quarta-feira, 11 de junho de 2014

UMA COPA INESQUECÍVEL


Seria uma baita injustiça de minha parte se, ao descer desta minha missão fotográfica no adro da igreja do Rosário e ao passar ao lado dessa incrível casa, não fizesse também uma reverência e um breve comentário sobre ela. Infinitas histórias eu teria pra contar, sendo que algumas delas já foram aqui mesmo narradas no inicio blog (A Casa da Tia Irinéa).

Então, aproveitando a interessante coincidência de que há trinta e dois anos estávamos nesta mesma época vivendo eufórica e intensamente aquela inesquecível Copa na Espanha, irei novamente fazer este comentário.
          
Era junho de 1982 e, pra variar, não haveria melhor lugar para nos reunirmos e assistir aos jogos da COPA que não fosse o famoso TERRAÇO da Tia Irinéa.
Enquanto as ruas da cidade já se encontravam totalmente decoradas nas cores verde e amarela, de maneira absolutamente apaixonante e até mesmo um tanto doentia (talvez em circunstância daquele fantástico time de Zico e companhia), que subíamos para o referido terraço tomados por uma forte emoção de patriotismo.

Vivíamos numa época em que a situação política do país, pelo menos aos nossos olhos, parecia bastante análoga aos dias atuais, principalmente pelo simples fato de que o mundial estaria sendo disputada do outro lado do Atlântico. Ao contrário dos dias de hoje, o fato de centenas de quilômetros nos separarem daquela COPA, também distanciava nossa atenção de tristes realidades (CORRUPÇÃO, GASTOS EXORBITANTES DO DINHEIRO PÚBLICO, SUPERFATURAMENTOS EM OBRAS ETC).

Mas, voltando ao terraço da Tia Irinéa, parecia mesmo que estávamos indo para uma verdadeira guerra, tal era o poderio de nossa pesada artilharia de fogos e foguetes. Muitas bandeiras, instrumentos musicais, velas, filtro solar e muita adrenalina faziam daquela laje uma verdadeira arquibancada, pra não dizer campo de batalha.

Sinceramente, não saberia dizer o que mais VIBRAVA, principalmente na hora do gol, ou seja, se realmente seríamos nós ou a velha laje da Tia Irinéa. Mas... Que o lugar tremia pra caramba, não tenho a menor dúvida.

Hoje, diante de tamanha tecnologia a nos trazer imagens fantásticas recheadas de detalhes (já cheguei a ver um pequeno inseto na bola), fico a recordar de nossa mega televisão de 14 polegadas em preto e branco que, em pleno sol, permanecia com uma imensa bucha de palha de aço na antena no intuito de se tentar melhorar um pouco mais a imagem. Isso para não dizer que era expressamente proibido passar próximo à tela pra evitar as famosas interferências.

Na verdade, não estávamos nem aí pra essas e outras dificuldades, pois tudo isso servia apenas pra apimentar ainda mais aqueles encontros e nossa contagiante alegria. Pulos em cima, promessas em baixo.

Trinta e dois anos se passaram e, apesar dos pesares, me recuso a aceitar que esses e outros fatos venham também me roubar um pouco daquele velho entusiasmo de estar vivendo, com alegria e emoção, mais uma COPA DO MUNDO.


Crônica e foto: Serjão Missiaggia

segunda-feira, 9 de junho de 2014

CASOS CASAS & detalhes

















Lembro-me perfeitamente: dia 03 de junho de 1970 era uma quarta-feira. Ali pelas duas horas da tarde, a cidade parou: todos fomos assistir à estreia do Brasil na Copa do México. A Seleção estava em crise, João Saldanha havia sido demitido pelo Presidente da República pois não quis convocar o Dario do Internacional.

Na verdade, não levávamos muita fé na tal Equipe Canarinho. Por isso, aos 11 minutos, quanto o tcheco Petras abriu o placar, muita gente torceu o nariz e falou: eu sabia, esses caras não são de nada. Aos 24 minutos, falta para o Brasil, e o locutor da Rede Globo Geraldo José de Almeida chamou: Rivelinooooo! E ele foi. Mandou um tirambaço que o goleiro Viktor está procurando até hoje. Depois foi só alegria.

Quarenta anos se passaram e, às vésperas de mais uma Copa, esta aqui no Brasil, São João JÁ é só alegria e, vendo a cidade assim, preparada para a festa, só resta lembrar mais uma frase de Geraldo José de Almeida: LINDA, LINDA, LINDA!

CASOS CASAS & mistério ???


QUEM SABE ONDE FICAM ESSAS DUAS BELAS BANDEIRAS EM SÃO JOÃO?

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - A casa na Rua Dona Izabel, atrás da Igreja Matriz, foi reconhecida por muita gente: Rita Mirim, Reneé Cruz, Aline, Márcio Gouvêa, Ubirajara Gentil Lima, Diego Silva, Cida ABreu, Jorge de Oliveira, Cacau Fajardo, Márcia Fam e Eduardo Elias Ayupe Tamiozo.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

EU QUERO DAR UMAS PALMADAS


Gente, eu tenho uma paranoia particular que me diz que, quando chega a minha vez de usufruir de uma coisa legal, este direito me é cassado. Isso aconteceu comigo várias vezes: quando fui para a escola, época legal às pampas como diziam, fizeram uma tal revolução que obrigava todo mundo a ficar em “ordem unida” e “murchar a orelha” como dizia meu pai.

A coisa continuou nos anos 70: lá eles faziam o Woodstock e nós, aos 12-15 anos, achando que iríamos ser hippies, dávamos de cara com o Bolote. No Contador, achava que poderia bancar o Bruce Lee, e encontrava um cara mais poderoso: o sô Bi.

Nos anos oitenta, o início da independência profissional chegou (oba!) com o auge da liberação sexual, mas também com a... AIDS. Mais recentemente, ao tentar aposentar-me aos trinta anos de serviço, junto com um bando de amigos, tive as asinhas cortadas pelo FHC, e cumpri mais cinco anos de prisão.

Agora, eu, que já levei umas tantas palmadas, e até mesmo umas lambadas de corrião, estou sendo privado do meu sagrado direito de distribuir uns tabefes na bunda do meu terceiro filho pela famigerada Lei da Palmada.

Já aprovada pelo Senado, a lei foi para sanção presidencial e está esperando Tia Dilma, conhecida por distribuir umas bordoadas quando necessárias, decidir se a palmada será permitida ou proibida.

Para mim, a tal lei é uma besteira descabida e é o mesmo que criar uma lei proibindo soltar pum debaixo do cobertor para proteger a camada de ozônio. Explico: sou totalmente contra qualquer tipo de violência, doméstica então nem se fala (mesmo com palavras) e abomino desrespeito às crianças. Mas me pergunto: qual é a utilidade de um diploma legal para reger um assunto puramente privado, ou seja, fora da competência do Estado, no qual os abusos (crimes) já estão previstos no Código Penal e também no Estatuto da Criança e do Adolescente?

E como a lei vai funcionar na prática? Lasco um tapa no popô do meu filho: aí ele vai chorando até uma delegacia e me denuncia, ou algum vizinho denuncia. Será que ele vai ter que se submeter a exame corpo de delito? Já foi dito que não haverá prisão, mas aqueles famosos programas socioeducativos “pra inglês ver” como aqueles cursos de primeiros socorros nos exames para carteira de motorista.

Finalmente, vamos combinar, se o que se requer é diminuir a violência através da educação, que tal aprovar uma lei coibindo a violência contra os professores dentro das escolas?

Crônica: Jorge Marin
Foto: disponível em http://ven1.blogspot.com.br/2014/05/lei-da-palmada-e-aprovada-na-ccj-da.html

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A PREDA DA TIPOGRAFIA


Nesta altura do campeonato, muitos já deverão estar admirados com o descuido gramatical que vem acompanhando o titulo desta croniqueta, mas, antes de jogarem “preda”, deixem-me explicar.

Propositalmente fiz essa brincadeira em circunstância de um clique de memória que tive no exato momento em que fui tentar fotografar aquela plaquinha da Voz de São João e não mais tê-la encontrado.  Sinceramente, tinha a impressão de que ainda permanecia numa parede ao lado de onde sempre existiu, ou seja, que continuava afixada no antigo prédio da Papelaria Moderna.  Um verdadeiro patrimônio cultural, a indicar o lugar conhecido por todos nós, como A PEDRA DA TIPOGRAFIA (Mural da Voz de São João). Por sinal, patrimônio cultural este que, por muitas décadas, veio a fazer parte do cotidiano sanjoanense e da vida de varias gerações.  

Mas o que teria tudo isso a ver com a PREDA? Presto aí uma singela homenagem a um grande amigo de infância e adolescência, que se chamava Roberto Paula, carinhosamente conhecido por todos nós por Beto Preto. Enquanto criança, era desta forma que ele se referia ao local, sendo que teria sido justamente uma dessas referências que  ficaria gravada para sempre em minha memória.

Foi quando, num belo dia em que estávamos brincando de descer o morro da Matriz de carrinho de rolimã, ele, todo entusiasmado, chegou dizendo que havia visto um papel na PREDA DA TIPOGRAFIA e que este papel dizia que iria chegar um circo na cidade. Se realmente chegou o tal circo, confesso que não me lembro, mas sua frase, com certeza, se eternizaria em meu inconsciente.

Muito comum também era escutar meus pais, ao chegarem da rua, dizerem que numa tal PEDRA estaria escrito isso ou aquilo. Eu ficava intrigadíssimo, e ainda pior que meu saudoso amigo Beto Preto, imaginava que havia uma estranha PEDRA na calçada, onde as pessoas visualizavam os acontecimentos.

Mas, voltando à PREDA, digo à PEDRA DA TIPOGRAFIA, ideia genial criada pela família Rocha ainda no início do século, acredito que não haverá uma santa pessoa na cidade que não se recorda de alguma nota marcante que ali um dia teria lido. Muitas das quais boas, outras até ruins, como aquelas que vinham escritas nos famosos panfletos de falecimento. No meu caso, ficou marcado uma bela homenagem a John Lennon, deixada pelo nosso saudoso amigo Paulinho Cri-Cri.

Mas todas elas de imensurável utilidade publica, principalmente numa época em que a tecnologia das comunicações, se comparada aos dias atuais, ainda engatinhava, deixando as noticias bem mais distantes.

Interessante que, mesmo ainda hoje, ao passar pelo calçadão, muitos de nós, mesmo que de forma inconsciente, não deixamos de dar uma olhadinha básica para aquele local. Somente depois constatamos que, infelizmente, não mais existe uma PEDRA no caminho, e que, no caminho, não mais existe uma PEDRA.


Crônica e foto: Serjão Missiaggia

segunda-feira, 2 de junho de 2014

CASOS CASAS & detalhes




Ainda sobre as igrejas de Minas, lembramos Drummond:

"A dois passos da cidade importante
a cidadezinha está calada, entrevada.
(Atrás daquele morro, com vergonha do trem.)
Só as igrejas
Só as torres pontudas das igrejas
não brincam de esconder".

A saudade de São João sempre começa pela Igreja Matriz.

Fotos: Serjão Missiaggia

CASOS CASAS & mistério ???


QUEM SABE ONDE É ESSA PAISAGEM AÍ ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Márcio Gouvêa, Thiago Radd Lima, Maninho Sanábio e Bortolatto acertaram de onde a foto da Igreja do Rosário foi tirada: foi do jardim da Igreja Matriz.

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL