
A B O M B A - Capítulo 2
Roteiro Original - Serjão Missiaggia / Adaptação - Jorge Marin
No capítulo anterior de “A Bomba”, uma decisão havia sido tomada, uma decisão que mudaria, para sempre, a vida pacífica da cidade de São João Nepomuceno. Um grupo de jovens idealistas decidira, pela primeira vez na História da Humanidade, detonar uma bomba de Melodias.
Naquele fatídico domingo de 1972, o Programa Flávio Cavalcanti não seria o campeão absoluto de audiência. Às 18 horas e 30 minutos, uma outra atração estava programada para pegar a população de surpresa.
E foi assim que tudo ocorreu.
Pontualmente, às seis e meia da tarde, sabem quem estava no local determinado? Pois é, ninguém. Todos haviam sumido. Após mais alguns minutos, o Sílvio Heleno, que morava lá, saiu pela porta da cozinha. Logo depois, os vizinhos mais próximos, Renatinho e Serjão, também chegaram. Seriam as cobaias, para ver e sentir do que a danada da bomba era capaz. Sem saber, estavam escrevendo páginas da História.
Serjão estava particularmente preocupado, pois um dos seus irmãos acompanhava, um tanto ressabiado, e de forma discreta, esta nova loucura. Na realidade, ele não acreditava muito na capacidade dos rapazes, mas ficava o tempo todo dizendo que, de bombas, ele entendia e que, juntamente com o primo Biel, havia feito muitas na adolescência.
No dia e na hora marcados, enquanto eram checados os últimos detalhes da montagem do aparato e a contagem regressiva já era iminente, quase acontece uma tragédia. Silvio Heleno, para espanto de todos, esticou um fio até a escada da oficina e colocou aquela bendita “coisa” bem na porta de entrada.
Nesta hora, tenso e assustado, Serjão pergunta:
- Sílvio! Eu não entendo muito bem de bombas, mas... Você não acha que esta coisa, colocada ali, principalmente de portas abertas, não vai dar retorno? Ou seja... Não está muito perto da gente?!
Silvio Heleno, como todos que o conhecem sabem, é simples e direto:
- Tá tudo tranquilo, Serjão! É só fazer a contagem regressiva, tapar os ouvidos, apertar o botão e entregar para Deus!
Nesta hora, sentindo que ele, na empolgação, estava meio cego para perigo, Serjão buscou cercar-se de alguma segurança ainda possível. Pediu ao Sílvio que fechasse um pouco a porta, colocasse a bomba um pouco mais para fora e deixasse pelo menos uma janela aberta. Para a sorte de todos, assim foi feito.
Começaram, então, a escutar a contagem regressiva, que já estava previamente gravada, sentido 20 para zero.
Quando o botão foi acionado, a única sensação relatada pelos participantes da experiência é de terem ficado completamente surdos e cegos.
Passados alguns segundos, envoltos numa fumaceira danada de espessa, só se percebia que uma multidão começou a chegar de todos os lados.
Acredite quem quiser, mas a pressão do impacto foi tão grande, que a porta da oficina se dividiu em duas. Ao mesmo tempo, a explosão fez surgir na parede uma rachadura de quase 2 metros de comprimento, sem falar na chuva de alto-falantes que despencaram das estantes da oficina e rolaram em todas as direções.
Neste mesmo instante, passageiros do ônibus das 19 horas, que estavam saindo da antiga rodoviária com destino a Juiz de Fora, saltaram assustados do ônibus e, sem saber o que estava acontecendo, ficavam a olhar, abobados, em direção à oficina.
Enquanto isso, em meio à toda confusão, os responsáveis foram saindo do epicentro da explosão, tossindo alto e como se nada tivesse acontecido.
Ainda bem que, nesta hora crucial, com os três já do lado de fora, aquele irmão do Serjão, o suposto conhecedor de bombas, chegou extremamente apavorado. Na verdade, havia acompanhado tudo à distância e aguardava-os ansiosamente para, com seu carro, levá-los a uma em retirada estratégica, já que havia comentários de que algumas pessoas já teriam prestado queixa na delegacia.
E agora: quais serão as consequências? Para saber mais sobre as outras duas explosões seguintes, a repercussão na população, e, principalmente, a explosão do terrível modelo XB ¾ Versão 3, não percam o capítulo final de A Bomba. Não restará capacitor sobre capacitor.