quarta-feira, 8 de abril de 2015

FACES DE MIM


Tenho as mãos que abrandam a graxa e surram o martelo,
Que sovam a massa e servem à mesa,
Impelem a viola, deslizam a vassoura... 
No tambor fazem ferir a madeira.

Mãos... Que em silêncio outras mãos perdoam,
Outras mãos... Humildemente pede perdão.
Alisa seu corpo, acaricia a prole,
Reprime, aplaude e acena.

Mãos que suam, aquecem e oram,
Que despem a caneta reveste o papel.                                                                     Acolhe no peito a bola que rola,
Empurram as águas que a pele enamora,

Com orgulho trás, o fardo que carrega,
A casa retorna troféu que alimenta,
Longas filas ferozes sangram,
O ganho que pouco germina e tanto tardia.

No trato diário, inocentes criaturas,
Tão frágeis empresto, as mãos que as saciam,
Pertinho do chão, peso que alivia,
Amigo de menino, nas costas um cavaleiro.

Ator incansável, pequenina plateia,
Palhaço preferido dos que prefiro,
Sou pai, esposo, irmão, companheiro,
Professor, aluno, eletricista, cozinheiro e faxineiro.

Também sei chorar, sorrir, agradecer, amar... Por que não sonhar!
Sou um pouco de tudo e de tudo quase pouco.
Me visto de criança, fotógrafo, atleta...brinco de contar causo, até finjo ser poeta,
Mas é mergulhando na simplicidade de infinitos pensamentos e canções,
Que vou me expressando,
Ao deixar voar com o coração,
Sensibilidades... Sentimentos... E emoções...

Poesia: Serjão Missiaggia
Foto (sr. Tunin Missiaggia): acervo do autor

segunda-feira, 6 de abril de 2015

BELEZAS DA TERRINHA


BRAÇOS ABERTOS SOBRE SÃO JOÃO NEPOMUCENO

Foto: Serjão Missiaggia

CASOS CASARÕES & seus detalhes misteriosos ???


QUEM SABE ALGUMA HISTÓRIA DESSA CASA AÍ???

CASARÃO DA SEMANA PASSADA: poucos reconheceram a casa na esquina da Travessa Padre Condé com a Rua do Descoberto: apenas Marcelo Oliveira, Luiz Carlos Moura (que ainda fornece o endereço completo) e o Jorge Vítor Honório que informa que aquela é a casa do Sr. Miudinho. Outros que reconhecerem o local e desejarem contar algum causo, o espaço vai continuar aberto aos comentários.

Foto: Serjão Missiaggia

CASOS CASAS & mistério ???


QUE LUGAR É ESSE???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA: várias pessoas reconheceram a placa comemorativa localizada na entradinha do prédio onde funcionou o nosso inesquecível Instituto Barroso: Carlos Antônio Zampa, Sílvia Maria Silva, Márcia Maria Rodrigues, Sonira Moraes de Araújo Laroca, Vanda Santiago, Maninho Sanábio, Lucimar Torres de Oliveira, e a Maria das Graças F. Ribeiro que, de quebra, ainda nos deu uma verdadeira aula de história, contando que o ginásio, originalmente Ginásio São Salvador, "foi doado à população de São João por Dona Prudenciana Faustina de São José. Conta-se que ela ficava na sacada do sobrado onde morava (no Largo da Matriz), acompanhando as obras de binóculos. Posteriormente, Escola Normal Dona Prudenciana e Instituto Ubi Barroso. A fachada foi desenhada por Dr. Augusto Glória. Por sinal é belíssima."

Foto: Serjão Missiaggia

sexta-feira, 3 de abril de 2015

UMA SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO EM SÃO JOÃO


Mais uma Sexta-Feira da Paixão e, já distante daquelas semanas santas da minha infância, a vontade que dá é de cair no lugar comum e dizer: já não se fazem mais quaresmas como no meu tempo.

Menino, me lembro do fuzuê das pessoas logo após a Quarta-Feira de Cinzas. O estoque de panos roxos das Casas Pernambucanas acabava logo, pois todo mundo acorria a todos os cômodos da casa, embrulhando, ou ensacando, imagens de santos (e eram muitas naquele tempo) e os espelhos.

Além de, logicamente, não se comer carne, naqueles quarenta dias sagrados, não se varriam as casas, muita gente não lavava a cabeça, os homens não se barbeavam e o rádio, quando muito, era ligado baixinho, mesmo assim apenas às três da tarde, para ouvir a Consagração a Nossa Senhora Aparecida, pelo Padre Vítor Coelho de Almeida.

Na quarta-feira que antecedia a Paixão, uma procissão imensa saía da Igreja do Rosário, e outra, igualmente numerosa de uma das outras igrejas, para se juntarem na Procissão do Encontro, e caminharem, em silêncio sepulcral, para a Igreja Matriz.

A Procissão do Enterro, na sexta-feira de São João Nepomuceno, era um espetáculo que vou guardar para sempre em minha memória, independente do que eu acredite ou não. Sentados no passeinho do Correio, víamos passar as pessoas com suas velas, algumas choravam, outras caminhavam de olhos fechados.

Moleques que éramos, dávamos um sorrisinho maroto quando víamos passar, na fila dos contritos, algumas “meninas” que conhecíamos de locais bem menos santos: a Cearense, a Glória e uma gordona cujo nome não lembro e ficava no caixa.

Terminado o cortejo, seguíamos em silencioso respeito no final da fila, com as mãos para trás, porém atentos a qualquer sinal de um bar aberto. A procissão já ia bem adiantada, quando encontramos uma biboca meio aberta na esquina da Duque de Caxias com a Barão de São João.

Um tanto envergonhados, pois todas as mesinhas de lata estavam vazias, sentamo-nos e, baixinho, pedimos duas bramas. O garçom veio rapidamente, colocou as duas garrafas geladas sobre a mesa, mas a culpa bateu. Um dos presentes, acho que foi o Nilson, questionou se ainda era sexta-feira. Faltam dois minutos para a meia-noite, respondeu o Júlio.

Em silêncio, esperamos, ansiosos, a chegada do Sábado de Aleluia. Foram os dois minutos mais longos da minha vida!

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Marcus Martins, disponível em http://www.galeriamm.com/index.php

quinta-feira, 2 de abril de 2015

UMA ESTRANHA VISITA NA MADRUGADA - Final


Se, no capítulo anterior, as pernas já estavam tremendo e o coração mais que disparado, imaginem então quando você percebe que algo parecido com a imagem de uma velha senhora, vestida de um longo vestido branco, se aproxima de sua cabeceira e desaparece a seguir em direção ao portal?

Naquele instante, meio que congelado e sem mexer um fio de cabelo sequer, comecei a rezar para as almas e a torcer pra que o dia clareasse o mais breve possível. E o pior é que eram apenas duas da madrugada. Foi aí que, com um pouco mais de lucidez, ainda com os olhos entreabertos, comecei a perceber que aqueles barulhos estranhos, até então vindos somente dos tacos, também eram acompanhados por alguns pequenos estalos provenientes da parte superior do portal.

O mistério e o pavor iam aumentando a cada segundo e, para meu desespero, prometendo, quem sabe, terminar somente quando o dia clareasse. Cheguei a pensar em saltar de repente da cama e sair em disparada para pular a janela, mas, com certeza, até abri-la, seria alcançado por aquela coisa de branco.

Gritar por socorro até que não foi uma possibilidade totalmente descartada, mas, naquela altura do campeonato, nem sei se teria voz pra isso ou mesmo se alguém iria me escutar.

Um mistério, que iria noite adentro se não fosse, imaginem vocês, pelo meu intenso suor que, por sinal, escorria em profusão, da testa até o dedão do pé. Interagindo em minha pele com uma suave brisa que penetrava no quarto, fez-me, naquele momento perceber que, estranhamente, esse fenômeno sempre acontecia nos momentos de aproximação do sobrenatural.

E foi assim que, em meu quase leito de morte, consegui decifrar o tão misterioso enigma: havia uma cortina de quase três metros de altura, que ficava no portal entre a sala e os demais cômodos da casa. Uma forte corrente de ar, que se estendia desde as venezianas de minha janela até o jardim de inverno, fazia com que ela entrasse pelo quarto e, já bem próxima à minha cabeceira, permanecia por segundos, até que cessasse a brisa novamente e ela retornasse ao portal.                    

Confesso que a pouca visibilidade, aliada ao cansaço, imaginação fértil e um pouquinho só de medo, fizeram com que eu tornasse refém de mim mesmo, ou melhor, de uma cortina.

E que alivio e relaxamento! Afinal de contas, já haviam se passado quase duas horas de pura adrenalina e terror. Fui até a geladeira e, após comer um delicioso pedaço de queijo caseiro fabricado pela dona Venina, voltei rapidinho pra cama. Só que desta feita pra dormir com os anjos.

Os barulhos? Nada mais eram do que o peso das cortinas que, agindo sobre as roldanas em contatos com o suporte de madeira, produzia estranhos estalos e rangidos quando em movimento. Triste, não?

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : Nicolett Hovári disponível em http://www.deviantart.com/art/The-fear-under-your-bed-477323611, adaptada em Photoshop

quarta-feira, 1 de abril de 2015

UMA ESTRANHA VISITA NA MADRUGADA - Primeiro capítulo


Antes de tudo, gostaria de dizer que este sinistro episódio realmente aconteceu.

Era uma daquelas chuvosas noites de verão de 1973, quando, ao chegar em casa um pouco mais tarde e sem mesmo fazer um lanche, fui direto pra cama. Lembro-me apenas de estar muito cansado, pois havíamos tocado num baile naquela noite.

Assim, após fazer minhas orações, procurei, ainda antes de dormir, ligar meu velho rádio que, estrategicamente posicionado sobre uma cantoneira, ficava bem ao lado de minha cama. A intenção seria de segurar o sono um pouco mais, para tentar escutar as últimas resenhas esportivas com as notícias do Fogão.

Meus pais haviam viajado, e eu me encontrava sozinho naquela noite. Relâmpagos penetravam fulminantes pelos vitrais das imensas janelas de meu quarto, enquanto o velho rádio a válvulas era uma explosão a cada descarga elétrica que acontecia lá fora. Resolvi desligá-lo. 

A forte chuva foi aos poucos dando uma pequena trégua, enquanto ainda se podiam escutar alguns poucos pingos rebatendo na janela. O silêncio tomou conta da noite.  Percebi pelas venezianas de madeira, que a energia elétrica havia acabado, fazendo com que os clarões dos relâmpagos penetrassem ainda mais dentro do quarto.

Silêncio total e, quando já começava me entregar ao sono, eis que um barulho muito estranho começou a se aproximar de mim, para, em seguida, retornar. Algo assim como o ruído do estalar de tacos soltos quando pisados por alguém.

A cabeceira de minha cama ficava de costas para o portal de entrada do quarto, que, por sinal, encontrava-se aberto naquela noite. Já tomado de certo pavor, e pensando nas tantas e sinistras possibilidades, não me restou outra alternativa do que trancar os olhos e entregar pra Deus.  

Suando frio, permaneci por um longo período, apenas escutando aquele estranho movimento de acercamento. Sentia que algo esquisito se aproximava da cabeceira da cama e, quase já tocando minha cabeça, novamente retornava.

Já havia se passado quase uma hora e, diante daquela terrível e angustiante sensação em não saber realmente do que se travava, resolvi, num daqueles raros surtos de coragem, ir aos pouquinhos abrindo os olhos. Nesse momento, percebi que a energia havia voltado e que, diante de uma pequena luminosidade oriunda dos postes da rua, poderia com certeza identificar o misterioso barulho.

Meu Deus, o que é isso? Sinceramente, não sei como não desmaiei. À MEIA-NOITE EM PONTO, eu conto o resto. Mas, se estiver chovendo, não leiam!

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : disponível em http://picslist.com/image/35850034617

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL