sexta-feira, 29 de julho de 2016

A FOLHINHA ERA O NOSSO WHATSAPP


Passando em frente à Livraria Vozes, saudade imensa veio até mim, e eu, sem saber por quê, exceto que era da minha mãe.

Um livro? Alguma frase solta me capturara? Ou a visão de alguma paisagem mediterrânea que a dona Olga tanto amava? Nada disso! O que buscou minha mãe, do céu de onde tanto se esforçou para pertencer, foi a visão singela de um calendário do Coração de Jesus – 2017.

Nos meus tempos de menino, o Calendário do Sagrado Coração de Jesus era o nosso whatsapp. Impossível viver sem ele. A “folhinha”, como chamávamos, trazia todos os assuntos, mas todos mesmo, desde o comentário do evangelho de domingo até dicas de saúde e piadas.

A coisa funcionava assim: ao retirar a folha do dia anterior, tínhamos uma visão da cor do paramento que o padre deveria usar na missa do dia, e que tipo de missa era. Em seguida, vinham as leituras bíblicas sugeridas: o evangelista, um apóstolo e algum texto do Antigo Testamento.

 Outra coisa curiosa eram os santos do dia. Por exemplo, no dia em que eu nasci, uma sexta-feira, dia 5 de outubro, minha mãe correu à folhinha para ver os santos do dia: eram Santa Flávia, São Meinolfo e São Benedito, o Negro. Olhando para a própria pele, e da italianada toda da família, ela fechou a folhinha e lascou: Jorge Fernando. Talvez porque sonhasse que eu pudesse ser um dia diretor de teatro ou de televisão, embora a TV Globo só viesse a ser criada 8 anos depois.

Coisa também muito importante era saber, antes mesmo de tomar o café, se o dia era de penitência. Sexta-feira era.

Finalmente, a lua era minguante.

Afinal, poderão dizer, qual era a utilidade do Calendário do Sagrado Coração de Jesus? Eu já ia falar “a mesma do Google”, mas, para isto, tínhamos a Grande Enciclopédia Barsa.

E, francamente, a utilidade eu não sei. Hoje, por exemplo, serviu pra eu lembrar da minha mãe. Ainda bem que ela passou batida por aquele nome... Meinolfo.

Crônica: Jorge Marin
Foto     : disponível em http://www.franciscanos.org.br/wp-content/gallery/folinha-sagrado/1957.jpg

quarta-feira, 27 de julho de 2016

PAULINHO JÁ VAI ALI


Hoje, enquanto descia a Rua Duque de Caxias (no nosso tempo se falava rua da padaria do Debrando), fui surpreendido por alguém que, após estacionar uma bicicleta bem próxima de mim, deu-me uma rápida cutucada nas costas. Olhando pra trás um tanto assustado, qual teria sido minha agradável surpresa?

Simplesmente, havia acabado de encontrar com uma grande figura. Interessante ressaltar que, mesmo morando na mesma cidade, confesso não me lembrar de quando teríamos nos encontrado pela última vez. Assim, calorosamente, nos cumprimentamos e, após trocarmos breves palavras, continuamos nosso destino. Talvez pelo fato de, naquele momento, eu me encontrar acompanhado, e de ter sentido que, por parte dele, havia também certa pressa, tudo veio a acontecer de uma maneira muito superficial.

Fazíamos parte daquela turminha das boas conversas. Aquela mesma que, entre umas e outras coisas, saía do cinema e aproveitava pra terminar a noitinha batendo aquele papo gostoso na porta da sinuca do Cida ou no degrau do antigo prédio do Banco Nacional. Muitas vezes, sentados naquele banquinho de madeira dentro da referida sinuca, permanecíamos papeando, lendo jornal (geralmente notícias de esporte) ou simplesmente observando algum “cobra” jogar. Futebol, garotas ou mesmo uma fofoquinha básica quase sempre rolavam nos bastidores, enquanto, de “oreia” em pé ao som do velho rádio do saudoso Sr. Cida, ficávamos escutando a transmissão de algum jogo. Por sinal, o “home” era tricolor roxo.

Mas, voltando ao nosso amigo, o considero um expert, quando o assunto é bicicleta. Acho mesmo que tenha até aprendido primeiro a se equilibrar numa dessas do que propriamente andar. Por sinal, ainda hoje, com seus quase “entas” anos, continua sereno, tranquilo e dando suas voltinhas (se é que podemos falar que percorrer 70 km/dia é voltinha!). Segundo suas próprias palavras, tem como recorde 90 km. No mais, uma saúde invejável e vitalidade de adolescente.

Assim, quando o encontro pela rua, de bicicleta é claro (pouquíssimas vezes o vejo andando a pé), procuro, em tom de brincadeira, sempre perguntar:
- Tá indo ou vindo de onde, Paulinho? – o qual me responde rapidamente, esboçando sempre satisfação com minha pergunta:
- Dei uma chegadinha ali na cidade de Astolfo Dutra! Na volta, ainda passei pela serra de num sei onde, entrei na estrada assim assado, contornei o trevo do tal lugar, peguei uma estradinha da direita e “casquetei” pra ali afora. Estou acabando de chegar! - completa ele.

E, dessa forma, vai contando cada detalhe de suas aventuras, ou seja, tranquilo e nunca ofegante, parecendo estar sempre acabando de se levantar da cama. Acho fantástico, original e fora de qualquer padrão que regeria as normas vigentes, seu exótico estilo no pedalar. Alguém de vocês já viu um ser humano andar de bicicleta daquela forma?  Autenticidade pura!

Pra começo de conversa, a posição do selim fica quase a um palmo acima do guidão. O assento fica tão alto que, enquanto seu traseiro segue nos mostrando a direção do céu, suas pernas, esticadérrimas, vão à medida do possível tentando alcançar os pedais. Na verdade, pela inclinação de sua cabeça, principalmente em relação ao traseiro, temos a nítida sensação de que a bicicleta está sempre morro abaixo, mesmo que ainda numa reta. E, dessa forma, quilômetros vão, quilômetros vêm.

Como todos já deverão estar desconfiados, esse meu amigo não poderia ser outra pessoa que não fosse nosso conhecidíssimo Paulinho Javali. Por sinal, figura esta de uma simplicidade ímpar, excelente pessoa e muito divertida. Ouso até a dizer que o considero uma espécie em extinção, e que sua idade caminha diretamente proporcional aos quilômetros pedalados, ou seja, quanto mais “véi” mais longe ele vai.

Mas, foi em função de tudo isso que, carinhosamente, passei a tratá-lo de Paulinho Já Vai Ali, lá, acolá... Sei apenas que não para de ir. E cada vez mais longe!

Seus causos de viagens são muitos. Todos eles leves e engraçados, sendo que alguns já tive até oportunidade de escutar. Contarei noutra postagem.

Crônica e foto: Serjão Missiaggia

segunda-feira, 25 de julho de 2016

SE ESSA RUA FOSSE A MINHA



QUEM LEMBRA DE ALGUMA HISTÓRIA VIVIDA AQUI???

Foto             : Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

TODA CASA TEM UM CASO


QUEM JÁ VIVEU EMOÇÕES NESSA CASA???

CASA DA SEMANA PASSADA - Os três primeiros que reconheceram a casa na esquina em frente ao antigo Ginásio do Sôbi, onde morou o José Lúcio Bul-la, foram: Marcelo Oliveira, Leandro Augusto Bul-la e Antônio José Capanga (que afirmou que o atual morador da casa é o sr. Antônio José Pereira de Mendonça).

Foto             : Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

CASOS CASAS & mistério ???



ONDE FICA ESSA CASA???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Os três primeiros a reconhecer a fachada da antiga Escola Dr. Augusto Glória foram: Maninho Sanábio, Rita de Cássia Campos e Marcelo Oliveira.

Foto             : Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

ÀS (200) MIL MARAVILHAS


No dia 30 de junho de 2009, ainda ressabiados por estar levando o Grupo Pitomba para a Internet, publicamos o seguinte agradecimento pelo sucesso do BLOG:
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Superamos a marca de mil visitas no blog e temos que agradecer a vocês, que passam por aqui, que constroem o blog conosco e sabem que, se é verdade que o sonho acabou, a net está no ar! E vamos precisamente navegar...
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Hoje, algum tempo e alguns cabelos brancos depois, atingimos a marca de 200.000 VISUALIZAÇÕES DE PÁGINA!

É como se, desde o início do Blog, a população INTEIRA de São João Nepomuceno tivesse passado por aqui, pelo menos umas sete vezes e meia. O resultado é surpreendente, mesmo para nós, porque somos um site sem nenhum patrocínio, sem nenhum atrativo externo, cujo único objetivo é CONECTAR SANJOANENSES.

Obrigado a todos que nos ajudam a continuar construindo o BLOG!
                                            Jorge Marin & Serjão Missiaggia.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O MUNDO É UMA DROGA... ALUCINÓGENA


A vida é uma droga.

Alucinógena, completou a menina sentada no outro lado da mesa, sem tirar os olhos da tela de cristal líquido do seu iPhone.

No meu tempo, quando eu era bem pequeno, me falaram do Papai Noel. Eu via aqueles presente todos, sabe? – e olhou, pela primeira vez, para a garota com roupa de couro. Preta (a roupa). Ela tinha cabelos curtos, espetados, mas não muito.

Contra aquela beleza de coisas que eu desejava, não havia argumentos – continuou o homem, com o uísque ainda intocado. Era de noite, mas o bar ainda estava bem vazio. Devia estar tocando uma música, ou era o barulho do freezer, pois era bem suave.

A mim, me disseram que haveria uma pessoa que eu poderia encontrar. E amar. Pelo resto da vida! – disse a menina. Era uma saia bem curta, notou o homem.

Já me falaram sobre isso também – respondeu o senhor, roupas mais joviais do que sua real idade – chamam de “amor”. Eu mesmo já caí nessa várias vezes. Três de forma oficial – completou.

Oficial? Como assim? – indagou a moça.

Ah, desculpe – disse o homem, se aproximando – esqueci de dizer que, no meu tempo, quando a pessoa achava o tal par ideal, tinha que ir no cartório registrar e, principalmente, na Igreja, consagrar a união que, pelos ritos, seria para sempre.

Você não parece um cara que vai à igreja. A moça acabou deixando escapulir essa observação, não como uma crítica, mas até com uma dose de admiração. Chegou quase a se arrepender, porém ele já havia começado a beber.

Por uma bela mulher, vou até ao inferno.

Velho falando bravatas – pensou ela. Eu gosto!

A música ficou mais alta e não foi possível acompanhar os diálogos. Quando saíram juntos, o velho dizia assim: olha, não vou te enganar, sou apenas um professor. E ela sorrindo: tem problema não, véi (gíria, não conceituação). Sou lésbica.

E foram... nem era tão tarde assim.

Crônica: Jorge Marin
Foto     : frame do filme Esse Obscuro Objeto de Desejo 

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL