
O DISCO VOADOR - Capítulo III
(Roteiro original - Serjão Missiaggia / Adaptação - Jorge Marin)
No último episódio, nossos heróis, agora com o reforço de um estudante de astronomia, tentavam realizar o seu sonho de serem os primeiros a manter contato com um objeto voador não identificado. No entanto, o medo do desconhecido, a ansiedade asfixiante, mais um tanto de poeira que não parava de entrar no veículo, transformavam aquela situação numa experiência perturbadora.
Assim que chegaram ao trevo, observaram que a situação continuava a mesma.
Jesse Marcel, muito impressionado com aquela visão, começou a liderar, como se comandasse uma verdadeira operação de guerra. Ordenou, imediatamente, ao Sílvio Heleno, que subisse com o carro no canteiro e, com a frente virada para cima, apontasse os faróis em direção ao morro.
Enquanto nos ministrava o que parecia ser um pequeno curso de etiqueta intergalático, pedia insistentemente ao Sílvio que, como bons anfitriões, devíamos piscar os faróis em ritmos alternados. Todos se perguntavam se aquilo seria um código ou alguma senha secreta que somente o Jesse e os ET’s conheciam!
Num clima sinistro e de dar arrepios, aquela aventura começou mesmo é a ficar cada vez mais séria.
Vendo que aquela coisa parecia não estar nem ai para gente, e sentindo que uma aproximação mais delicada seria inevitável... Resolveram então chamar o pai do Jesse, ele sim um astrônomo formado, e com doutorado!
E assim foi convocado um profissional de respeito, um verdadeiro cientista!
Com cerca de 80 anos, ouvindo mal e andando com dificuldades, o Professor Marcos poderia, com sua imensa experiência e sabedoria, ajudar bastante. Isto sem falar que, quando exercia suas atividades no Rio de Janeiro, era considerado uma grande autoridade na matéria, com muitos trabalhos publicados e reconhecimento da comunidade científica.
E lá foram chamá-lo, voltando novamente, velozes e curiosos 2, com o motor da Vemaguette meio que resfolegando.
Algumas pessoas, que ainda estavam na praça, só faltavam se jogar na frente do carro, tamanha a curiosidade.
Já haviam se passado umas duas horas e, num verdadeiro rally tenso e insano, chegaram novamente à residência do velho mestre.
Para surpresa geral, eis que o mesmo surge na varanda.
De pijamas, touquinha na cabeça, foi logo dizendo de imediato:
- EU VOU, MAS, SE NÃO FOR NADA, VOCÊS ME PAGAM! NÃO GOSTO DE PERDER MINHA NOVELA!!!!
Novela? À meia noite??? Mais um fato estranho, mas... De qualquer forma, o negócio era levar o homem de qualquer jeito.
O Jesse, enquanto isso, entupia a Vemaguette de: lunetas, pedestais, câmaras, bússola, facão, cantis com água, mais facão, uma barraca do exército e aparelhos estranhos que ninguém podia o que poderia ser.
A movimentação era tão intensa que não havia uma única casa no bairro onde não houvesse pelo menos uma pessoa na janela. Toda aquela gente, espantados e curiosos, pareciam premeditar que uma coisa não muito boa estaria prestes a acontecer.
Na pobre Vemaguette não cabia mais nada. Imaginem só... Todo aquele arsenal e mais... ZÉ NELY, DALMINHO, SERJÃO, JESSE MARCEL, SÍLVIO HELENO E O PROFESSOR MARCOS que, por sinal, foi praticamente sentado no colo do Serjão.
Na correria, e numa das céleres descidas da Vemaguette, lembraram-se da bengala do professor. Ele não se lembrou... Deixaram para lá... Não iria caber mesmo...
Todos puderam sentir como deve ter sido a invasão da Normandia na Segunda Guerra Mundial: aquele bando do homens, suados e respirando com dificuldade, barbas às vezes se roçando umas às outras, o arsenal comprimindo o peito, e o traseiro em cima de objetos estranhos, possivelmente até mesmo um facão.
Ao tentar cortar caminho pelo morro da antiga zona do meretrício, tiveram que fazer três ou mais tentativas para tentar subir com todo aquele peso a bordo.
A Vemaguette gemia a cada tentativa, deixando para trás um imenso rastro de fumaça e um insuportável cheiro de óleo queimado.
Ninguém no meio daquela parafernália iria se aventurar a descer, receando, talvez, ser deixado para trás.
Após algumas tentativas, conseguiram, finalmente, e mais uma vez, chegar ao campo de aviação.
E a coisa lá, ainda no mesmo lugar, parecendo sempre desafiar, com suas estranhas luzes e seu mistério.
Nesta hora, o Professor Marcos, também bastante surpreso e assustado diante da situação, começava a encarar a coisa com mais seriedade.
Com toda aquela humildade, própria dos homens de ciência quando encaram o desconhecido, pediu a palavra, e foi logo dando algumas recomendações táticas. Em seguida, antes que fizessem a tentativa de aproximação final, ainda pediu uma rápida oração de todos.
Oração nesta altura do campeonato, principalmente solicitada pelo velho Marcos, começava de certa forma a assustar.
- Ele não é ateu? – alguém resmungou baixinho!!!
A seguir, o agora comandante da missão ordenou que os mais jovens fossem caminhando fora do carro, ou melhor, andando silenciosamente atrás dele.
Na Vemaguette, seguiria somente ele e o motorista que, por sinal, para sua própria infelicidade, era o que desejava estar o mais distante possível dali.
E lá foram eles... Caminhando lentamente, passo a passo, ao encontro do desconhecido.
Será o mistério finalmente desvendado? Conseguirão nossos heróis pytombenses, finalmente liderados por uma pessoa séria, conseguir realizar uma façanha que lhes dará projeção mundial? Não percam mais um capítulo deste diário de bordo, data estelar 1974, mostrando que o espaço pode não ser a fronteira final, quem sabe?
NOTA: Utilizamos nomes fictícios para as pessoas sérias, honestas e trabalhadoras que nós simplesmente incomodamos, chateamos e trouxemos para esta aventura maluca. Pedimos desculpas pelo incômodo causado na época e, se for vontade de tais pessoas a exposição de seus nomes, basta nos comunicar, que teremos grande prazer e alegria em divulgar. Registramos nosso agradecimento a esses profissionais!