sexta-feira, 26 de agosto de 2016

VIRANDO HOMEM


As coisas que acontecerão nesta crônica, eu não sei se poderia chamá-las propriamente de coisas, mas talvez fossem fatos. De uma forma ou de outra, nada foi registrado fisicamente a não ser, talvez, alguns impulsos elétricos na cabeça de um sexagenário, o que, vamos combinar, não se trata de fonte assim tão confiável.

No passado, não mentíamos, pelo menos era o que pensavam nossos pais, os padres e os militares. No entanto, embora pensassem que não mentíamos, e vou logo dizendo que mentíamos pra caramba, o fato é que nos tratavam como criminosos. Quanto mais bonzinhos, mais éramos submetidos a interrogatórios e acareações embaraçosas.

Mas, afinal, do que você está falando, homem? Quero chegar, justamente, naquele momento em que todo menino se transforma em homem, e, principalmente, daquele LOCAL onde isso acontece. Acontece não; acontecia, pois hoje o homem se faz homem, ou não sei se se faz, de tantos outros jeitos, que caberia aqui uma enciclopédia para explicar todas as variáveis.

Depois, se eu esquecer de explicar para os mais novos o que é uma enciclopédia, procurem no Google.

Era o ano de 1968, e o meu Botafogo havia sido campeão quando fui no tal lugar.
- Muito bonito, hein sêo Jorge, o senhor acha que já tem idade pra frequentar este local? – era o meu pai falando quando eu e mais dois colegas fomos LÁ. Eles eram um pouco mais velhos do que eu, mas o meu pai me surpreendeu por dois motivos: primeiro porque surpreendeu mesmo, de susto, mas, principalmente, porque nunca pensei que o encontraria NAQUELE local.

A gente, para falar a verdade, sabia muito bem o que os homens faziam, aquela história toda de ginga, a deitada, buracos e a levantada triunfal. Se acertasse, e desse tudo certo, é claro.

Não tínhamos vergonha da coisa em si. O que mais temíamos era não dar conta, e os amigos que também frequentavam o local ficarem sabendo. Além dos homens mais velhos, que estavam naturalmente mais acostumados.

De qualquer maneira, meu pai me “salvou” naquela noite. Só não me puxou pela orelha para eu não passar vergonha na frente dos meus dois amigos.

Saímos os três meio cabisbaixos. Nem havíamos tirado onda com as meninas quando meu velho nos conduziu Rua do Sarmento abaixo, para fora da Sinuca do Sôcida. O Repórter Esso já havia acabado.

Crônica: Jorge Marin
Foto     : disponível em https://www.pinterest.com/pin/171347960793168042/

MÚSICAS QUE O PITOMBA ESCUTAVA


QUEM SE LEMBRA DE BILLY JOEL???

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

NUM CANTO... LIVRE


Não estaria nosso irmão pitombense viajando num CANTO LIVRE? Não sei por quê, mas essa foto de arquivo do Pitomba me remeteu a esta música. Uma canção de autoria do grupo e que foi magistralmente interpretada pelo nosso amigo nas inesquecíveis apresentações ao vivo que aconteceram nos Trombeteiros em 1978.
                  
                                                           CANTO LIVRE:

E A NEVE SE FOI,
SOL VOLTOU,
A COLORIR
CADA FLOR.
BRISA VEIO TRAZENDO
U’A CANÇÃO,
VOU PROCURAR AMOR
E DEPOIS CHORAR DE MANHÃ.

SE O DIA ESTÁ ALTO,
EU ME VOU,
A GALOPAR PELOS CAMPOS,
EU ME VOU.
BRISA JÁ VEM TRAZENDO
UM URBANO SOM.
VOU PROCURAR A FLOR
E AMANHECER EM PAZ...

Crônica e foto: Serjão Missiaggia
Trat.  Imagem: Jorge Marin

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

SE ESSA RUA FOSSE A MINHA


QUEM SABE HISTÓRIAS DESSA RUA???

Foto: Serjão Missiaggia

TODA CASA TEM UM CASO


E ESSA CASA AÍ? QUEM CONHECE???

CASA DA SEMANA PASSADA - os três primeiros a reconhecer a casa do Dr. Nico, dona Maura e Moacyrzin (o nosso querido Godelo) foram Renée Cruz, Rosana Espíndola e Márcio Velasco. Este, e mais outros pitombenses como o Silvio Heleno Picorone e o José Alberto Bellini, lembraram-se das gravações feitas no famoso gravador de rolo do Gudilim.

A Natália Ciscotto contou um caso: "... a casa do inesquecível pé-de-moleque da Vó Maura! Quanta saudade da minha vozinha! Quantas noites jogamos buraco lá, hein Graziella Castro e Gisele Pinto Pavanelli Souza?".

Foto de hoje: Serjão Missiaggia

CASOS CASAS & mistério???


QUEM EXPLICA ESSA PAISAGEM???

ACERTADORES DA SEMANA PASSADA - Maninho Sanábio, Giovana Miosso e Rita Knop foram os primeiros a reconhecer a Rua Joaquim Cruz, a rua do antigo Matadouro. Reconhecido pela Cristina Velasco Itaborahy como "pertim" da casa do Cleverson Cabral, este nos convidou para um café. Prepara, então, mais um potim de manteiga, Cleverson, pois, nesta semana, estamos chegando a 2.500 amigos no Blog.

Foto de hoje: Serjão Missiaggia
Trat.imagem: Jorge Marin

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

NÓS, OS JOVENS... DOS ANOS 70s


Duas de minhas últimas crônicas vieram se encontrar numa encruzilhada triste e sem esperança.

Explico: quando falei dos sessentanos do meu amigo Gilberto, percebo que todos nós, que costumávamos aprontar no Operário, na pracinha do Botafogo e adjacências, estamos chegando aos sessenta. Silveleno e Dalmin já chegaram; Renatinho também; o Serjão daqui a pouco, e eu um pouquinho mais pra frente.

A outra crônica que penso que vem, mas às vezes nem vem, encontrar com esta de hoje é aquela da caçada de Pokémon no Parque Halfeld. Gente, ao andar no meio daquela molecada, que muito me lembrou as algazarras que fazíamos na saída do Grupo Velho, deparei-me com umas três fileiras de mesinhas com tabuleiros de dama, e uma multidão de uns cem aposentados jogando.

De repente, me bateu aquela inadequação: poxa, será que não deveríamos nós todos, pitombenses e fãs, estar ali sentadinhos jogando dama?

Será que os idosos não deveriam ficar daquele jeito, num cantinho da praça, esperando a sua hora chegar? Hora aí, vocês sabem, é a morte!

Mas, peraí! Será que a minha velhice é a mesma velhice daqueles cem jogadores de dama? Ou será que a minha velhice é só minha? Uma continuação da minha infância sonhadora, da minha juventude louca, da minha vida atribulada de adulto?

Outro dia, conversando com o Serjão, sobre as perspectivas futuras, ele me surpreendeu com a seguinte afirmação:
- Cara, tô achando uma pena a gente estar fazendo só sessentanos, porque, quando chegarmos aos setenta, vamos juntar o Pitomba de novo, e fazer uma turnê mundial, igual aos Rolling Stones, pois eles estão todos com mais de setenta e acho que ainda estamos muito jovens pra essa empreitada.

Lembrar disso me deu um alívio, e continuei, praça afora, a buscar o tão desejado Dragonite. Depois, saindo do clichê, dos pensamentos fatalistas, e daquela bobagem de que, na velhice, nada presta, voltei para as mesas de dama. Ao contemplar a felicidade, as brincadeiras e as zoações daqueles velhinhos que ficam ali a tarde toda jogando (talvez essa história de comer dama tenha algum significado inconsciente), percebi que a vida é boa justamente porque, como numa festa, sabemos que há um momento em que ela termina.

Festa sem fim não existe. Vira tortura.

Crônica: Jorge Marin

BRIGADU, GENTE!

BRIGADU, GENTE!
VOLTEM SEMPRE, ESTAMOS ESPERANDO... NO MURINHO DO ADIL