segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

CASOS CASAS & mistério ???


QUE PAISAGEM É ESSA AÍ EM SÃO JOÃO NEPOMUCENO ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - A casa amarela da Rua do Descoberto foi reconhecida pelo no expert Maninho Sanábio e por duas Sônias, a Sônia Maria Barbosa Mendonça e a Sônia Maria que mora em Bicas.

Foto: Serjão Missiaggia.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O FIM DO FEMINISMO


Me lembro que, outro dia mesmo, vínhamos saindo do portão da Casa Leite, depois da escola, quando um coleguinha esbaforido veio trazer a novidade:
- Gente, gente! As mulheres agora não vão mais usar sutiã. Minha tia falou que elas estão queimando todos eles lá nos Estados Unidos.

Meninos entre dez e treze anos, cada um de nós teve uma reação. O primeiro perguntou:
- E daí? Eu não uso essa porcaria – enquanto o Zé Carlos, um repetente grandão que vivia aprendendo coisas com a gente, disse:
- O que que é sutiã?

Eu e o Afonso, que acabara de trazer a notícia, começamos a fazer nossas considerações sobre a novidade, quando o quinto participante do grupo, o Robertinho, que era tido como namorador, chegou à conclusão que todos queríamos:
- Puxa vida, no mês que vem, quando sairmos de férias, vou pedir ao meu pai pra levar a gente na praia! – todos aplaudimos e, a partir daquele dia, nosso assunto preferido passou a ser a praia. As meninas descobriram nossa questão social e, como sempre irritantes, disseram que éramos uns estúpidos e que aquele movimento era o FEMINISMO, feito, justamente, para elas não terem que aturar os ignorantes, ou seja, os meninos.

O fato é que, quase cinquenta anos depois, um passeio pelas ruas das cidades causaria arrepios, tanto nas inteligentes meninas quanto nos estúpidos e ignorantes nós. Idealizado como um movimento contra a dominação de um gênero sobre o outro (na época, costumávamos ter apenas dois), o feminismo foi confundido, ou mal interpretado, como uma guerra de poder, na qual o gênero vencedor passaria a dominar o outro.

É lógico que estou generalizando, mas o que percebo hoje é uma “machização” da sociedade: as mulheres não apenas ocuparam a maioria dos espaços antes dominados pelos homens, como passaram a adotar, infelizmente, os piores tipos de comportamento que os homens expressam: grosseiras, barulhentas, bêbadas, muitas se vangloriam no Facebook, entre palavrões, que cobriram a desafeta “de porrada”, enquanto, no trabalho, mandaram aquela chefa ridícula ir tomar...

A coisa assume um contorno tão concreto, que o que era para ser uma discussão justa transforma-se em atos no mínimo controversos: uma ex-atriz pornô, filha da cantora conhecida em nosso tempo como a Rainha do Bumbum, não satisfeita em assumir a sua homossexualidade (também justa e saudável), resolve remover cirurgicamente os seios para, segundo ela, correr livre e sem sutiã pela praia.

Ou seja, o tal do feminismo acabou se transformando num pesadelo machista para as mulheres, que agora têm de tirar, literalmente, os peitos fora. O pior foi para nós, meninos da década de 70, que continuamos trocando lâmpadas e abrindo vidros de palmito, e já estamos morrendo de medo de ir na tal praia!
  
Crônica: Jorge Marin
Foto     : disponível em http://archive.freep.com/article/20140501/NEWS05/305010090/Rosie-the-Riveter-s-Willow-Run-Bomber-Plant-saved-from-wrecking-ball

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

OS BONS FILHOS À CASA NÃO TORNAM


Ah... Ginásio do Sôbi! Como podes continuar a mexer com a emoção de todos que por você passaram?  

Que magia estranha é essa que aí permanece e que tanto nos maltrata, principalmente ao fitarmos sua fachada, felizmente ainda “intacta”, mas tão “ausente”.   

Donde vem essa energia misteriosa e imortal, que pulsa soberana no topo da colina e que ainda nos atrai e tanto nos fascina.   

Que “calmaria” estranha é essa de agora, que antes se curvava ao barulho das carteiras, aos ruídos dos tambores, ao apito da batuta ou o som das brincadeiras.      
                                                                                                                            
E esse mesmo silêncio, que tanto insiste em querer nos roubar o passado nesta hora, é o mesmo que faz gravar ainda mais na memória, os ensinamentos de nossos amados PROFESSORES, o convívio de cada AMIGO de jornada e os sábios conselhos do eterno e inesquecível MESTRE. 


Foto e texto: Serjão Missiaggia 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

BELEZAS DA TERRINHA


Iniciamos hoje uma nova seção no BLOG: Belezas da Terrinha, cujo objetivo é mostrar alguns olhares sobre São João, olhares que captam belezas muitas vezes despercebidas por quem passa ao lado todo dia, mas emocionantes para os sanjoanenses ausentes, e também para quem quiser olhar e ver.

Foto: Serjão Missiaggia.

CASOS CASARÕES & detalhes misteriosos


QUEM CONHECE ALGUMA HISTÓRIA SOBRE ESSE CASARÃO ???

CASARÃO DA SEMANA PASSADA - Angélica Girardi reconheceu a casa no Bairro São José que publicamos a pedido, na semana passada. E Alex Geraldi forneceu mais detalhes: o imóvel fica na rua Dr. João Sarmento, ainda conserva parte de uma mobília antiga, e pertenceu ao sr. José Schicariol.

A Catarina Oliveira, que pediu que publicássemos a foto da casa, pois, segundo  ela, trabalhou com o sr. Zé e dona Yolanda há 30 anos atrás, comentou: "achei a casa parecida, mas a cor era azul e branca naquela época, e tínhamos como vizinhos mais próximos o sr. Domingos e o sr. Gerson Moreira; que saudade!!!".

O Luiz Carlos Moura, um dos maiores conhecedores da nossa paisagem urbana, enviou uma cópia da postagem para a Ana Schincariol, que mora no Rio, e nos mandou uma mensagem emocionada: "obrigada pelo envio. Acessei o blog, fiz pelo menos 4 vezes os comentários, mas, na hora de escolher o perfil, não consegui avançar, perdi tudo que escrevi e desisti. Casa dos meus pais Zé Schin e Dona Yolanda Schincariol, onde nasci há 59 anos e onde vivemos até dezembro de 1971, quando toda a família mudou para o Rio de Janeiro, em busca de uma vida melhor e onde meu irmão mais velho José Yvan morava. Meus pais retornaram na década de 80. Muita emoção. A história familiar passou como um filme. Saudades da terra amada, dos meus pais, meus irmãos falecidos, meus familiares, de amigos e de tantos professores (preciso citar a Tá Son - Sônia Velasco, D. Anna Letícia, Dona Mariza Letícia Henriques e D. Rizza Lamah) que me ajudaram em minhas conquistas. Obrigada a todos. Orgulho de minha origem, de ser sanjoanense, sempre."

Foto: Serjão Missiaggia.

CASOS CASAS & mistério ???


ONDE FICA ESSA CASA ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Angélica Girardi, Silvana Mesquita Bertolini Penchel e Marcelo Oliveira, reconheceram o jardim da casa do Dezinho, no final da Rua Nazareth. A Alessandra Novaes Barbosa, que é prima do Valdézio, lembra-se também com saudades dos tios Tana e Waldomiro.

Foto: Serjão Missiaggia.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

SÃO JOÃO E A CURA DA ANGÚSTIA

























Mais de uma vez comentamos aqui no Blog sobre a dificuldade de viver longe de São João Nepomuceno, “nossa terrinha” conforme o Serjão. Tendo que sair para “fazer carreira” em outros locais, percebo, tanto em mim, quanto em muitos conterrâneos, essa sede de retornar, essa hesitação na hora de transferir o título de eleitor, essa presença constante nos feriados.

Às vezes prejudicado na tão decantada carreira profissional por esse sentimento, sempre me questionei, afinal de contas, do que se trata esse apego à terra natal. Hoje aposentado e vivendo a pouco mais de uma hora da terrinha, percebo que a coisa é muito mais profunda e até mesmo meio arquetípica.

Explico à maneira de Rousseau, filósofo que nos levava a baixar consideravelmente o nível do chope do antigo bar do Paulinho Cricri. O meu colega de debates era o Gilberto Bertolini, ele também exilado de São João por um certo tempo. O argumento era o seguinte: se eu fosse um gato, certamente poderia viver, sem problema algum no sul de Minas, no sudoeste de São Paulo ou nos confins do Amapá. Ou seja, se eu fosse um gato, possivelmente não teria essa necessidade de voltar.

Os animais em geral não têm problema na condução de suas vidas, pois, conforme explicava aquele filósofo suíço, já nascem perfeitos, com seu comportamento já previamente “programado” pela natureza. Isto é, um cachorro que, sabe-se hoje, possui uma grande carga afetiva, age da mesma forma que o cachorro de Abraão, da mesma forma que os cachorros do filósofo Heráclito (que, por ironia, causaram a sua morte).

Já com o homem a coisa é diferente, pois este, por possuir a capacidade de controlar os seus instintos, tem o atributo que Rousseau chamava de “perfectibilidade”, ou seja, organizar a sua vida de forma a vivê-la da melhor forma possível. Percebam que este é um conceito de ética.  

E é aí que eu quero chegar: saídos de nossa cidade, onde tínhamos todas as referências para guiar nossas vidas, seja através dos nossos pais, ou da religião, ou da proximidade dos vizinhos, vemo-nos, de repente, vivendo em um ambiente que nos é absolutamente alienígena. “Que bom”, alguns comentam, “agora ninguém vai dar conta da minha vida”. Ledo engano! As intromissões, as fofocas, as conversinhas fiadas existem em qualquer grupamento humano.

O que, no entanto, nos marca na completa liberdade rousseauniana é uma coisa terrível: a ANGÚSTIA, gerada justamente por não saber como agir para viver a vida como ela deve ser vivida. Este é, aliás, o afeto por excelência desde que nos tornamos existencialistas, ou seja, a partir do momento em que deixamos de ter referências, e passamos a viver a vida como uma pessoa única dentro de um mundo cada vez mais sem sentido e absurdo.

Assim, São João surge para nós como uma metáfora, como se aquela vida boa, inesquecível e agradável fosse o tal “estado de natureza” do qual, lentamente, nos afastamos. É lógico que os que ficaram em São João também sentem angústia, mas, vamos combinar, é bem melhor ficar angustiado num banco da Praça do Coronel do que na fila do ônibus de alguma metrópole barulhenta.

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Kev disponível em https://www.flickr.com/photos/kparnorthstonehouse/

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL