sexta-feira, 6 de novembro de 2015

AMOR TRANSTORNO MENTAL


Constantemente, falamos aqui no Blog das nossas experiências quando jovens em São João Nepomuceno. Uns faziam teatro, tocavam violão, dirigiam o carro do pai, fumavam pra caramba, ou, simplesmente, sentavam no murinho do Adil e zoavam até altas horas.

Mas, sobre o que ainda não falamos ainda é a questão amorosa. Naquele tempo, diferente de hoje quando meninos e meninas apostam quantas bocas vão beijar numa única noite, nós, estranhamente, queríamos que uma outra pessoa se apaixonasse por nós.

O mais curioso desse (hoje) bizarro costume é que não queríamos que qualquer um ou qualquer uma se apaixonasse. Não, senhor, tinha que ser aquela pessoa que nós achávamos que era o máximo. E não adiantava nenhum colega vir dizer que “aquela menina é muito magrinha” (na época, usava-se amar as gostosonas), pois ainda assim, achávamos aquela Olívia Palito uma Vera Fisher.

Cá pra nós, essa ideia do outro se apaixonar por nós pode ser muito boa... pra nós, mas, se invertermos as coisas, será que nós estaríamos dispostos a nos apaixonar perdidamente por outra pessoa, mesmo esta não ficando nem aí pra nós? Conheço gente por aí, até hoje, e inclusive o autor que vos fala, que diria: sim!

Na década de 70, era até comum esse pensamento, pois, achávamos que, se tantos escritores, e músicos, fizeram sucesso, é porque tinham um amor não correspondido. Além disso, a sensação era muito boa: lá vem aquela menina que (acho eu) é o máximo! Quando ela passa, eu fico mais bobo, falo mais alto, tenho taquicardia, sudorese, gagueira. Possivelmente, nestes novos manuais de transtornos mentais, já deve ter algum remédio para curar o apaixonamento.

No fundo, no fundo, era uma grande ilusão: se ocorresse, e ocorria às vezes, daquela menina (que eu considero o máximo) se apaixonar por mim, na verdade não seria eu mesmo que estaria apaixonado por mim, num episódio clássico de narcisismo? Sim, porque ela não era ela, mas sim aquilo que acho que ela era, percebem a diferença?

Hoje, embora dê um certo nojinho essa troca sucessiva e desenfreada de saliva e restos alimentares, quem sabe não tenhamos chegado à conclusão definitiva de que apaixonar-se é mesmo uma doença? E, falando por mim, incurável?

Crônica: Jorge Marin
Foto     : Slevin Aaron, disponível em http://www.deviantart.com/art/0060-I-love-photoshop-178214684.

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