaria algo assim: se alguém lhe pede informação onde seria tal lugar e, como referência, tem um negro na porta, ao invés de você, despretensiosamente, falar: “ali onde está aquele negro na porta”, seria politicamente correto talvez dizer: “ali onde está aquele afro-descendente que tanto contribuiu e contribui para a formação da identidade nacional e fortalecimento da nossa economia, às custas do sangue e suor de seus antepassados e sofrimento desnecessário e injusto de seus contemporâneos, na porta”.
Também não vou deixar por menos! Se algum crioulo me chamar de branco, vou meter-lhe um processo judicial no nariz largo, para ele aprender a não insinuar que a menor quantidade de melanina na minha pele deprecia minha condição de ser humano, considerando que há, nesta afirmação, uma nítida conotação subentendida de que meu órgão sexual é menor do que o dele e de que algum parente distante meu, no passado, deve ter sacaneado, de alguma forma, sua avó ou bisavó, o que causou o empobrecimento de sua família atualmente e diminuiu a capacidade intelectual de seus filhos devido a uma alimentação inadequada.
Na semana que vem, quero falar de uma outra imbecilidade, chamada “sustentabilidade”.
(Crônica: Sylvio Bazote)
Para início de conversa, quero dizer que, aqui no blog, me sinto em casa: adoro rock, sou baterista de uma banda que, a exemplo do Pytomba, também foi sem nunca ter sido e gosto de reviver os momentos do passado, sem saudosismo, mas com aquela certeza de que, se chorei ou se sorri, é porque sou humano mesmo.
Porém, uma ideia que eu gostaria de discutir aqui é a minha convicção em ser “politicamente (in)correto”. Por isto entenda-se a minha absoluta falta de vontade em me conformar com os modismos que considero inúteis, como:
- Reforma ortográfica (não vi nenhuma vantagem, mas quem quiser fazer concursos, terá que estudar esta palhaçada de intelectuais que não têm nada melhor para fazer). Cada país tem sua língua e não percebo a Inglaterra e os EUA preocupados em padronizar isso ou aquilo no inglês. Pelo contrário, parecem gostar de mostrar suas diferenças e características.
Na carona da reforma ortográfica, vem a mudança desnecessária de nomes de parte do corpo humano. Maxilar virou mandíbula, o osso do joelho e alguns outros mudaram de nome. Chatice inútil.
- Já se tornou ridícula esta mania de aumentar cada vez mais a maneira de se dizer uma mesma idéia, com a finalidade de não ofender. Poderia se criar algumas situações ótimas sobre isso. Exemplo: antes, você falava que uma pessoa era cega (e isso não era uma ofensa, apenas uma forma de definir). Depois, o “cego” tornou-se “deficiente visual”, depois, “pessoa com necessidades visuais especiais”, depois, mudando seis por meia dúzia, tornou-se “portador de necessidades especiais visuais” e por aí vai. Tem outros casos parecidos. O que antes era definido com uma ou duas palavras, em breve será necessário uma frase ou pequena redação, algo do tipo:
“cego” = “ser humano que, a princípio, demonstra algum tipo de necessidade ou pequena deficiência visual que, a qualquer momento, pode não mais existir e merece tratamento especial, porém igualitário e respeitoso, visto que sua atual condição em nada o desmerece”.
Chamar alguém de “preto” ou “criolo (crioulo)”, no atual momento “afro-brasileito”, revisionista e desculpista, então, tornou-se, literalmente crime, tanto legal, como moral e talvez espiritual. É capaz de você apanhar e ser excomungado, como se estivesse entre as pessoas mais vis e desprezíveis da raça humana. Ficaria algo assim: se alguém lhe pede informação onde seria tal lugar e, como referência, tem um negro na porta, ao invés de você, despretensiosamente, falar: “ali onde está aquele negro na porta”, seria politicamente correto talvez dizer: “ali onde está aquele afro-descendente que tanto contribuiu e contribui para a formação da identidade nacional e fortalecimento da nossa economia, às custas do sangue e suor de seus antepassados e sofrimento desnecessário e injusto de seus contemporâneos, na porta”.
Também não vou deixar por menos! Se algum crioulo me chamar de branco, vou meter-lhe um processo judicial no nariz largo, para ele aprender a não insinuar que a menor quantidade de melanina na minha pele deprecia minha condição de ser humano, considerando que há, nesta afirmação, uma nítida conotação subentendida de que meu órgão sexual é menor do que o dele e de que algum parente distante meu, no passado, deve ter sacaneado, de alguma forma, sua avó ou bisavó, o que causou o empobrecimento de sua família atualmente e diminuiu a capacidade intelectual de seus filhos devido a uma alimentação inadequada.
Na semana que vem, quero falar de uma outra imbecilidade, chamada “sustentabilidade”.
(Crônica: Sylvio Bazote)
FELIZ BLOG NOVO!!!
Digital art por Annalisa
Iniciamos o ano de 2011 com uma certeza absoluta: quanto mais envelhecemos, mais dúvidas temos. Quando iniciamos o blog, em abril de 2009, não tínhamos certeza da forma que iria ter, nem da ordem das matérias, nem nada.
Quando o blog completou 20.000 visitas, no final do ano passado, ainda não sabíamos para onde estávamos indo.
Agora, no comecinho de 2011, relaxamos, adotamos, de vez, o let it be e vamos que vamos!
Resolvemos dar uma repaginada, e lançar mais uma sessão, que começa hoje: PALAVRA DOS SEGUIDORES. Afinal, quando fizemos aquela alusão sobre 20.000 pessoas que vinham tomar um cafezinho conosco, era mais do que justo que fizéssemos o que é usual; OUVIR NOSSOS INTERLOCUTORES.
Vamos ouvir, nas próximas semanas, ideias do Sylvio Bazote, um dos nossos primeiros seguidores, que faz, segundo suas palavras, “um trabalho de arqueologia intelectual”, onde trata de temas presentes em nosso dia a dia, que, às vezes, nos incomodam e que acabamos incorporando como “normais”.
Pretendemos manter este espaço que, reiteramos, É ABERTO A TODOS os que nos ajudam a construir este blog.
FELIZ 2011!!
Iniciamos o ano de 2011 com uma certeza absoluta: quanto mais envelhecemos, mais dúvidas temos. Quando iniciamos o blog, em abril de 2009, não tínhamos certeza da forma que iria ter, nem da ordem das matérias, nem nada.
Quando o blog completou 20.000 visitas, no final do ano passado, ainda não sabíamos para onde estávamos indo.
Agora, no comecinho de 2011, relaxamos, adotamos, de vez, o let it be e vamos que vamos!
Resolvemos dar uma repaginada, e lançar mais uma sessão, que começa hoje: PALAVRA DOS SEGUIDORES. Afinal, quando fizemos aquela alusão sobre 20.000 pessoas que vinham tomar um cafezinho conosco, era mais do que justo que fizéssemos o que é usual; OUVIR NOSSOS INTERLOCUTORES.
Vamos ouvir, nas próximas semanas, ideias do Sylvio Bazote, um dos nossos primeiros seguidores, que faz, segundo suas palavras, “um trabalho de arqueologia intelectual”, onde trata de temas presentes em nosso dia a dia, que, às vezes, nos incomodam e que acabamos incorporando como “normais”.
Pretendemos manter este espaço que, reiteramos, É ABERTO A TODOS os que nos ajudam a construir este blog.
FELIZ 2011!!
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