quarta-feira, 28 de setembro de 2016

UM POSTE EM MEU CAMINHO


Estando a três dias das eleições, onde a expectativa já se tornou um fato bastante evidente, resolvi, no intuito de dar uma boa descontraída aos leitores e eleitores, relembrar este fato verdadeiro e muitíssimo surreal, que ocorreu comigo no século passado. A coisa teria acontecido mais ou menos assim:

Estava eu passando pela Rua Nova quando, na esquina com a Rua Joaquim Murtinho, um fato muitíssimo estranho aconteceu. O exato lugar, se não me falha a memória em julho de 1975, tornou-se palco de uma cena não comum a moradores e transeuntes daquela redondeza.

Naquele inesquecível dia, tornei-me personagem principal de um cômico e dramático episódio, que teve como coadjuvantes dezenas de pessoas que por ali passavam: moradores, curiosos, palpiteiros etc.etc.etc. Foi uma cena incomum, e tais pessoas jamais poderiam imaginar que ficariam gravadas, anos e anos, na história da já famosa Rua Nova.
     
Vamos ao fato. Até pouco tempo atrás, havia no referido local um poste de ferro, idêntico ao de nossa ilustração acima, que servia à sinalização de trânsito, cuja característica era possuir esses pequenos orifícios espalhados em sua base. Passar por ali era rotina obrigatória das idas e vindas do namoro, tornando-se local predileto das brincadeiras que eu, religiosamente, fazia toda vez que ali passava.

Uma das brincadeiras exigia de mim uma precisão invejável que, por sinal, era muitíssimo bem ensaiada. Consistia em enfiar o dedo rapidamente num desses buracos e, ante o perigo de ficar preso, deixaria assustado as pessoas que me acompanhavam.

Um belo dia... Não sei se por azar, erro de cálculo ou mesmo se engordei de um dia para o outro, ao enfiar, mais uma vez, o dedo num daqueles buracos, um calafrio no corpo me fez compreender que havia entrado verdadeiramente pelo cano, ou melhor, pelo poste. Senti uma sensação diferente, era como se escutasse ao pé do meu ouvido: - DESSA VEZ EU TE PEGUEI!

Provavelmente, teria sido um erro de cálculo, pois, após estudar minuciosamente o ocorrido, descobri que, ao introduzir o dedo com um pouco mais de pressão no buraco, deixei que as juntas penetrassem além do costume.
E ali estava eu. Por um erro de cálculo, tornei-me um indefeso prisioneiro de um poste e, o que é pior, exatamente na Rua Nova, que sempre foi uma das mais movimentadas da cidade.
    
Em vão, fiz as primeiras tentativas de escapulir dali. Procurei disfarçar, mas impossível.  Já alguns curiosos começaram a circular ao meu redor e aglomerar ao meu lado, enchendo-me de palpites, piadinhas e gozações.  E eu ali indefeso, preso e já começando a ficar preocupado.

Um infeliz, já meio alcoolizado, passou pelo local e, com aquele bafo de pinga e aquele olhar pesado, olhou para mim, olhou para placa, novamente olhou para mim e, colocando a mão em meu ombro, sussurrou baixinho em meu ouvido:
- Gente boa, fica frio, a placa é somente de contramão, mas só o dedinho pode! - Depois dizem que bebum não pensa!...

Fui levando tudo na brincadeira, pois, até então, acreditava que sair dali era questão de momentos ou certa perícia e isto eu acreditava que tinha. O número de curiosos aumentava a cada instante e, entre uma piadinha e outra, chegou um senhor, que, com muita educação, foi pedindo licença a todos, fazendo chegar até a mim uma cadeira, ou melhor, um banquinho amarelo-ouro, sem encosto, duro e bem desconfortável. Mas valeu, pois já um suor frio principiava a dar sinal em meu corpo.  Foi naquela hora, que comecei a pressentir que a coisa era bem mais séria do que eu pensava.

O suor começou a escorrer! Imaginem só, uma pessoa sentada num banquinho amarelo-ouro, no meio da calçada, com uma mão na cintura, a outra mão a meia altura, fazendo sei o quê, num poste qualquer, em plena Rua Nova!  Ou é maluco ou é promessa!

E o suor aumentava... Vontade de fazer xixi... Aí também não!... Chega o Zé da Carroça!  Olha daqui, olha dali e meio desconfiado, tirou o cigarro de palha da boca e foi logo dizendo besteira:
- Procupa não moço!!!  Se ocê não saí por bem, nóis ranca com o poste e tudo!!!

Naquele momento, as gotas de suor já escorriam pelo rosto e as mãos começavam a ficar frias.  Ouvi então, do meio da multidão, a palavra cavadeira.  Aí também não!... Ficar aqui agarrado ainda passa! Mas, sair daqui levando comigo um poste, nem pensar!... Está fora de qualquer cogitação!!! E depois... levar para onde? Hospital?.. Prefeitura?..Ferreiro de plantão?.. Jamais.!!!! E a minha reputação?

Imaginem vocês o que significa uma notícia dessas no rádio ou jornal de uma pequena cidade do interior como a nossa: "Genro do Barroso dá entrada no Hospital S. João acompanhado de um poste". Seria cômico se não fosse triste.
A esta altura, o suor já pingava no chão.   Então, entre licenças e abre caminho, chega uma senhora moradora da rua, trazendo-me, gentilmente, água com açúcar, bolachas e algumas palavras de consolo.  Vendo-me comprimido por tantas pessoas, anunciou-me que estava quase na hora de começar um dos últimos capítulos da novela das oito e que a coisa ali ia serenar um pouco, pelo menos, durante a novela. Na hora, já sem esportiva, perguntei:
- A senhora tá achando que vou ficar aqui até que horas?!
     
Entre risos, um senhor que não conheço, começou a pedir que as pessoas se afastassem um pouco por causa do calor, mas ninguém queria de forma alguma arredar o pé, e olhem que a novela já havia até começado! O engraçadinho da cavadeira, que estava há algum tempo quieto até demais para o meu gosto, manifestou-se novamente do meio da multidão, e, com uma pequena torcida organizada, erguia as mãos para o alto e, em coro, gritavam freneticamente:
- Cavadeira!... Cavadeira!... Cavadeira! - Em meio ao alvoroço, os ânimos começaram a se exaltar e, num ranca, num ranca, ranca, num ranca, comecei a me desesperar.
 
Eu já estava prestes a entrar em pânico. Um calafrio percorreu todo meu corpo. Falaram em serrar o poste, cortar meu dedo e, quando o caso parecia mesmo sem solução, eis que surge, inesperadamente, um enviado das alturas, carregando em suas mãos, a poção mágica e grandiosa, conhecida por nós, simples mortais, pelo nome de sabão. O velho e eficiente sabão que, misturado com um pouco de água, foi aos poucos e lentamente, retirando o quase desfalecido e inchado dedão.

Então, sob uma calorosa salva de palmas, fui rapidinho procurando meu rumo, não sem antes ver, ou melhor, cruzar com um carrinho de pipocas e um menino vendedor de picolés que, apressadamente, dirigiam-se ao local, na expectativa de faturarem às minhas custas. Haviam sido informados que ali o movimento prometia muito. Dessa pelo menos eu escapei!


No mais, já que o nosso assunto de hoje foi POSTE, desejo a todos uma eleição ILUMINADA e, se possível, com muita LUZ frente às URNAS. 

Crônica e foto: Serjão Missiaggia.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

BELEZAS DA TERRINHA


JARDINS DE SÃO JOÃO.

COMENTÁRIOS SOBRE A RUA GUARDA-MOR FURTADO - A primeira a acertar, lógico, foi a "dona da rua" Renée Cruz: "Sou privilegiada! Esta rua é minha e é testemunha dos meus acertos e desacertos! Vida inteira! Infância e adolescência morava no pé do morro e hoje ao lado da Matriz! AMO!!!".

Rosana Espíndola e Cléa Pessoa foram as outras acertadoras.

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

TODA CASA TEM UM CASO


QUEM SABE ALGUM CASO DESSA CASA??? NÓS SABEMOS.

CASA DA SEMANA PASSADA - Luiz Carlos Moura, Ana Emília Silva Vilela e Cida Abreu foram os primeiros a acertar: final da Rua Capitão Ferreira Campos (Rua do Descoberto) com a Travessa Padre Condé, casa da Maria Helena Linhares e do Sr. Miudinho.

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

CASOS CASAS & mistério ???


QUEM EXPLICA ESSA PAISAGEM ???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - A Giovana Miosso protestou: "Deixa eu acertar, Maninho, você acerta todas!", e acertou: "Essa casa de dois andares é aquela maravilhosa, com um belo e grande jardim que fica de frente à entrada do Center Modas, ao lado da Capelinha". Maninho Sanábio completou: "... e a foto foi tirada lá do Shopping". Marcelo Oliveira também reconheceu: "Casa da Guguta Sarmento".

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O REIZINHO DA CARIDADE


Vendo as batalhas, as controvérsias e as violência que estão prestes a ocorrer em mais uma mudança da tão sofrida Educação Brasileira, não há como não me lembrar com saudades do meu querido Grupo Escolar Dona Judith Mendonça.

Em tempos simples, de cantigas doces e poesias gaguejadas e aplaudidas, recebi meu primeiro título, outorgado por uma fantástica diretora. Dona Terezinha de Almeida Isbele, ao me ver diariamente na fila dos que contribuíam com legumes para a merenda dos menos favorecidos, me apontava, franzino, e dizia: “lá vem o Reizinho da Caridade!”.

Nem é preciso dizer que aquele título, com a escola toda me olhando, e as professoras aplaudindo, me enchia de uma alegria e de um orgulho, que hoje não sei bem se eu era caridoso mesmo ou só exibido.

O fato é que o tempo passou, depois me tornei vicentino, e aquele sentimento cristão de ser caridoso me acompanhou por um tempo, embora, confesso, me sentia meio incomodado quando, nas visitas aos pobres no bairro Santa Rita, sentava-me com os demais confrades, e ficava ali com a roupinha limpinha, enquanto os filhos daqueles que recebiam o desejado “vale” brincavam sujos nas ruas sem calçamento do bairro.

Hoje, a caridade praticada daquela forma ainda me incomoda. E por dois motivos. O primeiro é político: tenho em mim essa impressão de que ir levar recursos que me sobram para os pobres é uma coisa assim meio prepotente da minha parte. Penso que o Estado tem a obrigação de dar uma vida digna aos menos favorecidos e, antes que se apressem em me rotular, já vou logo dizendo que esse é um preceito constitucional, ou seja, é Lei.

O outro motivo pelo qual a prática da caridade me incomoda tem a ver com a psicanálise: ser bom e, o que é pior, ter a obrigação de ser bom, além de uma carga narcísica muito grande, me joga numa ciranda obsessiva muito perigosa e pouco saudável.

Hoje, para apaziguar os meus ímpetos de Reizinho da Caridade, tento ser gentil. Adoro: ceder lugar para as pessoas no ônibus, sorrir para as crianças, ser paciente com imbecis, não ser excessivamente sincero e, principalmente, evitar conflitos.

Porém, até essa coisa doce e desejável de ser gentil tem sido difícil. As pessoas nos julgam o tempo todo: se cedemos o lugar no ônibus para uma mulher, dizem que somos machistas; se sorrimos para as crianças, podemos ser algum tipo de pedófilo e até mesmo evitar conflitos revela algum traço de frouxidão, de covardia.

Por isso, resolvi abdicar aqui hoje, 50 anos depois, do meu título de Rei da Caridade. A gentileza ainda quero continuar exercendo. Se me deixarem!

Crônica: Jorge Marin

Foto     : acervo pessoal do autor

MÚSICAS QUE O PITOMBA ESCUTAVA (BEM NOVIM!)


Eita tempo bão!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

VERDE QUE TE QUERO VER


Hoje é dia de nossas amigas árvores e, mesmo consciente de estar sendo uma postagem repetitiva, nunca é demais falarmos novamente um pouquinho sobre elas.

Mas, é fazendo uso de suas sombras ao subir o morro da Matriz, sob sol escaldante, que não deixo de imaginar, no futuro, a possibilidade de termos outras iguais a essas espalhadas por todas nossas ruas. A falta de uma única árvore é suficiente para sentirmos o quão úteis elas são, enquanto seus fartos benefícios poderão ser facilmente percebidos quando se perde uma próxima de você.

Estranho falar nisso agora, e justamente numa época de temperaturas amenas, mas será fácil constatar, bastando, principalmente neste próximo período de calor, deixar o ar condicionado de nossos carros e casas de lado, e sairmos, por instantes, andando por determinados lugares.

As arvores dão beleza e harmonia em qualquer lugar. Fazem a vida mais agradável, tranquila, feliz e relaxada, e, como havia dito anteriormente, supõem um rico legado para aqueles que virão.

Não há e jamais haverá algo que substitua o santo frescor da sombra de uma árvore! O interessante é que esta tecnologia tão perfeita, criada por nosso Deus supremo, além de não gastar energia elétrica e ser inteiramente grátis, é um colírio para os nossos olhos, frescor pra o nosso corpo e equilíbrio para nossa alma.  

Pra finalizar, gostaria de lembrar Rubem Alves quando diz: “QUEREM ME PRESENTEAR NO ANIVERSÁRIO? PLANTEM UMA ÁRVORE”!

Crônica: Serjão Missiaggia
Foto     : Facebook

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL