O D I S C O V O A D O R - CAPÍTULO FINAL
(Roteiro original - Serjão Missiaggia / Adaptação - Jorge Marin)
No último episódio, a emoção era incontrolável. Os corações batiam acelerados e a Vemaguette, também acelerada, partia resfolegante em direção à coisa. Provavelmente muitos de nós devemos ter passado por este tipo de situação-limite. Um momento no qual parece que a nossa vida vai se dividir em duas partes: antes daquele momento e depois daquele momento.
Assim era na cabeça daqueles jovens. E mesmo o velho professor e seu filho ficavam se indagando como uma emoção daquele tipo poderia ocorrer tão longe dos laboratórios e das lunetas e telescópios que lhes eram familiares. No fundo, estavam mesmo gostando de toda aquela movimentação. Embora, acostumados às silenciosas observações dos astros, tudo lhes parecesse estranhamente louco e caótico.
Até que aquela voz quebrou o silêncio, fazendo a mais inesperada das observações:
- HIII, NÃO É POSSÍVEL, MEU DEUS, AQUILO, NA VERDADE...
- O que? O que – todos perguntaram.
- Tem placa.
- TEM O QUÊ??? – gritou o velho Marcos.
- É... Placa... E acaba com nove!
Alguém desconversou:
- Desculpe, doutor, mas acho que foi ilusão de ótica, sabe?
- Com placa ou sem placa, não sou eu quem vai voltar pra ver – gritou nosso Capitão Kirk, Sílvio Heleno, e bateu em retirada, e poderíamos dizer: a uns cento e vinte por hora, não fosse a Vemaguette.
O resto da aventura não é difícil de imaginar.
Diante de uma decepcionante, mas aliviada, surpresa, o que aconteceu realmente, é que o encontro imediato de terceiro grau se deu, frente a frente, com uma Kombi. Isto mesmo: UMA KOMBI!!!
Pois não é que estava a danada, há mais de duas horas, estacionada naquele lugar. E com as luzes acesas!!! Provavelmente, um casal de namorados que, alheios e indiferentes a tudo e a todos, amavam-se tranquilamente, da forma pacífica e calma como era comum num tempo em que não havia motel, nem violência urbana.
Mas era, na verdade, do lado de fora, ao relento, que a coisa estava pegando fogo, onde um bando de lunáticos, tendo praticamente tomado como reféns dois cidadãos de bem, corriam desenfreadamente atrás de nada, para chegar no final a lugar nenhum.
Ao passar pela Kombi, e vendo do que realmente se tratava, a decepção foi tanta que um profundo e longo silêncio se abateu sobre todos.
Ninguém falava absolutamente nada, e nem olhava para os outros.
Enquanto a Vemaguette ia aos poucos perdendo a velocidade, alguns ensaiavam umas tímidas risadas.
Mas o imperturbável Professor Marcos, todo salpicado de poeira, tossindo sem parar, conseguia não mexer um fio de cabelo que fosse. Mantendo uma fleuma digna do Sr. Spock, olhava estático para a frente, com a cabeleira branca meio amarelada, enquanto resmungava baixinho, como numa súplica:
- Me deixem em casa, por favor!
É de se imaginar que seus pensamentos, naquele momento, eram de absoluta e profunda preocupação. Se acaso este fato desconcertante fosse noticiado, seria, para ele, um verdadeiro escândalo, principalmente perante à comunidade científica, seus colegas e seus antigos alunos.
Sabia que sua atitude tinha sido exatamente aquela que é a principal característica de um cientista, ou seja, ter a curiosidade de tentar descobrir os segredos do mundo em sua volta, não só através da teorização, mas, principalmente, através da observação e da experimentação. No entanto, não saía de sua mente uma possível manchete de jornal dizendo: FAMOSO PROFESSOR E CIENTISTA MARCOS MARCEL FAZ CONTATOS IMEDIATOS COM UMA KOMBI. Continuava até lendo o resto da matéria: Na retaguarda, seguiu com ele um bando de rapazes malucos, que não tinham o que fazer!
Quando chegou em casa, o sentimento, ao ver o mestre assim todo empoeirado, foi um misto de pena e vergonha. Quando tirou os óculos para limpar, havia até um círculo branco em volta de seus olhos.
Sem dar uma única palavra, e nem mesmo olhar para trás, foi rapidamente entrando pelo portão, amparado pelo filho Jesse.
Mais tarde, todos descobriram, aliviados, que o professor, de fato, tinha achado tudo o maior barato e considerado aquela como uma das noites mais divertidas de sua vida. Segundo ele, “meu objetivo foi alcançado, pois fui encontrar alienígenas, e encontrei um bando de rapazes que NÃO FAZ PARTE DESTE MUNDO!”.
Para finalizar, ainda ocorreria mais uma surpresa, pois o Jesse Marcel, após revelar os negativos, observou que não saiu absolutamente nada, nenhuma foto sequer. Todos conheciam o Jesse como um fotógrafo de primeira linha. Hábil e experiente, possuía um acervo de fotos de altíssimo nível e de resolução compatível com os melhores profissionais da região.
O que teria ocorrido?
Entre os mais místicos, a explicação é que o Mega Efeito Magnético da nave, não só levou todas as fotos a se queimarem, como também a transmutação do objeto voador não identificado em uma Kombi, no exato momento em que a Vemaguette passava pelo local.
Com a palavra, cada um de vocês...
PALAVRA DO AUTOR:
E foi assim que tudo aconteceu!
Infelizmente, hoje, nem todos desta aventura se encontram entre nós.
Foram realmente momentos muito engraçados e felizes, que ficarão, juntamente com os causos da Fábrica e da Bomba, eternamente marcados em minha memória. Somente quem os viveu pessoalmente poderá entender e confirmar aquilo que digo.
A todos os colegas, que comigo tiveram o privilégio de participar destas hilariantes e misteriosas jornadas, deixo meu mais fraterno abraço e muitas saudades.
Aos queridos leitores e comentaristas que, de certa forma, também não menos corajosa, embarcaram e interagiram conosco nestas aventuras malucas, brigadão!
Vocês em muito enriqueceram os causos!
E, antes de encerrar esta série de postagens, gostaria apenas de dizer:
Jorgemarin! Valeu muito! E como! O blog é seu!
Quem sabe causos novos virão?
Serjão Missiaggia
PALAVRA DO ADAPTADOR:
Adaptar o texto do Serjão é uma viagem, daquele tipo de viagem de charrete, numa manhã de sol, depois de uma chuva de verão. Então tudo dá certo. E é leve!
Só não concordo quando diz que o blog é meu: o blog é de todo a comunidade Pytomba, aí incluídos seguidores e comentaristas. Sei que há textos nas gavetas, esperando, na forma de Drummond, serem podados, aparados e replantados. Os textos alusivos ao Pytomba, e escritos pelo Serjão, realmente chegaram ao fim. Mas virá, já em seguida, um texto do Renê, que é muito legal. E estaremos inaugurando, em breve, outros causos, não só do Serjão, mas também do Renê, outros meus, do Sílvio Heleno, do Dalminho, do Renatinho, do Márcio, e de quem tenha uma boa estória para contar, tratando de experiências e percepções contemporâneas, vivenciados pelos bravos pytombenses e amigos, agora “crescidos” e com barba – branca – na cara.
Aguardem!
Jorge Marin