sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

FAMÍLIA FUNKEIRA


Sentado no ônibus, voltando pra casa, percebo que algo me perturba, e trata-se de uma música irritante que vem do banco ao lado. Não é uma musiquinha do tipo daquelas que tocam em celular; é um baita funk que sai de um rádio em forma de lata de cerveja.

Estamos nos últimos bancos do ônibus. Eu tentando cochilar e uma típica família mineira: nos penúltimos bancos, uma mãe, entre seus trinta quase quarenta, ao lado da filha que deve ter no máximo quatorze anos e que está sintonizando a geringonça, atrás um filho ainda mais jovem cabeça semirraspada e penteado meio punk meio moicano. O pai, um senhor talvez um pouco mais novo que a mãe, está no banco à minha frente do lado oposto ao resto da família.

 A princípio, uma cena urbana típica e corriqueira, a não ser por um detalhe: as letras das músicas que, no último volume, invadem todo o veículo. Não vou repeti-las aqui no Blog porque, mais do que mau gosto, trata-se de uma agressão. Imaginem uma consulta ginecológica descrita pela Dercy Gonçalves. Pois bem, é três vezes pior do que isso!

Faço um pouco de humor aqui, meio que para amenizar as coisas, mas, na verdade, eu, que sempre fui contra qualquer tipo de censura, me senti profundamente agredido. Ainda bem que havia deixado o meu filho um pouco antes. Entre a assertiva de pedir que desligassem aquilo e a preguiça de ter que entrar em conflito com um grupo de pessoas que pareciam estar bem tranquilas com aquela nojeira toda, preferi aguardar e descer mais à frente, pois já estava me aproximando de minha casa.

Depois, caminhando, fiquei me perguntando qual é a necessidade que têm as pessoas hoje de exibir, de escancarar, de arreganhar intimidades para todos, inclusive para os que não querem ter conhecimento desses detalhes?

A lista é longa: além das tais letras escatológicas, infligidas nos ônibus e nos poderosos sons automotivos, somos expostos a todo tipo de exibicionismo gratuito em programas televisivos. Que fique claro: não tenho nenhum tipo de constrangimento em assistir obras de arte que tenham conteúdo sexual. Mas, como diz o programa de TV, “cada coisa em seu lugar”. Por que é que eu, na companhia de um tanto de pessoas voltando pra casa, sou obrigado a ouvir tamanho lixo? No caso da TV, ainda posso não ligar naquele canal, e não ligo mesmo, mas, no ônibus, é brigar ou descer.

Finalmente, uma afirmação àqueles que acham que isso tudo é natural, moderninho, sinal dos tempos etc. Não é! Isso é uma deformidade de caráter, um exibicionismo agressivo e uma tremenda idiotice.

Certo estava Nelson Rodrigues: “subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos”.

Crônica: Jorge Marin
Foto     :  disponível em http://transcooper.com.br/noticias/haddad-aprova-lei-que-proibe-musica-alta-em-onibus

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

CAUSOS DA OFICINA - Fumaça na Janela (final)


E já que estamos ainda falando sobre carnaval, fogo, ressaca e coisa e tali, outro causo real, e que não poderia deixar de contar, foi a quase tragédia que ocorreu com outro televisor. E que sufoco!

Naquele período, eu e meu sobrinho Tuca trabalhávamos oficialmente com Suveleno, e a televisão de minha saudosa tia havia apresentado um defeito. Não haveria melhor oportunidade pra mostrar serviço e, diante daquele entusiasmo tão típico de quem estaria aprendendo a apertar seus primeiros parafusos, lá fui eu, mais que depressa, tentar  vender nosso peixe.            

Na época, minha tia estava acostumada com outro técnico, mas, devido à minha insistência, aceitou dar-nos preferência: conserto rápido, técnicas novas, bons preços foram apenas algumas das muitas justificativas apresentadas por mim, para mostrar que optar por nosso serviço seria o melhor negócio. E assim foi!

Tudo ocorreu na mais perfeita harmonia, ou seja, fomos rapidinhos no domicílio pegar a televisão, o conserto foi feito e entregue em tempo recorde. Tudinho além da expectativa e combinado.

Já no outro dia, quando estava em casa tirando meu cochilo aproveitando minha hora de almoço, comecei a escutar uma gritaria estranha vinda da rua. Levantei imediatamente e, chegando até a varanda, o que mais se via era gente correndo em direção à casa de minha tia. Até aí nada de mais, se não fosse pelo simples fato de estar uma fumaceira danada saindo da janela, e, o que é pior, com imensas labaredas de fogo quase alcançando o forro de madeira do quarto. Aí pensei: danou tudo! E é na sala de televisão. Será? Não deu outra.

Com apenas um pulo, saltei o murinho da varanda e chegando imediatamente ao local, só deu tempo mesmo de retirar minha vó de dentro do quarto. Foi quando um vizinho chegou detonando sem piedade seu extintor naquele fogaréu. E que explosão, ou melhor, implosão. Quem poderia imaginar, naquela altura do campeonato, que o jato do extintor em contato com o tubo de imagem, causaria tanto estrago. Perda total! Não sobrou um parafuso sequer pra contar a história. Pior foi a fuligem de borracha que se espalhou pela casa que, por muito pouco, não intoxicou todos nós.

Saímos tão chamuscados que parecia que estávamos trabalhando numa mina de carvão. Para terem uma ideia, quase todos os cômodos tiveram que ser pintados novamente.
Mas, na realidade, tudo não teria passado de uma grande fatalidade, pois foi constatado posteriormente que o transformador que gera alta tensão (de nome flyback), ao entrar em curto, passou imediatamente centelhas para a caixa de madeira, esta já não tão nova). Defeito que, por sinal, não teria nenhuma coligação com o anterior.

Já em casa, e bem mais calmo, pensei novamente: Deus escreve certo por linhas tortas, ou seja: e se eu tivesse passado aquele cupinicida na caixa?  Aí, meu amigo, não teria sobrado pedra sobre pedra.

Enfim, lá está hoje a grande Transtec, fruto de um trabalho confiável, mesclado a conhecimento, tecnologia, competência e, acima de tudo, inteligência prodigiosa de seu criador.

Mas que o trem pegou fogo naquele dia, isso pegou!

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : acervo do autor

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

BELEZAS DA TERRINHA


TERMINADO O CARNAVAL, É SÓ PAZ... E BELEZA.

Foto: Serjão Missiaggia

CASOS CASA(RÕES) & seus detalhes misteriosos


QUEM VIVEU ALGUMA EMOÇÃO NESSA CASA ???

CASARÃO DA SEMANA PASSADA -  Talvez devido ao Carnaval, pouca gente se manifestou quanto ao casarão da semana passada. O primeiro a dar uma pista foi o nosso baixista paraguaio Márcio Velasco que afirmou: "Rua Dr. Gouveia, acima do Pronto Socorro", sentença confirmada pela Julia de Lourdes e pelo Jacques Angelo Rigolon.
 
Finalmente, a Angelica Girardi matou a charada: "essa é na rua Dr. Gouveia, casa dos falecidos Sr. Otávio e Dona Zulmira".

Foto: Serjão Missiaggia

CASOS CASAS & mistério ???


QUE LUGAR É ESSE ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Apenas o Camilo Pontes reconheceu a montanha dos Núcleos.

Foto: Serjão Missiaggia

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

EU NÃO QUERO SER FELIZ


O Carnaval acabou e as pessoas já começam a se mover, a se deslocar para buscar a felicidade em outros locais. Parece que, de um certo tempo para cá, não dá pra ser feliz sem agitação, barulho e juventude. Este conceito que, aliás, é antigo (pois é de Pascal no século XVII), atingiu nos nossos dias uma verdadeira conotação moral, como se imoral, hoje, fosse ser triste.

No meu tempo de criança, não havia essa preocupação com a busca incessante da felicidade. Também pudera: tínhamos a mais absoluta certeza de que, se levássemos uma vida bem chinfrim, bem desprovida de prazeres, teríamos, automaticamente, assegurado o nosso ingresso no paraíso, que nos era descrito como uma espécie de spa onde poderíamos experimentar a verdadeira felicidade, e, não apenas por um tempo, mas por toda a eternidade!

Aquela crença nos dava um conforto danado, pois sabíamos que, se não fôssemos felizes nesta vida, e justamente por não ser feliz nesta vida, estaríamos assegurando uma outra vida, esta sim plena de alegrias.

Pois bem, hoje uma grande parte da população, aí incluído o Papa Francisco, não acredita nessa coisa de céu e inferno. No entanto, e isso é o que me chama mais a atenção, quase a totalidade desses descrentes acredita numa “felicidade eterna”, que deve ser vivida diariamente, durante 24 horas, aqui nesta nossa vida atual.

Ora, isso tem causado dois fenômenos: primeiro, uma multidão de seres que tenta fazer isso. Trabalham como loucos para ter um happy hour, tomam todas, namoram o maior número de pessoas possível, consomem tudo o que surge pela frente em quantidades absurdas, viajam para lugares paradisíacos, e não deixam nenhum minuto de descanso passar em branco, para participar de algum evento. São conceituados, nos meios de comunicação que vendem toda essa parafernália, como “normais”.

Por outro lado, há aquelas pessoas que, ou por não ter grana para financiar a trip da felicidade, ou por não ter saco para cumprir todos esses rituais, ou por não gostar de barulho e multidões, preferem ficar quietas, ou sozinhas, ou simplesmente vivendo a vida descompromissadamente. São chamadas, pelos experts da indústria farmacêutica, como “depressivos”.

Entre os depressivos, há três tipos de indivíduos: os que são depressivos mesmo, não conseguem conduzir suas vidas e devem, sim, tomar medicamentos. Existem também aqueles culpados de não serem felizes e, por não conseguirem atingir os paradigmas dos vencedores, buscam todo o tipo de conforto, de drogas (receitadas ou não por médicos) a terapias, de religiões a retiros, de dicas de programas televisivos a simpatias e florais. Vejam que este segundo grupo, quanto ao consumo, pode ser definido como “normal”.

Finalmente, há aqueles que não estão nem aí para a felicidade. Acordam mal quase todos os dias (vocês conhecem alguém que acorda superbem?), tomam um café, vão viver a vida. Se tiver sol, tudo bem. Se não tiver, também. À medida em que vão vivendo o seu dia, alegram-se, fazem o que querem, ficam nervosos, xingam, brincam, se entristecem, choram até. E, à noite, depois de um dia de emoções variadas, dormem. Tô nessa!

Crônica: Jorge Marin
Foto     : disponível em http://www.biography.com/people/charlie-chaplin-9244327

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O FUTURO DO CARNAVAL


Juntamente com o projeto Sassaricando e nosso eterno Bloco da Girafa, saudemos com louvor a RUA NOVA e RUA DO SAPO, que com seus FAMOSOS BLOCOS e encontros na calçada, já se traduziram em autênticos berçários de nosso carnaval.

Foto: Serjão Missiaggia

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL